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“Até é giro”. Não houve bola no Montinho – mas houve cães bem treinados

Redação
Desporto \ quinta-feira, junho 09, 2022
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A Taça de Portugal de mondioring, modalidade desportiva canina que dá protagonismo à aptidão dos cães e aos treinadores, foi disputada na vila de Caldas das Taipas.

Está Jorge Marques a explicar que o mondioring é uma modalidade desportiva canina, com jogos de dificuldade progressiva, que conjugam disciplinas de obediência, salto e coragem, quando irrompe pelos altifalantes do Estádio do Montinho uma gravação de um grito de pânico. Prolonga-se durante dez segundos. “É para ver se não desestabiliza o cão”, diz com naturalidade o participante de Almada.

O Estádio do Montinho foi o escolhido para a Taça de Portugal 2021/2022 de mondioring, desporto foi criado para selecionar os melhores reprodutores de cada raça. Durante o último fim de semana, criadores e treinadores de vários pontos do país disputaram o acesso ao campeonato do mundo da modalidade que, diz a« Associação Portuguesa de Clubes e Praticantes de Mondioring, “potencia a destreza e as capaci- dades caninas, juntamente com a capacidade de treino e condução por parte do tutor”.

Jorge protege-se do sol na bancada central do estádio do Clube Caçadores das Taipas. O público habitual do Montinho foi rendido por entusiastas desta modalidade desportiva canina que viajaram de diferentes latitudes para participar na prova. Os ares de Guimarães não foram simpáticos com o fundador da equipa DogSpot. “Correu muito mal”, lamenta.

Ninguém vive disto

Tânia Camões acabou a sua prova e o feedback é o mesmo. A competição pode ser madrasta para quem dedica várias horas por semana a treinar os companheiros de quatro patas. Ninguém vive do mondioring em Portugal. Tânia é treinadora de cães e entre os cerca de 50 praticantes o mais normal é ver quem “viva dos cães, mas de outra forma”.

A participante aproveita o fim da prova para passar pela bar do clube para aplacar com água um dia em que o calor abrasador teimava em não dar tréguas. É uma das poucas mulheres numa modalidade dominada por homens. Foi mesmo a primeira, em Portugal, a participar no campeonato do mundo. “Hoje em dia está melhor”, comenta. “As coisas mudaram um bocadinho. Antes era mais complicado. Havia aqueles que diziam que não tinha a mesma força e o mesmo físico dos homens”, relata.

Tânia e muitos dos competidores entraram cedo “ao serviço”. O programa ditava que as provas começavam às 08h30, mas a inspeção veterinária era uma hora antes. A treinadora viajou desde Odivelas com a sua equipa, a DogCamp. Pedro Ferreira, da mesma formação, explica que “ultimamente têm acontecido mais provas a norte”. “Há mais clubes daqui e, por isso, há mais gente a participar. Normalmente costuma ser no centro”.

A comunidade ainda é pequena, mas tem crescido

Como todos os participantes que galgaram quilómetros rumo a Caldas das Taipas para passar o fim de semana, alugou uma casa. A bancada está repleta de caras conhecidas. A comunidade ainda é pequena, mas tem crescido. “Praticamente estamos juntos todo o ano”, refere. Pedro diz que gosta de ver o crescimento dos cães e o desenvolvimento da relação entre patudos e donos ao longo da época desportiva.

Partiram oito participantes desde Odivelas na sexta-feira que antecedeu o fim de semana de prova. Há equipas com me- nos elementos. Desde que haja “figurantes para vestir o fato”, tudo funciona. E Pedro é um dos que veste. Tal como todos os que lhe fazem companhia em mais uma prova do calendário, tudo espoletou quando começou a treinar o seu cão. “Comecei a ver a modalidade e comecei a gostar. Foi aí que comecei a pensar: ‘Isto até é giro e se calhar ser mordido por cães também deve ser giro’, e agora faço competições”, graceja.