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O projeto Ave para Todos alcançou 700 alunos no concelho. E deu um livro

Pedro C. Esteves
Sociedade \ sábado, junho 19, 2021
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O rio que banha as Caldas das Taipas, entre outras freguesias do concelho, já não é tão poluído, mas ainda tem problemas. O projeto Ave para Todos procura sensibilizar as escolas e resultou num livro.

O projeto Ave para Todos, levado a cabo pela Câmara Municipal de Guimarães e pelo Laboratório da Paisagem, alcançou cerca de 700 alunos das 14 freguesias do concelho esquartejadas pelo rio, que têm ficado a saber mais acerca do curso de água.

E é também graças ao contributo desses “eco-alunos” que, na sexta-feira, no Instituto de Design de Guimarães, ligado à Universidade do Minho, foi apresentado o livro “O Ave para Todos”. Que, de acordo com a vereadora do ambiente,” traça um caminho” a ser continuado.

“Para valorizar o Ave, realizamos o “Ave para Todos”. Pensado e estruturado com todos. Só assim conseguimos a mudança”, referiu Sofia Ferreira. No livro está patente a simbiose entre a investigação realizada pelo Laboratório da Paisagem – e programa PEGADAS –, aliada ao trabalho realizado nas escolas (a vertente educativa) e a comunicação - só assim a informação chega às pessoas.

O Ave pode não ter “tantos problemas de poluição” como no passado, é certo, mas ainda há muito trabalho a fazer – e, para além disso, há espécies “não indígenas” que têm um impacto negativo na biodiversidade. Para se alcançar a meta de devolver o rio à comunidade, o projeto tem encontrado nas escolas um dínamo fundamental na criação de “eco-cidadãos”.

“Não se vão esquecer de escrever e de ler, porque aprenderam na escola. Se a escola vos ensinar, vos conseguir mostrar que o rio, o Ave, precisa de ser preservado, precisa de ser cuidado, estudado, nunca mais se vão esquecer”, vincou Adelina Paula Pinto. “Por isso”, continuou a vereadora do ambiente, “não vão deixar que ninguém viole, suje e trate mal” este curso de água que nasce na Serra da Cabreira

Adelina Paula Pinto aproveitou para agradecer às escolas, professores e comunidade estudantil o trabalho que têm realizado ao longo do último ano. Com o livro, Guimarães também mostra “que cuida das margens, que ama o rio. “E tudo o que amamos, cuidamos”, frisou. “Devem estar tão orgulhosos. Cada um de vocês contribuiu um bocadinho para o tanto trabalho que foi feito e há ainda muito trabalho a fazer”, reforçou.

O livro também mostra isso. E a ideia de trabalho contínuo foi reforçada pelo diretor-executivo do Laboratório da Paisagem, Carlos Ribeiro: “Mais do que nosso, é fruto de trabalho dos alunos e professores. É o primeiro capítulo de uma história para continuar e fica um compromisso de que esta história não termina aqui”. “Não se consegue transformar território sem transformar os cidadãos, são um fator determinante”. Para isso, é necessário “criar identidade” e consolidar a ligação “entre homem e rio” – algo que começa “nos mais jovens”.

 

"O tempo de imunidade passou"

Nesta tarefa de valorização do Ave “todos contamos”, disse o presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Domingos Bragança. Entre elogios ao trabalho feito, o autarca reiterou o desígnio de tornar o concelho numa referência ao nível do cuidado com a bacia hidrográfica do Ave. O cariz metodológico da obra apresentada permite que muitas ações sejam “replicadas” noutros município. Podem, inclusive, ser melhoradas “com dinâmicas distintas”, disse Carlos Ribeiro.

Os elogios também chegaram da Agência Portuguesa do Ambiente (APA). José Pimenta Machado, vice-presidente da agência salientou a “importância da literacia ambiental”. O livro diz-lhe “muito”. “Comecei a trabalhar no Rio Ave, na tarefa de despoluição. O tempo de impunidade passou, somos mais exigentes”, assegurou.

O vice-presidente deixou ainda um desafio ao município: o de replicar uma iniciativa desenvolvida em algumas escolas do Algarve. O objetivo passa por tentar medir “o consumo de água por dia ou por mês” da comunidade escolar. “Uma avaliação interna, perceber a eficiência no uso de água", disse.