O primeiro partido de que ouvi falar foi o PS
Disse, na última reunião de câmara, que a minha primeira memória da existência da palavra “política” vem de uma aula na escola básica da Pegada, onde estudei, pela mão da professora Ermelinda Oliveira. Foi ela quem entregou nas mãos de crianças de 7 anos bolas com o símbolo do PS para se divertirem no recreio. Foi também associado a este nome que ouvi, pela primeira vez, o nome CASFIG. Sem o valorizar na altura, pelo meu completo desligar da política, sei hoje que a professora foi também vereadora do PS na Câmara de Guimarães e foi condenada por abuso de poder na entrega de habitações sociais a pelo menos um militante do PS e a familiares do então presidente de Câmara. Uma condenação que não mudou, apesar dos recursos apresentados. Mais do que se provar os factos em si, provou-se que o sistema não era incorruptível e estava exposto a quem o liderava. E se estes são os exemplos que vêm de cima, como não esperar que casos haja de abusos e jogadas para a obtenção e, mais ainda, para manutenção das habitações sociais atribuídas?
O que denunciamos na segunda-feira, em reunião de câmara e, mais tarde nesse dia, na assembleia municipal, foi só o verbalizar de algo que corre na “praça”, que todos já ouvimos falar, mas que parece que praticamente todos ignoram. Habitações com tipologias inadequadas para o agregado a quem foi atribuída, normalmente por excesso, habitações que passam de avós para filhos e depois para netos, como se de uma herança se tratasse, habitações que passam grande parte do ano vazias, isto porque os “proprietários” emigraram e só as utilizam quando regressam a Guimarães. Desabafou comigo, por altura das autárquicas, uma vimaranense que espera habitação social, que ouviu dizer que uma família estaria a equacionar arrombar a porta de uma habitação social no “seu” prédio, a fim de a ocupar, pois têm a perfeita noção de que a mesma não é habitada. Logo após a reunião de câmara fui contactado por uma mãe, com uma filha de 4 anos, que espera resposta ao pedido de ajuda desde 2022. Uma família monoparental que teve que deixar a casa que habitava por não ter capacidade de pagar os 360€ de renda, quase tanto quanto recebe do part-time que conseguiu arranjar para obter algum rendimento. E outros há que pagam 90€ por apartamentos T2, recebem RSI, cabazes alimentares e mais uma panóplia de ajudas. Todos sabemos, todos conhecemos mas parece que, mais uma vez, todos encolhem os ombros. Ainda na preparação para a apresentação de listas para as autárquicas, nos vários périplos pelas juntas de freguesia de Guimarães, ouvi da boca de alguns funcionários a indignação pelas injustiças nos apoios dados a alguns e com tantos outros que verdadeiramente precisam a não receber nada.
Na habitação social e em todo o tipo de apoios, é necessário que sejam feitas auditorias e verificações constantes, monitorizações mensais das condições a quem foram atribuídos apoios e que não haja qualquer receio em os retirar a quem a eles não tiver direito.
Este meu alerta não é contra ninguém em concreto, é apenas um alerta para que haja justiça e transparência em algo que é tão importante como ter um tecto para viver, para criar uma família.