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A televisão por cabo chegou há 25 anos para ser “mais-valia”

Tiago Dias
Sociedade \ quinta-feira, junho 17, 2021
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Em maio de 1996, os filmes do Hollywood, os documentários do Odisseia ou os eventos desportivos da Eurosport passaram a ser alternativa aos quatro canais para mais de mil casas no centro da vila.

Em 2021, há milhões de portugueses com acesso a centenas de canais de televisão a partir de casa, graças ao serviço de IPTV – o sinal televisivo é transmitido através das redes de Internet -, mas este é um quotidiano típico do século XXI, não do século XX. Quando se recuam 25 anos, a Internet ainda não estava disseminada pela população, mas a população de Caldas das Taipas começou a ver outros canais que não os quatro nacionais – RTP 1, RTP 2, SIC e TVI.

A televisão por cabo chegou à vila termal em maio de 1996, estando logo ao dispor de mais de 1.200 casas, distribuídas por 19 arruamentos em torno do centro; um deles foi a praça Doutor João Antunes Guimarães, onde residia – e ainda reside – Joaquim Cardoso Ferreira.

Hoje, com 69 anos, o habitante da vila recorda ter assinado o serviço há mais de 20 anos, porque queria ver outros canais, nomeadamente o Hollywood, canal de cinema ainda no ativo, que passava filmes legendados em português 24 horas por dia. “Lembro-me perfeitamente do Hollywood. Ainda hoje sou adepto. Vejo um filmezito ou outro nesse canal ou no AXN”, diz ao Reflexo.

Oferecido pela TV Cabo Douro, o serviço foi inaugurado a 30 de maio, numa cerimónia em que marcaram presença o então presidente da Junta, Carlos Remísio, e representantes da Taipas Turitermas, do CART e dos Bombeiros Voluntários das Caldas das Taipas.

Nesse mesmo dia, foi disponibilizado um quiosque TV Cabo, onde qualquer pessoa poderia esclarecer dúvidas sobre o serviço ou assistir a demonstrações relativas aos 30 canais; a oferta incluía ainda a CNN, canal norte-americano de informação, o Discovery e o Odisseia, canais de documentários com locução em português, o Panda, canal de animação com programação legendada ou dobrada para português, e o desportivo Eurosport, escreveu o Reflexo na edição de maio e junho de 1996.

A casa em que habitava naquela praça não é a mesma de hoje, nem tinha as mesmas condições para a instalação dos cabos que transmitiam o sinal. Foi por isso que ainda demorou a aderir à Sport TV, canal fundado em setembro de 1998, com transmissões dos jogos do principal campeonato nacional de futebol, porque o dinheiro “não era problema”; tinha ganhado o Totoloto recentemente.

Independentemente da rapidez com que acedeu aos serviços que queria, Joaquim Cardoso Ferreira afirma convictamente que a TV Cabo tem sido uma “mais-valia” para os seus dias, até porque evita idas ao café. “Vejo em casa em vez de estar no café a beber finos. Lá também tinha TV Cabo, mas era barulhento”, detalha.

“Foi um incentivo para as pessoas cá virem”

Em frente à Escola Secundária de Caldas das Taipas, Jorge Barbosa gere e explora a pizzaria Reggiana desde 22 de agosto de 1994. Assim que a TV cabo chegou à vila, aderiu ao serviço para disponibilizar mais canais aos clientes. “Como tinha um estabelecimento, tinha todo o interesse em meter”, lembra, ao Reflexo. “Foi um incentivo para as pessoas cá virem”, vinca.

Aquando da instalação do serviço, lembra-se de acompanhar os técnicos ao hall de entrada do prédio, para lhes mostrar onde ficava a caixa de distribuição dos cabos que levavam o sinal a quem quisesse ter TV cabo. “A maior parte dos prédios mais recentes tinha isso. Os mais antigos não”, recorda.

O aparecimento da Sport TV fixou ainda mais gente, acrescenta. “Sabemos bem da importância do futebol nas pessoas. Não pode haver um estabelecimento da área da restauração sem futebol”, reconhece.

A TV Cabo ajudou, portanto, Jorge Barbosa a rentabilizar a pizzaria, aliada à dinâmica da construção civil que, na altura, se sentia nas Taipas, com os trabalhadores a receberem a cada semana e a consumirem bastante. “À nossa volta, era só gruas no ar. Essa construção arrastava muita gente, muitos trabalhadores, que recebiam semana a semana e gastavam muito dinheiro”, descreve.

No largo das Thermas, em pleno coração da vila, Manuel Silva recorda ter instalado TV Cabo na casa de pasto Fertuzinhos um ano depois da chegada do serviço. “Tivemos acesso a mais canais e pedidos dos clientes, que queriam ver futebol”, diz ao Reflexo o proprietário do restaurante

Num tempo em que praticamente “não havia Internet” e os telemóveis ainda “estavam a aparecer”, a TV Cabo abriu “muitas coisas boas” e foi “benéfica”, principalmente para a “restauração e para os cafés”. Responsável pelo estabelecimento desde 1984, Manuel Silva, ainda se lembra de ver os tubos para os cabos serem instalados no subsolo da Avenida da República. Aliás, o cuidado com as tubagens dos cabos é um dos aspetos que já vislumbrou nas obras que decorrem no coração das Taipas.

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