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CVE 2026 - Uma conquista coletiva

Júnio Castro
Opinião \ sexta-feira, janeiro 23, 2026
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O reconhecimento europeu, que tanto nos orgulha, deve ser apresentado como uma oportunidade única de projeção internacional de Guimarães enquanto cidade e concelho capaz de liderar pelo exemplo.

O título de Capital Verde Europeia atribuído a Guimarães sublinha que a transição ecológica só é efetiva quando se traduz em benefícios e impactos concretos para a qualidade de vida das pessoas.

O ano de 2026 iniciou-se com um marco simbólico e transformador para Guimarães com a abertura oficial da Capital Verde Europeia 2026. Mais do que uma celebração, a abertura da CVE 2026 representa um ponto de partida para ações concretas que colocam o ambiente e as pessoas no centro das decisões políticas, sublinhando o concelho como um exemplo europeu de desenvolvimento sustentável.

A CVE 2026 não é apenas um título ou reconhecimento, mas sim um meio para melhorar de forma concreta e duradoura a qualidade vida dos cidadãos. Guimarães não pretende ostentar este reconhecimento europeu, mas usá-lo como um instrumento de transformação real do território, das políticas públicas e do dia a dia dos vimaranenses. Não há transição ecológica sem impacto positivo na vida das pessoas.

A sustentabilidade tem de ser encarada de uma forma integrada e nunca limitada à dimensão ambiental. Devemos, por isso, associar este título europeu a áreas fundamentais como a mobilidade sustentável, a economia circular, a eficiência energética, à justiça social ou até mesmo à coesão territorial.

Mas mais do que isso, a CVE é um projeto coletivo, construído com os cidadãos, associações, escolas, empresas, universidades e instituições sociais. Não pode, nem deve ser um projeto fechado sobre si próprio, nem limitado à ação política. A CVE será um processo participado, onde cada vimaranense se orgulhe, se reconheça e tenha um papel ativo e importante. 

Ao longo de 2026, Guimarães acolherá uma vasta e diversificada programação, integrada naquele que é o Plano Estratégico da Capital Verde Europeia, com iniciativas educativas, culturais e científicas, tais como a Green Academy.  Mas esta agenda não se deve esgotar por aqui, mas sim ser o ponto de partida de um legado duradouro e contínuo.

O reconhecimento europeu, que tanto nos orgulha, deve ser apresentado como uma oportunidade única de projeção internacional de Guimarães enquanto cidade e concelho capaz de liderar pelo exemplo. Este título realça, ainda mais, a importância da cooperação com outras cidades europeias e o reforço de Guimarães nas redes internacionais de sustentabilidade.

O sucesso da CVE não será, certamente, avaliado pelos eventos ou pela visibilidade mediática, mas sim pelos resultados concretos em áreas fundamentais do nosso concelho que implicam, objetivamente, uma melhoria da qualidade de vida dos vimaranenses. Este é um compromisso exigente e que, por isso, obriga a decisões objetivas e orientadas para o longo prazo. 

Mais do que um título, Guimarães quer ser Capital Verde Europeia não apenas em 2026, mas levar este reconhecimento para além disto. Guimarães quer assumir-se como uma cidade mais verde, mais justa e mais resiliente, construída com as pessoas e para as pessoas.