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O Marco ficou sem autocarro

Bruno Fernandes
Opinião \ sábado, fevereiro 06, 2021
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Já não bastava todo o atraso a que foram sujeitos os vimaranenses em matéria de transportes ao longo de 30 anos, ainda temos de levar com os atrasos sucessivos na implementação da nova concessão.

Volto ao tema dos transportes públicos pela sua relevância no dia-a-dia dos vimaranenses. O Marco, para chegar ao seu trabalho, utiliza os transportes públicos (TUG). Na segunda-feira passada, o autocarro de Belos Ares, das 7h, que habitualmente apanha, não apareceu.

Mais uma vez, com as alterações resultantes do calendário escolar, os cidadãos que vão trabalhar para as suas empresas são privados deste serviço essencial.

Esta é a questão de fundo. Guimarães, em pleno ano de 2021, ainda não dispõe de uma rede de transportes públicos eficaz e funcional, especialmente em momentos tão exigentes como o que estamos a viver. Três décadas de governação da mesma força política não foram suficientes para dotar um concelho que deve ser de futuro com algo tão básico e essencial como os transportes públicos.

Este atraso resulta, essencialmente, da visão sempre defendida pelo Partido Socialista que não devia o município assumir o custo social deste serviço. Um custo que teria contribuído para a coesão do território e acima de tudo para facilitar a vida aos cidadãos. A coesão territorial, por seu turno, é geradora de riqueza, portanto, aquilo que parece um custo, é na verdade um investimento.

Acresce o fator ambiental, com a redução do uso do automóvel, que resultaria de uma política de transportes públicos, que desse aos cidadãos uma alternativa credível. Estas políticas são a pedra de toque das soluções de mobilidade nas mais modernas cidades europeias. Aqui, a mobilidade foi sempre relegada para segundo plano.

Diga-se, em abono da verdade, que nos últimos anos a maioria que governa a autarquia fez uma aproximação ao que o PSD sempre defendeu. É necessário alterar este paradigma e a concessão dos transportes públicos colectivos deve ter na sua base o interesse do cidadão e não a rentabilidade da sua exploração.

A autarquia teve quatro anos para preparar um concurso que permitisse uma transição eficaz da actual concessão, que termina no final deste mês, para o novo modelo definido e colocado a concurso. Já não bastava todo o atraso a que foram sujeitos os vimaranenses em matéria de transportes ao longo de 30 anos, ainda temos de levar com os atrasos sucessivos na implementação da nova concessão.

Releva desta questão três notas finais: este atraso no concurso vai custar aos vimaranenses mais de 2 milhões e 700 mil euros…; espero mesmo ver em agosto os novos 25 autocarros eléctricos e a concessão anunciada a funcionar; até lá, o Marco vai ter de ter paciência!