Termalismo nos Banhos Novos aumenta faturação em ano com menos clientes
Mais receita com menos clientes: essa é a principal conclusão que se extrai do relatório estatístico elaborado pela Termas de Portugal para a época termal de 2025, onde constam os dados referentes a Caldas das Taipas.
Novamente o quarto destino termal em Portugal, somente atrás de Chaves, principal centro termal, com 49.027 clientes, de São Pedro do Sul (23.714) e das Termas da Piedade, em Alcobaça (21.215), a Taipas Turitermas recebeu, no ano passado, 8.734 pessoas nos serviços de termalismo terapêutico e de termalismo de bem-estar. Esse número traduz uma diminuição de 8% face a 2024, ano em que a cooperativa municipal contabilizou 9.502 visitantes.
Ainda assim, a faturação aumentou quase 6% nesse período, subindo dos 370 para os 392 mil euros. Entre os 37 estabelecimentos contabilizados pela Termas de Portugal, os Banhos Novos arrecadaram a sétima maior receita no país com termalismo, atrás de São Pedro do Sul – superou os quatro milhões de euros -, Chaves (2,5 milhões), Caldas de São Jorge, em Santa Maria da Feira (822 mil euros), Gerês (619 mil), Termas da Piedade (555 mil) e Luso, na Mealhada (419 mil).
O país faturou quase 14 milhões de euros com termalismo em 2025, verba que traduz um aumento de 10% face a 2024, e reuniu um universo de 160.585 clientes, distribuídos pelo bem-estar (81%) e pela dimensão terapêutica (19%). O peso do bem-estar, que respeita à utilização das termas como spa, é ainda maior em Caldas das Taipas. Dos 8.734 clientes registados no ano transato, 8.465 usufruíram dos serviços de bem-estar; é o equivalente a 97 pessoas em cada 100 clientes. Embora o número de clientes nesse segmento tenha diminuído 8,7% face a 2024, a receita cresceu quase 2%, dos 308 para os 313 mil euros.
Já o termalismo terapêutico, que alberga apenas 3% da clientela – 269 aquistas –, garantiu um aumento superior a 24% na receita, que se fixou nos 78.613 euros em 2025. Presidente da Taipas Turitermas desde novembro de 2025, Tiago Rodrigues realça que o início de 2026 parece indiciar “um aumento de procura” face aos meses homólogos de 2025 no termalismo de bem-estar, vertente que pode ainda crescer, assim como o termalismo terapêutico. “Há margem para crescer no termalismo terapêutico e no bem-estar também, se bem que, nesse último, já há dias em que não conseguimos mais marcações. Há dias da semana em que estamos cheios, nomeadamente ao sábado. Ao início da semana, é mais calmo”, descreve o responsável, em declarações ao Reflexo.
Futura oferta hoteleira pode impulsionar termas
Se a pujança do termalismo de bem-estar exige divulgação contínua do spa como “espaço de referência”, o fortalecimento do setor terapêutico exige indicações médicas nesse sentido. “O declínio do termalismo terapêutico teve muito a ver com o facto de, a partir de certa altura, deixar de ser tão recomendado pelos médicos. Felizmente, parece-me que volta a haver uma corrente no sentido inverso e que são reconhecidos os benefícios do termalismo e da água termal, seja na parte dermatológica, na parte respiratória e na musculoesquelética, as componentes em que as nossas águas são melhores”, acrescenta.
Ainda sem objetivos traçados a curto prazo, até porque o orçamento para 2026 já estava concluído pela direção anterior, presidida por Luís Soares, quando assumiu funções, Tiago Rodrigues quer inteirar-se das dinâmicas e da componente sazonal da atividade. “Sem ter essa meta bem definida, queremos crescer. Isso não quer dizer que o que foi feito até agora esteja mal feito. Nada disso. Temos capacidade instalada para crescer e podemos crescer em todas as nossas áreas”, reforçou.
A seu ver, o crescimento da oferta hoteleira em Caldas das Taipas, com a licença para obra no Hotel das Termas, edifício inaugurado em 1918 em vias de ser requalificado, e com a empreitada em curso de uma outra unidade na Alameda Rosas Guimarães, além do já existente Hotel das Taipas, pode projetar ainda mais o termalismo taipense.
“Poderão ser boas âncoras para nós, e nós para eles. Este nosso espaço é bonito, é procurado e tem qualidade. Podemos estabelecer sinergias entre a hotelaria e os nossos serviços. As Taipas ganham com isso. O comércio e a restauração são valorizados. Temos todos a ganhar com umas termas fortes, com gente”, observa.