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Nesta Escola Básica nasceu um jornal "itinerante": é o Briteiros News

Pedro C. Esteves
Educacao \ quinta-feira, março 17, 2022
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Na Escola Básica de Briteiros nasceu um jornal de parede chamado Briteiros News. Nove pequenas jornalistas constroem um jornal com o que se passa num ecossistema que conhecem bem: a própria escola.

Se os alunos da Escola Básica de Briteiros pudessem escolher uma disciplina para adicionar ao currículo escolar seria o espanhol. E o pequeno Gonçalo Silva, 11 anos, em entrevista, indica que seria boa ideia colocar “secadores das mãos nos balneários”. O Briteiros News, jornal da escola de São Salvador de Briteiros, não é um mensal qualquer. Não sai “para as bancas”, nem está disponível online. Faz o seu caminho num ecossistema muito próprio: uma espécie de jornal itinerante, que percorre os corredores do estabelecimento de ensino e “está aberto à colaboração da comunidade escolar”. “O jornal costuma estar localizado em frente a biblioteca. Os alunos podem aceder à informação diariamente, ler e podem pedir para colocar lá informação que achem pertinente”, explica Carla Almeida. A professora de inglês coordena o Clube de Jornalismo da escola, edita e dirige o Briteiros News. O jornal é uma novidade no Agrupamento de Escolas de Briteiros. Se o Celtinha, jornal online que difunde novidades acerca do que se passa nas oito escolas do agrupamento, fez o seu caminho na internet, aqui é diferente. A impressão de um jornal mensal implicava custos – juntam-se os constrangimentos associados à pandemia e ao manuseamento do papel – e surgiu a ideia: e por que não um jornal de parede, movível? “Percebemos que acabava por ser vantajoso, já que conseguimos colocá-lo em posições estratégicas da nossa escola”.

“Questionar o porquê é muito importante”
Nesta redação cabem nove pequenas redatoras. As reuniões de redação acontecem todas as terças- -feiras: há uma edição para preparar e uma triagem de ideias para levar avante. Carla Almeida não tem dúvidas: o jornalismo escolar estimula a criatividade e ensina a questionar o que rodeia o aluno. “Trabalham muito a comunicação escrita e oral de forma crítica. O questionar o porquê de determinada coisa é muito importante. São questionadas temáticas, incentiva-se a pesquisa, a, no fundo, fazer perguntas”, resume. Fabiana, aluna do 9.º ano, contribui com experiência. Já tinha frequentado o Clube de Jornalismo quando entrou para o ensino básico. “Este ano decidi experimentar de novo”, diz. Fê-lo em boa hora. Mesmo não conhecendo a professora Carla Almeida – é o primeiro ano que a docente leciona na escola – inscreveu-se. “O facto de escrevermos muito ajuda-nos a pensar melhor e pela nossa cabeça e a desenvolver as nossas competências”, explica a redatora do Briteiros News. O biombo onde estão afixadas as páginas do Briteiros News, materialização do mês de trabalho feito na sala de informática transformada redação uma hora por semana, conta sempre com entrevistas a um aluno, funcionário e professor. Para além de poderem ver o seu trabalho materializado, com o papel também se procura que o telemóvel fique em descanso durante os recreios. “Hoje em dia lemos muito mais através de sítios de internet: as pessoas leem na internet e não tanto em livro. A ideia era acabar por utilizar o jornal escolar para cativar os alunos a não estarem agarrados o telemóvel”, salienta Fabiana.

O motor deste jornal? "Amor à camisola"
Mas nem só de textos se faz um jornal. “Temos uma área de curiosidades, uma parte de comunicação sobre o que acontece na escola”, frisa Carla Almeida. Para aprofundar competências e valências, há a secção de sondagens. Os alunos são incentivados a calcorrear a escola e auscultar, fazer perguntas aos colegas. “Eles aprendem O que é trabalhar em parceria. Tinha um grupo de meninas mais fechadas, e elas saem e vão fazer perguntas aos colegas”, salienta Carla Almeida. A aprendizagem, como no jornalismo, faz-se no dia-a-dia. Para a materialização do jornal, ajuda a relação de confiança que se estabeleceu entre professora e alunos – “eu simplesmente dou uma vista de olhos, tem corrido muito bem, trabalhamos por amor à camisola, com entreajuda e disponibilidade para fazer mais e melhor”, pontua a responsável. E essa disponibilidade e entrega fazem com que as edições fechem sempre a tempo e horas – nem que isso implique um texto chegar mais tarde. A professora exemplifica: “A vontade é meio caminho, já aconteceu de haver conteúdos a cair às 23h00 no meu e-mail”. O Clube de Jornalismo também reforça a importância do compromisso. Para além da parte lúdica, as alunas “percebem que há timings e que aquele timing tem de ser cumprido, à imagem do que vão encontrar no mundo do trabalho”.

Um Briteiros News a ecoar pela escola?
O Briteiros News pontua cantos da Escola Básica de Briteiros há quatro meses, tendo arrancado com o início do calendário escolar. A Carla Almeida vão chegando reptos: e se por ali nascesse uma rádio escolar e a informação ecoasse pelas galerias saudadas pela claridade que perfura a claraboia do estabelecimento escolar? “São os próprios alunos a pedir para se fazer algo diferente, uma coisa nova”. Para já, o foco está na publicação de parede. Fabiana e a restante redação do mensal da Escola Básica de Briteiros preparam a próxima edição por onde vão passar centenas de olhares. Há entrevistas para preparar, opiniões para auscultar. O Briteiros News vai ganhando forma