A arte de fazer parecer
Provavelmente todos nós, em algum momento, já paramos para pensar qual o real motivo de cada vez mais continuarmos a caminhar a passos largos para um lugar de destaque na cauda da europa.
Provavelmente, nem que seja em conversas de café, já nos debatemos por que razão o serviço nacional de saúde se encontra em deterioração ou até mesmo por que motivo nos deparamos com tantos casos de corrupção.
Tantos e tantos temas poderiam servir de reflexão e análise, mas a resposta talvez seja mesmo que todos estes assuntos não sejam uma prioridade. É caso para se dizer que a ignorância é a mãe de todas as doenças.
É neste ponto que entra a importância da literacia financeira. A literacia financeira constitui um pilar essencial para um desenvolvimento equilibrado e sustentado de um país. Segundo dados da OCDE e da Comissão Europeia, os portugueses são dos que menos entendem, na União Europeia, de questões económicas e financeiras.
Não admira, portanto, todas armadilhas e malabarismos políticos que somos sujeitos no dia a dia da vida política em Portugal.
Desta forma, o orçamento de estado para 2024 evidência, uma vez mais, a arte de fazer parecer. O governo eleva consigo bem alto a bandeira da diminuição carga fiscal, nomeadamente a redução do IRS, auto elogiando-se com o aumento do rendimento dos portugueses.
Ora se essa diminuição é factual, também é factual que a carga fiscal irá atingir máximos históricos em 2023 e consequentemente em 2024. Temos atualmente uma carga fiscal superior aos períodos da troika em Portugal.
Possivelmente é difícil de entender, para a população em geral, como é tamanha proeza possível de concretizar. Mas essa é mesmo a estratégia do governo PS. Convencer os portugueses, através da redução do IRS e do aumento do salário mínimo, de que o seu rendimento irá aumentar e apostar num aumento considerável dos impostos indiretos, que não são visíveis no momento. No final de contas teremos, factualmente, menos rendimento.
Além disso, desde 2017, o governo anunciou em todos os orçamentos de estado, um aumento significativo do investimento público face ao ano anterior. No entanto, em nenhum desses anos tal acontecimento se sucedera. Isto só é possível, uma vez que a execução orçamental não corresponde ao apresentado no OE. Naturalmente, não deixa de ser mais uma narrativa típica do governo de António Costa. Anunciar, elevar a bandeira e depois não concretizar.
Posto isto, não é de estranhar os dados económicos e financeiros do nosso país. Somos cada vez mais dependentes do estado, mais pobres e com piores serviços públicos. Em 2024, serão sensivelmente 1 milhão de portugueses a receber o salário mínimo. O governo de António Costa está no poder há oito anos, mas age como se isso não correspondesse à verdade, nunca assumindo a culpa do caos estrutural para qual caminhamos.
É, portanto, urgente e necessário, apostar no aumento da literacia financeira e económica da população portuguesa. É de máxima necessidade que os portugueses entendam verdadeiramente as consequências, sejam elas positivas ou negativas, das decisões políticas, sem que sejam enganados. Sem estas valências, continuaremos a caminhar para a cauda da europa, à boleia da arte de fazer parecer.