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Pérolas do tempo

Teresa Portal
Opinião \ quinta-feira, março 12, 2026
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A todos os meus alunos, inclusive àqueles que me deram cabo da paciência, o meu muito obrigada.

Sendo o mês de março, o Mês da Mulher, só há a apontar dias negativos -Dia Nacional do Luto pelas vítimas de violência doméstica (nomeadamente no namoro, mais inaceitável ainda), Dia contra a Mutilação Genital (inacreditável em pleno século XXI) , o Dia do Transtorno Dissociativo da Mentalidade (os professores abundam), o Dia do Cancro das várias cores, o ditador argentino que acabou com uma série de regalias tão dificilmente conseguidas, os professores que continuam a ser abusados e menosprezados...esquecendo-se que estão na base de todas as profissões...

...decidi refletir sobre a minha atividade docente, já passaram quase nove anos que me aposentei e da qual tenho muitas saudades.

E tenho testemunhos de que deixei boas recordações.

E saiu prosa poética, muito mais agradável de se ler.

«Com a mente saturada pelo intenso labor, concede-se uns breves instantes de sossego, de devaneio. De olhos fechados, pensa nos alunos que ajudou a preparar, na garra e no empenho que dedicaram e no que a vida lhes reservará. De todo o coração, deseja-lhes benesses e alegrias, embora saiba que a vida traz de tudo.

No colo do quotidiano, pequenos desgostos moldaram a personalidade, dando cor a uma existência quiçá longa e produtiva. Crescera acarinhada e perfumada ou conflituosa, vivendo o seu inferno particular. O convívio com os outros poderá ter sido fácil ou extremamente difícil: do contato cordial ao diálogo alterado, houve sempre o conhecimento do semelhante, e com ele, experiências variadas — amigos, conhecidos, companheiros de viagens amenas ou tempestuosas.

Cansada, observa o tempo: tão rápido, tão fugaz, tão categórico na sua passagem, impondo um calendário exigente e moroso.

O contrato estabelecido com a vida esgota-se nos seus dias, mas a coroa de glória permanece: nos alunos, recordando pequenas pérolas indeléveis que cooperaram na construção dos seus percursos.

Uns souberam consolidá-los, fazendo escolhas acertadas e esforçando-se. Outros, em clara contraofensiva, abandonaram metas e objetivos, conduzindo o seu destino de forma pouco planejada. A personalidade constrói-se na escola, mas a vontade de trabalhar é outra história.

Convencida de que deu o seu melhor, olha para trás e lembra-se das vezes em que deu sermões, conselhos e expressou opiniões. Resta-lhe o consolo do dever cumprido e a alegria de conhecer o sucesso daqueles que ajudou a “moldar”.

A confusão nunca fez parte de sua bagagem. Sabia o que queria, como e quando, e assim habituou os jovens, caprichosos e obstinados, a regras e hábitos de trabalho. Conservou essa forma de atuar ao longo dos anos e, apesar da fadiga, confessa-se realizada.»

A todos os meus alunos, inclusive àqueles que me deram cabo da paciência, o meu muito obrigada.