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Testamento Vital: um gesto de liberdade, dignidade e amor

Helena Araújo
Opinião \ quinta-feira, agosto 13, 2026
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Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o Testamento Vital não é apenas para quem está gravemente doente ou em idade avançada.

Falar sobre a doença, a incapacidade ou a morte continua a ser um tema que muitos preferem evitar. É compreensível. No entanto, planear o futuro não significa esperar pelo pior; significa cuidar de nós e daqueles que mais amamos.

Imagine que, devido a um acidente ou a uma doença grave, deixa de conseguir comunicar. Quem poderá explicar o que deseja? Que tratamentos aceitaria? Que cuidados não gostaria de receber? A resposta a estas perguntas pode ficar registada no Testamento Vital, um instrumento que permite fazer valer a nossa vontade mesmo quando já não a conseguimos expressar.

Em Portugal, o Testamento Vital, oficialmente designado por Diretiva Antecipada de Vontade (DAV), pode ser registado no RENTEV – Registo Nacional do Testamento Vital. Este registo permite que os profissionais de saúde conheçam as decisões previamente tomadas pelo cidadão, respeitando os seus valores, as suas convicções e a sua autonomia.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o Testamento Vital não é apenas para quem está gravemente doente ou em idade avançada. Qualquer adulto, maior de idade e capaz de decidir, pode fazê-lo. Afinal, ninguém está imune a um acidente ou a uma situação inesperada que impeça a comunicação.

Além de indicar os tratamentos que aceita ou recusa em determinadas circunstâncias, é possível nomear um Procurador de Cuidados de Saúde: alguém da sua confiança que poderá representar a sua vontade quando já não o puder fazer.

Este documento não retira responsabilidades aos profissionais de saúde nem substitui a relação de confiança entre médico, enfermeiro e doente. Pelo contrário, facilita decisões difíceis, evita dúvidas e reduz o sofrimento das famílias, que muitas vezes ficam sem saber o que o seu familiar desejaria. Vivemos numa sociedade que valoriza a autonomia e o direito à escolha. O Testamento Vital é uma expressão desses valores. É um ato de responsabilidade, mas também de generosidade para com aqueles que poderão, um dia, ter de tomar decisões em nosso nome.

Em Portugal, o processo é simples, gratuito e pode ser alterado ou revogado sempre que a pessoa assim o entender. O mais importante é que a decisão seja consciente, informada e partilhada com a família e com os profissionais de saúde.

Talvez nunca seja necessário recorrer ao Testamento Vital. E essa será, certamente, a melhor notícia. Mas saber que a nossa vontade ficará protegida, mesmo nas circunstâncias mais difíceis, traz-nos tranquilidade a nós e aos que nos rodeiam.

Porque viver com dignidade também passa por poder decidir. E porque o respeito pela vontade de cada pessoa deve permanecer, mesmo quando a sua voz já não consegue ser ouvida.

O Balcão RENTEV funciona no Gabinete do Cidadão do Hospital da Senhora da Oliveira, sito na Rua dos Cutileiros, Creixomil, 4835-044 Guimarães.

Email: gabcidadao.altoave@ulsaave.min-saude.pt

 

Helena Araújo

Assistente Técnica