Uma manta de retalhos
São múltiplos os temas que me assaltam e nem sei por onde começar.
A final do Campeonato do Mundo, cujos rescaldos ainda se sentem, com o pedido insano de Messi e de não sei quantas mil assinaturas para que a final de repita. Creio que, mais uma vez, quererá ser lavado ao colo pela FIFA e levar com ele o galardão que, digam o que disserem, o Ronaldo merecia, para acabar a carreira em beleza. Agora rezo para que ele satisfaça o pedido do filho de se manter por mais quatro anos para poderem jogar lado a lado. Isso seria ouro sobre azul. Pai e filho a jogarem na mesma equipa. Nem que o Ronaldo jogasse apenas cinco minutos. Foi ele que encheu os estádios. Veja-se o descalabro com as vendas dos bilhetes, quando Portugal foi eliminado. E os nossos EUS que constituíam a equipa deviam ter vergonha do futebol que jogaram. Não jogaram por Portugal, jogaram contra o Ronaldo.
As novas modalidades do Facebook que andam a pôr toda a gente doida com a Met@ a meter-se em todo o lado, a castigar pessoas por dias proibindo-lhes o acesso às contas, porque pôr gostos é sinónimo de SPAM. Mas os números e os anúncios que oferecem milhões não são spam nem crime. Queixei-me de um anúncio pornográfico que ficava junto da minha história. Apenas me perguntaram a idade. Agora elimino, ponto final.
A falta de educação que grassa por aí. A mim já me mandaram escrever poesia que era para o que servia. Já nem respondo, que não vale a pena. Nas Redes Sociais, a propósito disto ou daquilo, as pessoas insultam-se do piorio, como se estivessem na rua. E nem se conhecem.
As incongruências da comunicação social, invadida por Fakenews, que nos põe à nora. Dou um exemplo: Salazar morreu rico ou não? Agora decidiram meter-se com quem está morto há tantos anos. Tudo em busca do sensacionalismo, do arrecadar mais gente para a leitura do que publicam.
O Planeta e os sismos, que continuam, mas a que ninguém liga coisíssima nenhuma. O país destruído foi a Venezuela. Coitados. Ficam lá longe. Mandámos ajuda humanitária e sacudimos a água do capote. Por acaso sabem que, ainda hoje, foi sentido um sismo em Faro? O carrossel da temperatura em que andamos, que tanto afeta os saudáveis como os que precisam de apoio psicológico, cada vez em maior número. A seguir a temperaturas superiores aos 40º vêm chuvas torrenciais e tornados.
Hoje vive-se o que é atual, depois se verá. Há uma indiferença completa sobre o amanhã. Li recentemente que os da Geração Z, de que vos falei no último número, não querem posições de chefia para não terem responsabilidades. Mudam de emprego como quem muda de camisa.
O caos dos exames nacionais pôs professores e pais malucos e, segundo li, ainda não está resolvido. Fazer exames de português em suporte eletrónico? Desculpem, mas é uma atitude idiota, para não usar um adjetivo mais forte. Quando se acabará com o sarilho das provas?
E lá estamos nós a bater com a cabeça no vidro, quais moscas tontas, porque teimamos em seguir na cauda da Europa. Quando os ditos países de vanguarda voltaram para os cadernos, para os manuais, nós teimamos em computorizar todas as salas de aula.
A proibição da utilização do telemóvel na escola. Uma medida muito acertada. Já foi legislada cá ou continuamos à espera de que a mosca nos caia na sopa?
A morte de Luís Represas, uma voz que nos deixou e muito engrandeceu Portugal, pegou-nos a todos de surpresa. Que esteja em paz. Ficamos com as suas músicas intemporais: «Feiticeira», «Ai Timor», «Perdidamente»…
E, falando de música, tinha de mencionar o Rock no Rio Febras, que ultrapassou todas as expectativas. Quem diria que o grande Rock in Rio, ao meter-se com o pequeno festival de uma freguesia de Guimarães, lhe daria a publicidade grátis que o transformou num sucesso? Creio ter lido que foi frequentado por 40000 «loucos» por rock. Até os CLÃ vieram de graça dar o seu apoio, quando souberam que era uma organização sem fins lucrativos. Revertia tudo para a freguesia de Briteiros. E já falam em fazer segundo palco para o ano.
E termino com as leituras obrigatórias, que tanta polémica levantaram.
Na minha última crónica deixava uma interrogação. Deve ou não ensinar-se Saramago no 12ºano? A minha resposta é NÃO. Da maneira que estava a ser ensinado, não. E quem fala do Saramago, fala do Camões ou de qualquer outro escritor. Ler uma obra não é ler «excertos».
Enquanto professora de português, não consegui ler Saramago até ao dia em que saiu «O Evangelho Segundo Jesus Cristo». A professora impunha-se à leitora e toda aquela falta de pontuação, de parágrafos arrepiavam-me. Esse foi o primeiro romance que despoletou a minha vontade de o ler pela polémica que levantou. Cabe ao professor entusiasmar os alunos para a leitura de uma obra. E quando foram eles que a não leram? Não estou a falar de cor. Sei o que digo. Li a vida romanceada de Cristo e não me senti ofendido, mas também não me ri às gargalhadas como uma jovem escritora da nossa praça disse. Ria às gargalhadas de quê?
Os alunos não têm maturidade para ler Saramago e, como não quero ser ofensiva, fico por aqui. Deem-lhes leituras de autores portugueses, colocados na prateleira e ao alcance da sua compreensão. Júlio Dinis, Eça de Queirós (sem ser com os Maias aos pedaços também), Miguel Torga, Sophia de Mello Breyner Andresen, bem mais atraentes para quem tem 14/15 anos.
Se Saramago não fosse Saramago, alguém perderia tempo a lê-lo? E recordo que começou a publicar com 60 anos. Até aí não lhe ligavam importância.
Eu continuo à espera de também ter direito a um lugar ao sol.
Boas reflexões e até à próxima crónica.
27 de maio de 2026
Maria Teresa portal Oliveira
(romancista, cronista, poetisa)