Banda das Taipas “está boa e recomenda-se”, embora haja desafios a superar
Outubro é mês de aniversário para a Banda Musical de Caldas das Taipas (BMCT), a mais antiga filarmónica do concelho de Guimarães. Embora não haja uma data oficial para a fundação ocorrida em 1834, a associação celebra sempre a efeméride no mês outonal, habitualmente na terceira semana.
Aos 192 anos, a formação de instrumentos de sopro e percussão “está bem e recomenda-se”, num tempo em que emerge alguma “concorrência desleal” quanto a preços cobrados para se participar em festas paroquiais e solenidades religiosas, a principal fonte de receita das bandas filarmónicas nos meses de primavera e de verão. O presidente da BMCT, Henrique Azevedo, salienta que essa realidade é palpável no Alto Minho, onde a recente evolução de pequenas bandas locais tem retirado espaço aos músicos taipenses num espaço onde estavam implementados.
“Há uma concorrência muito grande e desleal. Fazem preços muito baixos. Tradicionalmente, temos um método de pagamento aos músicos que não nos permite competir com eles a nível de preço. Temos os transportes, as despesas de manutenção. Não se pode ir para lado nenhum por um valor qualquer”, salienta, ao Reflexo.
A filarmónica da vila termal tem assim dialogado com comissões de festas na região do Douro e no distrito do Porto, em concelhos como os de Paços de Ferreira, Penafiel e Lousada, para manter um volume de serviços que, neste ano, supera os 30, encerrando com um despique em Gondomar, a 4 de outubro, e com as Festas de Nossa Senhora do Rosário, em Silvares, entre os dias 7 e 11. Em dezembro, haverá o tradicional Concerto de Natal.
O dirigente salienta que já há cinco contratos fechados para o próximo ano, numa “luta muito difícil”, que exige “muita paciência”, com um orçamento entre os 60 e os 80 mil euros para gerir, cuja maioria do valor se destina a pagar aos músicos, e que pode superar os 100 mil, se se contabilizar a atividade da Academia de Música Fernando Matos, cujo número de alunos ronda habitualmente os 75.
“Banda não tem sede com as condições ideais”
Instalada na Praceta da Casa da Música, a Banda Musical de Caldas das Taipas deve ser “a que tem condições mais fracas” na região, com uma sala de ensaios muito pequena, em que está “muito calor” no verão e frio no inverno. “A banda não tem sede com as condições ideais. Em qualquer aldeia, veem-se bandas com boas condições para expandir e crescer. Até pela sua longevidade, acredito que venha a ter as condições que merece, dignas”, reconhece Henrique Azevedo.
Ciente de que a Academia de Música também precisa de melhorias, o presidente da BMCT adianta que está em cima da mesa um projeto para um edifício que reúna a banda e a academia de música, embora o orçamento, entre um e dois milhões de euros, possa ser entrave à solução. À espera de ver o projeto trabalhado pela Câmara Municipal de Guimarães, Henrique Azevedo receia que a instalação do edifício no espaço vazio contíguo à Academia de Música, assunto que ainda não está fechado, possa ser insuficiente para satisfazer todas as necessidades da associação.