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Assembleia freguesia: uns queixam-se outros reivindicam, insatisfação geral

José Henrique Cunha
Política \ segunda-feira, outubro 03, 2022
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Luís Soares queixou-se e a coligação Juntos por Guimarães apoio-o nesse queixume. Com propósitos obviamente diferentes foi o momento de consonância entre poder e oposição.

Como é habitual nestas sessões ordinárias da assembleia de freguesia, no período antes da ordem do dia, foram aprovadas atas, houve um período reservado à intervenção do Público, os partidos trataram e discutiram assuntos gerais de interesse para a Freguesia, sem caráter deliberativo. No período da ordem do dia foi apreciada a informação escrita da Junta de Freguesia relativa à atividade e situação financeira entre sessões e autorizado, com o votos favoráveis da maioria socialista e abstenção da coligação Junto por Guimarães, a concessão do direito de exploração de locais de venda de objetos de ornamentação ou culto, em jazigos, no cemitério da Freguesia.

Requalificação do Centro da vila e o deficit de comunicação da câmara municipal de Guimarães.

Confrontado no período reservado à intervenção do público sobre a falta de acompanhamento da junta de freguesia às obras de requalificação do centro cívico, Luís Soares, presidente da junta de freguesia, respondeu que a junta continua firmemente a defender os interesses de quem confiou neste executivo e que sobre este tema existe um dossier na junta relativo à obra do centro e no qual constam documentos e registos de preocupações dos cidadãos desde 2012. Repetiu o que tem dito em anteriores sessões: o processo de gestão da obra é complexo, com várias vicissitudes já elencadas no passado, como sejam, os achados arqueológicos, o covid-19, o fornecimento de materiais. No entanto, frisou que isso, por si só, não justifica tudo, sobretudo o deficit de comunicação da câmara municipal de Guimarães, quer com os seus representantes locais, junta de freguesia, quer diretamente com os cidadãos. Deu nota que manifestou esse desagrado por escrito a Domingos Bragança, presidente da câmara municipal, e que explicou ao edil as dores dos cidadãos, sobretudo dos comerciantes, da zona intervencionada, portanto, diz não estar satisfeito com o que está a ser feito, não com a obra em si, que traria sempre constrangimentos, mas sim com a forma de mitigar os problemas no dia a dia das pessoas.

Empreiteiro e câmara não têm acolhido as soluções apresentadas pela junta de freguesia

Luís Soares referiu que o seu executivo tem apontado soluções e formas de mitigar esses problemas, mas na maior parte das vezes não têm tido o devido acolhimento quer por parte do empreiteiro, quer pela equipa de fiscalização da obra e em última instância pela câmara municipal. Disse ainda em sentido figurado, “só falta apontar uma arma à cabeça para exigir que seja feito o que de senso comum deveria ser feito”. Admitiu, no entanto, que tem outras armas, legais, para usar e que não deixará de as utilizar na defesa das pessoas, sem, contudo, concretizar que medidas seriam essas.

Tive conhecimento da prorrogação do prazo da obra por um ano, pela comunicação social.

O prazo da obra foi prorrogado por mais um ano, ou seja, a conclusão está agora, e por agora, aprazada para novembro de 2023. Luís Soares tinha consciência de que o prazo seria alargado, aliás, na última sessão da assembleia de freguesia anunciou maio de 2023, mas ficou surpreendido com esta ampliação do prazo em 50% do prazo inicialmente previsto. Referiu ainda com notório desagrado que soube desta prorrogação pela comunicação social.

Inferno nas Taipas

Foi assim que Manuel Ribeiro, líder da bancada da coligação Juntos por Guimarães, qualificou o atual estado da vila, referindo-se não só à obra de requalificação do centro cívico, mas também, ao transito e novos edifícios em construção.

Sobre a prorrogação da obra que fica agora em três anos, relembrou que no Porto, aquando das obras para a Capital Europeia da Cultura, as obras demoraram dois anos e houve lugar a indeminizações aos comerciantes. Diz não ser possível os comerciantes do centro aguentarem tanto tempo sem terem qualquer tipo de indeminização por este atraso “indesejado”.

Desconsideração da câmara municipal pelo presidente da junta de freguesia

Outro ponto salientado por Manuel Ribeiro é o manifesto e público desespero do presidente da junta de freguesia com as obras e a passividade da câmara municipal.

Mas foi mais longe, relembrando o episódio das trotinetes e da prorrogação do prazo da obra em que Luís Soares manifestou publicamente o desconhecimento formal de tais iniciativas decididas no claustro de Santa Clara. Para Manuel Ribeiro fica claro que Constantino Veiga, ex-presidente da junta de freguesia, tinha razão quando se queixava da falta de sensibilidade, das orelhas moucas, da câmara municipal perante o poder local. Terminou dizendo que, estranhamente, o poder sediado em Guimarães, socialista, o mesmo que se encontra sediado em Caldas das Taipas, se esteja a portar tão mal com o atual presidente da junta, Luís Soares, como fez no passado com Constantino Veiga. Sem querer levantar qualquer ímpeto autonomista, diz ser intolerável esta situação de manifesto desrespeito e desconsideração que a câmara municipal tem demonstrado com a junta de freguesia, com o seu presidente, e com as pessoas da vila.

Moção da coligação Juntos Guimarães para um vale de 20 euros foi chumbada pelos socialistas

A proposta da bancada da coligação JpG que visava instigar a câmara municipal de Guimarães no sentido de atribuir um vale de 20 euros, a todos os alunos matriculados no concelho de Guimarães até ao ensino secundário, para ser descontado no comércio local na compra de material escolar, foi rejeitada pela maioria socialista.

Esta proposta já tinha sido apresentada em sede de reunião de câmara pelos vereadores da coligação JpG tendo também merecido o chumbo da maioria socialista naquele órgão autárquico. Apesar do apelo de Manuel Ribeiro para que os socialistas vissem esta moção, esta ideia, como uma semente, para no futuro a edilidade dar provimento a este apoio social, os socialistas, na pessoa do presidente da mesa, António Joaquim Oliveira, que por momentos tomou da palavra no púlpito como membro socialista, entenderam que se tratava de uma jogada política sem qualquer resultado prático plausível, dado que, a proposta já tinha sido discutida e rejeitada em sede de reunião de câmara. A moção foi votada na assembleia de freguesia e viria a ser rejeitada pela maioria socialista.