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This Penguin Can Fly: um novo voo em frente, sem medo de recuar

Rodrigo Martins
Cultura \ quarta-feira, outubro 14, 2026
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Reconfigurada após a adição de Miguel Teixeira nos teclados, a banda regressa com "Now", o novo disco após um intervalo de quatro anos, marcado pela aproximação humana e por uma mensagem mais direta.

De volta ao ativo este ano, os This Penguin Can Fly quebraram um jejum discográfico que durava desde janeiro de 2022 – data de edição do álbum "For All Our Hopes, For All Our Dreams".

O novo EP, "Now", com lançamento previsto para 14 de outubro, assume-se como a primeira metade de um trabalho duplo com edição repartida entre 2026 e 2027. "Na verdade, este silêncio foi mais uma espécie de tempo de trabsfirmação do que propriamente de ausência", confessa o baterista e cofundador José Gomes. O registo nasce da vontade de "voltar a criar sem estarmos demasiado presos ao que tínhamos feito antes", celebrando "o presente, o movimento, a mudança e aquilo que acontece quando decidimos avançar”.

Fundado em 2014, o grupo oriundo das Caldas das Taipas conta com uma formação reforçada com um novo membro. A integração de Miguel Teixeira nos teclados e na percussão, em dezembro do ano passado, abriu portas a novas dinâmicas criativas. "Aconteceu de forma natural. Já existia uma proximidade e uma relação pessoal, e percebemos que fazia sentido trazê-lo, não apenas como alguém que acrescentasse teclados, mas como alguém que pudesse participar verdadeiramente no processo criativo", sublinha José, acrescentando que "com o Miguel conseguimos explorar a eletrónica de forma muito mais orgânica e comunicar 'a apoiar na inserção de vozes'".

Embora a marca cinematográfica continue como parte da identidade do agora quinteto, "Now" aponta numa mensagem mais direta, próxima e humana. Do alinhamento composto por seis temas, já foram dados a conhecer dois avanços: "The Lightning Bolts Are Here", lançado em maio, e o segundo single, "Bravado", estreado a 11 de setembro.

Sobre o mote deste último, o baterista assume: "Quando regressámos, também tivemos de aceitar que não havia garantias depois de alguns anos sem militar música nova, podíamos simplesmente ter ficado por aí. Mas sentimos que ainda havia qualquer coisa para dizer e vontade de continuar". Um reflexo da coragem que tal como em 2014, ano marcado pelo entusiasmo e por “uma ingenuidade boa”, os move a avançar perante a incerteza: "Temos Bravado seja precisamente sobre não existir a possibilidade de voltar atrás, e perante essa realidade, escolher avançar", afirma.

2026 ficou também marcado pelo regresso dos taipenses aos palcos do Rock no Rio Febras, motivo de orgulho, dada a ligação à região: "É sempre especial tocar perto de casa. Há uma relação diferente com o público e com o próprio lugar, porque muitas das pessoas que ali estão conhecem-nos de outros contextos e acompanham a nossa música há muitos anos".

Por fim, a atualidade musical de Portugal foi também tema de conversa, focando uma sentida homenagem a Jorge Palma, recentemente falecido: "O Jorge Palma é uma figura incontornável da música. É daqueles artistas que conseguiram construir uma linguagem muito própria e, ao mesmo tempo, permanecer profundamente humanos naquilo que escrevem e interpretam. De tudo o que fica, fica a gratidão por tudo aquilo que deixou na música portuguesa e nas pessoas que o ouviam. Há artistas que passam pela música e há artistas que ficam. O Palma fica", conclui.

 

ndr: Conteúdo publicado originalmente na edição de outubro 2026 do jornal Reflexo.