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"Pioneirismo": Aos 21 anos o Multiusos de Guimarães está em mutação

Pedro C. Esteves
Sociedade \ quinta-feira, novembro 17, 2022
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A maior sala de eventos de Guimarães gerou 20 milhões de euros em receitas de bilheteira nos últimos dez anos. Vem aí uma aplicação móvel e uma aposta na sustentabilidade.

Se pedissem a Amadeu Portilha uma palavra para caracterizar os 21 anos da maior sala de eventos de Guimarães, ela seria “pioneirismo”. A mesma aplicar-se-ia ao trajeto da Tempo Livre – gestora do Multiusos e instalações como o Complexos de Piscinas e Pista Gémeos Castro –, que, na ótica do presidente da régie-cooperativa, democratizou o acesso “do cidadão comum” a equipamentos desportivos. Para o futuro, há quatro projetos em carteira e planos para prosseguir o investimento na saúde e desporto.

Em jeito de balanço, para “refletir e projetar” o devir, no dia em que há 21 anos António Guterres inaugurou a sala multiusos de Guimarães, a Tempo Livre apresentou números, delineou prioridades para os próximos anos, mas não esqueceu a caminhada começada no início do século. “Até 2000 o paradigma que se vivia era de investimento nos clubes, não havia nada em propriedade do município, como o Multiusos, piscinas, pista. A partir daí o cidadão comum pôde ir a qualquer hora do dia praticar desporto”, reforçou Amadeu Portilha.

Foram enumeradas iniciativas como a Liga Neno, Miúdos Ativos ou a Vida Feliz – este projeto de envelhecimento ativo conta com 1300 participantes - e o trabalho de serviços como o Centro de Medicina Desportiva, responsável pela realização de exames a 3500 atletas por ano. Mas o contributo para o desporto também se fez com a “criação de novas ofertas”. O dirigente da cooperativa lembrou o rope-skipping, modalidade com forte implantação nas Taipas, com os Molinhas, e que deu os primeiros passos a partir da geminação com a cidade alemã de Kaiserslautern; mas também a ginástica, aposta que culminou na criação da Academia. “Foi aqui que tudo começou”, sublinhou.

Um espaço com gente dentro

O plano da Tempo Livre passa por conquistar mais utentes, espetadores e participantes, até porque, como referiu Amadeu Portilha, as instalações “só são interessantes se tiverem gente dentro”.

“Este período pós pandemia esta a superar as nossas expetativas. Estamos com mais utentes nos projetos desportivos, estamos a ter o melhor ano de sempre no Multiusos, com 50 eventos, uma média de um evento de semana, batemos recordes de bilheteira”, referiu. Nos últimos dez anos, o Multiusos foi responsável por gerar 20 milhões de euros em bilhetes vendidos. Indiretamente, com as pessoas de fora de Guimarães que arrasta para a cidade, terá gerado ainda mais para a economia local.

Os números “no verde” fazem com que a Tempo Livre apresente pelo quatro ano consecutivo resultados líquidos positivos – Amadeu Portilha disse também que todas as dívidas foram saldadas e o número de trabalhadores também é menor. Nos últimos anos, o investimento nas instalações é mais visível nos camarins, na ampliação do restaurante, mas também na construção de camarotes empresariais.

O saldo positivo vai continuar a ser investido nas instalações – foram anunciados quatro projetos – e também na digitalização e sustentabilidade: os planos passam por criar uma aplicação para tornar melhor a experiência de quem vê um espetáculo e, noutro âmbito, elaborar um plano de poupança energética tendo em conta o aumento brutal do preço da eletricidade.