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Oposição exige prazos para as transformações nos transportes

Tiago Dias
Sociedade \ quinta-feira, maio 05, 2022
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Hugo Ribeiro, da JpG, frisa que, sem prazos, estudo para EN 101, EN 105 e EN 206 pode-se tornar “utopia”. Bragança diz que só se pode traçar calendário após garantido o financiamento.

As alterações da mobilidade em Guimarães para os próximos 20 anos estão previstas num estudo da Trenmo, empresa na área da mobilidade liderada por Álvaro Costa, especialista ligado à Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto: prevê-se a criação de vias dedicadas para autocarros – o chamado BRT – para a EN 101, que liga Taipas e Guimarães, e para a EN 206 reforço da ferrovia e a requalificação dos apeadeiros para retirar carros da Estrada Nacional 105, , bem como a aposta nos miniautocarros para a malha citadina.

Uma semana depois da apresentação do plano, Hugo Ribeiro, da coligação Juntos por Guimarães (JpG), disse concordar com o estudo, “bem feito”, mas alertou para a falta de um cronograma que agende cada uma das intervenções sugeridas. A falta de prazos leva o vereador da JpG a pensar que as obras podem ser irrealizáveis.

“Quando não há a assunção de um cronograma para resolver os problemas estruturantes do nosso concelho, isso leva-me a cair na tentação de considerar o estudo do professor Álvaro Costa como utopia”, disse.

O vereador lembrou que o congestionamento das três estradas nacionais mencionadas perdura numa fase em que o PS governa o município há mais de 30 anos e ainda pede mais 20 para a realização de todas as obras. Para Hugo Ribeiro, a Câmara deveria divulgar as obras a que dá prioridade, por exemplo.

“Vão avançar primeiro com a EN 101? Por onde é que vamos começar na EN 101”, disse, a título de exemplo, antes de referir que a EN 206 carece de uma “requalificação de fundo” e que a aposta na ferrovia na EN 105 pode “diminuir a frequência rodoviária”.

 

“Se não conseguirmos 70 ou 80% de fundos comunitários, não conseguimos fazer isto”

O presidente da Câmara Municipal respondeu a Hugo Ribeiro que é difícil estabelecer prazos sem “candidaturas à União Europeia aprovadas” e “protocolos com o Governo”. “Se não conseguirmos 70 ou 80% de fundos comunitários, não conseguimos fazer isto”, afirmou Domingos Bragança, estimando que as intervenções ascendem aos 700 milhões de euros, para 20 anos.

Para o responsável, os calendários dependem igualmente dos terrenos que têm de ser expropriados para a construção de variantes como a de Caneiros, para responder à implementação da via dedicada para autocarros na EN 101. E o assunto exige “diálogo” com entidades como o Ministério do Ambiente.“O calendário deve ser feito à medida que temos projetos aprovados e terrenos adquiridos. Queremos fazer obra, mas um processo desta dimensão leva tempo.

O autarca deu mesmo o exemplo da requalificação da Estrada Nacional 206, com instalação de vias cicláveis em parceria com a Câmara Municipal de Famalicão, para frisar que os calendários estão sempre sujeitos a atrasos. “A 206 já podia estar feita pela Infraestruturas de Portugal (IP). As câmaras estão a trabalhar o aditamento ao projeto da IP. Já andámos há três anos a trabalhar neste projeto para ver se aprovamos nas Infraestruturas de Portugal”, realça.

Para Domingos Bragança, o estudo não contempla apenas a resolução da mobilidade no interior do concelho, mas também o metro de superfície para o Quadrilátero Urbano e a futura ligação ferroviária à estação de alta velocidade, obras que têm de ser financiadas e executadas pelo Governo. O presidente da Câmara defende mesmo que essas obras merecem financiamento central pelo peso populacional e económico do Quadrilátero – mais de 600 mil habitantes e três concelhos entre os 10 mais exportadores de Portugal, Guimarães, Vila Nova de Famalicão e Braga.

O autarca deu ainda conta de que a beneficiação da variante de Creixomil, a cargo da IP, vai iniciar-se a 30 de maio, demorando entre 10 e 15 dias.