Febras supera os 40 mil espetadores e perspetiva segundo palco para o ano
Assim que terminaram o concerto, Andrew Stockdale, James Wassenaar e Brett Wolfenden, os três membros dos Wolfmother, confessaram a Pedro Conde que “não encontraram nada parecido” com o Rock no Rio Febras nas datas prévias da digressão europeia em curso. A que é que se referia o trio? “Todas as pessoas que eles encontraram, desde quem os ajudou lá no backstage, as equipas técnicas, quem serviu a cerveja, tudo com um sorriso na boca, tudo com um espírito fantástico”, esclarece o programador do festival organizado pela Casa do Povo de Briteiros.
No concerto de encerramento da quinta edição do Febras, o trio australiano deparou-se com uma plateia acima das 20 mil pessoas, a vibrar com os rasgos da guitarra de Stockdale, claramente inspirados por Led Zeppelin e Black Sabbath, bandas que, aliás, homenagearam após o encore. O encanto dos Wolfmother para com o festival sentiu-se quando James Wassenaar e Brett Wolfenden voltaram ao palco após o concerto para agradecer ao público, enquanto os The Last Internationale, cabeça-de-cartaz de sexta-feira, fizeram questão de partilhar as vivências no Febras nas suas redes sociais, numa mensagem que pode passar para o circuito internacional e abrir as portas a mais bandas estrangeiras.
“É a mensagem principal para atrair mais bandas. A nível nacional, acho que já não existem dúvidas nenhumas do que é o Febras, mas, a nível internacional, este festival pode-se tornar um dos pontos estratégicos no país para receber bandas de dimensão internacional, sem entrar pela parte do circuito comercial. No fundo, serão as bandas a quererem vivenciar o espírito do Febras”, acrescenta Pedro Conde, estimando que o festival recebeu mais de 40 mil pessoas em três dias, já que, na quinta-feira, houve um aquecimento com West Coast Man e Crocky Girls. O campismo também cresceu, praticamente duplicando face a 2025: foram cerca de 800 os festivaleiros que decidiram acampar.
Além dos Wolfmother, banda da qual se considera fã, o programador enaltece os concertos dos vimaranenses Correr Andar, pela forma como “tomaram conta do palco e agarraram o público”, e dos portuenses Clã, bem conhecidos do grande público português. “A Manuela Azevedo entrou completamente no espírito do festival. Foi espetacular. Cresceu perfeitamente. No fundo, entrou na nossa comunidade, porque sente exatamente os mesmos princípios. Eles queriam mesmo fazer parte disto. Já os tinha visto umas 10 vezes, e nunca vi um concerto como este”, salienta.
Um segundo palco para 2026
Realizado no parque da Quinta da Ponte, recentemente reabilitado e inaugurado, o Rock no Rio Febras tem margem para crescer. E a organização já sabe por onde: aproveitar a outra clareira do parque para erguer um segundo palco. O intuito é oferecer um cartaz com mais do que as 10 bandas que têm atuado no Rock no Rio Febras.
Para já, ainda não foi possível concretizar esse “sonho” por falta de capacidade financeira, mas Pedro Conde espera vê-lo concretizado no próximo ano, até para dar melhor resposta às muitas bandas que procuram tocar no Febras. O objetivo é ter um segundo palco com as mesmas condições técnicas do que já existe, para não haver qualquer secundarização dos nomes que atuam no Febras, e poder receber assim um máximo de 25 mil pessoas por dia.
“No fundo, queremos mais capacidade para projetar ainda mais o talento local e, claro, atrair grandes nomes internacionais. Consequentemente, em vez de termos as 20, 21 mil pessoas diárias, conseguimos passar para as 25 mil. Se tivermos um palco colocado na outra ponta do parque, tenho a certeza de que teremos capacidade de movimentação para receber ainda mais pessoas. Porque as pessoas virão”, antecipa.