Citânia Viva: o dia em que a comunidade passa tempo com o seu património
O formato da Citânia Viva transfigurou-se à medida que os anos passaram, mas há uma exigência da qual a comunidade de São Salvador de Briteiros não abdica: a de que o evento cultural tenha como palco a Citânia de Briteiros, núcleo castrejo de referência no noroeste da Península Ibérica e reconhecido monumento nacional na região. "Já fizemos no quintal do Solar da Ponte, perto do parque, mas as pessoas de Briteiros queixam-se quando não é na Citânia. As pessoas querem que seja na Citânia e faz sentido que seja”, constata Gonçalo Cruz, arqueólogo da Sociedade Martins Sarmento (SMS), uma das entidades responsáveis pelo programa que volta às estreitas e pedregosas ruas da Citânia no próximo sábado.
A 22.ª edição da iniciativa estende-se das 15h00 até ao início da noite, começando com uma caminhada desde o Museu da Cultura Castreja, no Solar da Ponte, até à Citânia, com um aquecimento promovido pelo On Beat Fam, grupo informal da Casa do Povo de Briteiros, outra das instituições envolvidas na Citânia Viva.
A tarde prossegue no interior das muralhas milenares da Citânia, com uma sessão de ioga, promovida pela equipa Prana Yoga Shala, às 16h00, e com uma visita guiada pela Citânia, com duas componentes, às 16h30: uma que contempla a fauna e a flora, com orientação do Laboratório da Paisagem, no âmbito da Capital Verde Europeia, e outra voltada para o património arqueológico, com representação por parte dos elementos da associação juvenil Citânia, que conta com um grupo de teatro.
“Vai-se fazer uma visita guiada pela Citânia animada. Vão estar em momentos-chave da visita. Vão representar habitantes da Citânia no seu quotidiano e no seu contacto com mercadores estrangeiros. Não são momentos de batalha. Nos primeiros anos, apostava-se muito nos guerreiros. Vamo-nos focar na vida quotidiana”, explica Gonçalo Cruz.
O núcleo da Idade do Ferro também servirá de palco a uma tragédia, a partir das 18h00. Após privilegiar peças de teatro mais próximas da comédia em anos anteriores, a organização escolheu, desta feita, apresentar “Antígona”, peça de Sófocles, dramaturgo da Grécia Antiga, no século V a.C.. A interpretação estará a cargo do grupo Prof e Trolls, na acrópole da Citânia. “Temos uma peça de teatro feita por um grupo da região Norte, que reúne professores da Póvoa de Lanhoso, de Guimarães, de Gondomar”, acrescenta o arqueólogo.
O evento termina por volta das 19:00, com um lanche-convívio animado pelos Allcateia, um grupo de bombos e gaitas de foles. A entrada é livre, com os presentes a poderem usufruir das atividades que quiserem. “Não é um espaço que comporta muita gente. Tem muitas ruínas e ruas estreitas. É difícil ter uma multidão maior. E esta é a altura em que as pessoas da comunidade mais vão à Citânia. Há a festa de São Romão, mas é uma festa religiosa. As pessoas encaram isto como o dia em que vão passar algum tempo à Citânia”, descreve o responsável da SMS.