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Pelo crepúsculo, vai-se partir em busca da vaca-loura no parque das Taipas

Pedro C. Esteves
Ciência & Tecnologia \ sexta-feira, maio 28, 2021
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O icónico escaravelho faz parte do imaginário taipense há décadas. Nesta iniciativa com o selo do Curtir Ciência, para além da vaca-loura, o foco está na educação ambiental.

Espécie emblemática com um elevado valor iconográfico, a vaca-loura vai ser protagonista de um leque de atividades em vários distritos. Uma delas acontece no próximo sábado, 29, no Parque de Lazer de Caldas das Taipas. Dinamizadas pelo projeto Vacaloura.pt, este ano o Curtir Ciência – Centro Ciência Viva de Guimarães faz parte da rede de embaixadores.

E porquê no parque? É que o espaço é considerado um “hotspot” deste que é o maior escaravelho de Portugal devido à presença de vários exemplares de carvalho-alvarinho antigos e de grande porte. Por isso, a partir das 20h00, os entusiastas e curiosos que se inscreveram na atividade vão dar início a um périplo pela zona verde da vila “Em busca da Vaca-loura e companhia”.

“É histórico. Quase toda a gente com quem falamos da zona das Taipas diz que está habituado a ver vacas-louras desde pequeno”, enquadra Daniel Ferreira. O monitor e biólogo do Curtir Ciência vai estar no terreno com os participantes e explica que existe um “conjunto de árvores bastante antigas” no Parque de Lazer da vila com um conjunto de características propícias ao aparecimento da espécie. “O carvalho-alvarinho antigo é importante, porque a vaca-loura está dependente desse tipo de árvores, antigas, com tumores, protuberâncias, porque é uma espécie que depende da madeira morta”, enquadra.

Embora a vaca-loura seja “cabeça de cartaz” neste evento, Daniel Ferreira explica que, “funcionado como um chamariz”, este escaravelho singular é um bom ponto de partida para levar algo mais às pessoas: educação ambiental. “Tentamos sempre que as atividades tenham um porta estandarte – neste caso a vaca-loura – e depois sensibilizar. Se tiverem presentes crianças, essa sensibilização começa logo ali”, indica.

Ciência cidadã

O principal impulsionador deste projeto de ciência cidadã – que está dependente da recolha e de contributos das pessoas – é o vacaloura.pt, coordenado pela Associação Bioliving em parceria com a Unidade de Vida Selvagem do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro, com a Sociedade Portuguesa de Entomologia e com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

Este ano, entre os dias 28 e 30 de maio, há 25 atividades programadas em 16 localidades, dinamizadas por diferentes monitores, mas todas com o intuito de dar a conhecer a vaca-loura e os seus habitats aos cidadãos portugueses.

“O objetivo é compilar e organizar informação enviada pelos cidadãos sobre a distribuição e estado das populações da Vaca-Loura e dos restantes escaravelhos da família Lucanidae em Portugal, de forma a colaborar na Rede Europeia de Monitorização da Vaca-Loura que por sua vez pretende averiguar o estado de conservação desta espécie na sua área de distribuição”, indica o sítio do projeto.