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Guimarães com Futuro

Júnio Castro
Opinião \ domingo, outubro 04, 2026
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A aprovação da revisão do Plano Diretor Municipal de Guimarães (PDM), sem um único voto contra na Assembleia Municipal, é um momento decisivo para o nosso presente e para o nosso futuro coletivo.

O novo PDM esteve cerca de sete anos à espera de uma conclusão. Este processo atravessou uma longa governação socialista e, apesar do extenso período temporal, o PS não o conseguiu concluir. Guimarães esteve, todo este tempo, refém da incapacidade de ação e execução do PS.

Em outubro de 2025, mudou a maioria, mudou o ritmo e mudou a orientação política. Em apenas 11 meses, Ricardo Araújo e o seu Executivo Municipal concluíram o novo PDM. Este novo PDM é um instrumento estratégico de planeamento e ordenamento do território que assegura, hoje, um aumento significativo de solo urbano para construção de habitação, novas áreas destinadas ao acolhimento empresarial e a reserva de espaço para cinco vias estruturantes de mobilidade no concelho.

Além disso, durante estes 11 meses foi possível aumentar significativamente a taxa de aceitação de participações públicas de 14% para cerca de 50%, incorporando metade das propostas e pretensões apresentadas pelos cidadãos durante a fase de discussão pública. Não se partiu do zero, é um facto. Guimarães perdeu 7 anos à espera e não poderia ficar mais tempo sem um novo PDM, prejudicando os Vimaranenses. O novo executivo partiu do trabalho dos técnicos e dos dirigentes municipais já realizado, avaliou todas as propostas e pretensões dos cidadãos no decorrer da discussão pública e introduziu as alterações. 

E aqui está talvez a pergunta mais incómoda, mas também a mais interessante. Qual a razão para que, em 11 meses, os mesmos técnicos e os mesmos dirigentes conseguirem chegar a um resultado diferente? A resposta não estará necessariamente na competência técnica. Os técnicos são os mesmos. O conhecimento do território também não apareceu de repente. O que mudou foi a orientação política, as prioridades definidas e a decisão de transformar um processo que se arrastava numa prioridade concreta do mandato.

É uma diferença que importa sublinhar. Um PDM não é apenas um documento técnico. É, antes de tudo, uma escolha sobre o território que queremos. A atual Câmara definiu prioridades claras. Mais solo urbano para responder à habitação, mais capacidade para acolher atividade empresarial e novas soluções de mobilidade. A proposta agora aprovada prevê, entre outras alterações, um aumento de 1.148 hectares de solo urbano, mais 161 hectares destinados a atividades empresariais e cinco soluções de mobilidade consideradas estratégicas.

No fim, fica uma evidência difícil de ignorar. Os mesmos serviços, os mesmos técnicos e uma boa parte do mesmo conhecimento acumulado produziram resultados diferentes quando sujeitos a uma orientação política diferente. Esta aprovação não é apenas a aprovação de um novo PDM. É também a demonstração de que, numa Câmara Municipal, a orientação política não é um detalhe, mas sim a diferença entre um processo que se prolonga durante sete anos e um processo que, em 11 meses, encontra finalmente o caminho para a decisão.

Guimarães esperou demasiado tempo. Agora tem um PDM aprovado.