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Imperativo de consciência

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Opinião \ terça-feira, fevereiro 16, 2021
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A vida e a obra do Sr. Pe. José das Neves Machado são um testemunho difícil de igualar, nesta nossa terra, dessa preocupação com o Bem-Comum!

Devo dizer, antes de mais, que tenho um grande e grave conflito de interesses ao escrever esta carta – fui colaborador e considero-me Amigo desde há muitos anos do Sr. Pe. José das Neves Machado.

Não foi sem alguma surpresa que, nos últimos dias, ao abrir a página online do Reflexo constatei que se havia demitido, depois de quase 30 anos, da liderança da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários das Taipas. Há cerca de 3 meses, na última vez que nos vimos, encontrei-o cheio de energia e de projetos por realizar (como sempre, aliás…).

Em todo o caso, os 84 anos e algumas maleitas naturais destas idades são motivos mais do que suficientes para entender que o seu contributo nesta posição chegou ao fim.

Por isso, foi com tristeza (e alguma revolta) que vi escritas, e presumo que sejam ditas, algumas coisas a seu respeito que põe em causa o seu Bom Nome. Por imperativo de consciência, senti-me na obrigação de escrever esta carta em sua defesa.

Na vida, especialmente quando ela é afortunadamente longa, todos cometemos os nossos erros. São especialmente visíveis e escrutináveis os erros daqueles que andam na vida pública desde sempre. No caso deste meu Amigo o início da sua vida pública remonta a 1959!

Ninguém há que olhe para o íntimo da sua consciência e a encontre imaculada. Todos nós, em algum momento das nossas vidas, gostaríamos de voltar atrás e tomar decisões ou atitudes diferentes daquelas que tomámos – é a vida! Em todo o caso, olhando para o percurso do Sr. Pe. Machado, encontro essencialmente motivos de regozijo pela obra realizada. Nos últimos 25 anos fui disso testemunha direta, nos anteriores, testemunha oral daquilo que ia ouvindo.

Sempre o encontrei preocupado com o Bem-Comum, envolvido em projetos de apoio aos mais desfavorecidos, em muitas ocasiões fazendo-o sem que ninguém disso soubesse. Isto para não falar da preocupação constante na formação de novas gerações imbuídas deste espírito – como professor, pároco e dirigente associativo.

Por tudo isto julgo que falo (‘escrevo’) em nome de incontáveis pessoas. Não se achincalhe ou vilipendie uma pessoa cuja preocupação central da sua vida foram os outros. A vila das Taipas (como a freguesia de Barco ou a diocese de Braga) muito têm a agradecer-lhe.

Os detalhes apenas são relevantes quando a tendência das nossas ações não é o zelo pelo Bem-Comum. A vida e a obra do Sr. Pe. José das Neves Machado são um testemunho difícil de igualar, nesta nossa terra, dessa preocupação com o Bem-Comum!

 

aos 15 de Fevereiro de 2021,

João Daniel Monteiro Silva