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Falsidade. mentira, bullying, basta!

Teresa Portal
Opinião \ quarta-feira, fevereiro 11, 2026
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Há coisas a que fecho a boca, mas quando a professora vem acima, sai aula. «Já me mandaram escrever poesia que era para o que eu servia». Pelo menos, leram o que escrevi ou ouviram dizer.

Ainda no rescaldo das eleições, resolvi sentar-me à mesa e, numa das raras vezes, escrever diretamente no teclado do computador.

Para encher horas televisivas e os nossos ouvidos, fartos de tanta chachada, vieram os famigerados comentadores políticos comparar o incomparável. Ia dizer uma palavra, muito utilizada como interjeição, que agora é proibitiva. Que raio! De dois males, o país escolheu o menor. Mostrou que ainda não está tão idiota como os americanos que elegem pela segunda vez aquele senhor que só diz asneiras e quer acabar com a ONU e com tudo. Ele o Putin têm tudo ajustado. Um grande país mundial com cidadãos de primeira, de segunda e de terceira. Prisões a livre arbítrio, execuções sumárias. Ainda festejamos há pouco o DIA DE APOIO ÀS VÍTIMAS DO HOLOCAUSTO e caminharíamos às cegas para um novo Holocausto

O que me irritou foi ver os emigrantes a votarem em massa (60% na França e 70% na Suíça) num senhor que quer acabar com eles. Até onde a estupidez chega!

A idiotice é uma doença que se pega, tal como os AVC inexplicáveis em jovens vigiados, diria quase diariamente. Veja-se o jogador do Vitória com 26 ou 27 anos que cai em pleno jogo. As vacinas do Covid não terão a ver com isso? A minha falta de gosto há três anos não terá aí a origem? É fácil dizer, aguente, para quem o comer se tornou um martírio.

Mas estou a fugir do assunto, como de costume.

Apetece-me ir a eito e, como o Luís Osório no seu «Postal do Dia», dizer palavrões à Taipense, porque no meu Porto não se dizem. Confundem o Porto com a Ribeira, a zona ribeirinha, onde ai se utilizam à fartazana.

Vou ficar-me pelo Porra! Basta de tanta falsidade! Mascarar verdades para quê?

Apresentar intencionalmente algo que não corresponde à verdade — seja através de informações manipuladas, documentos ou declarações enganosas deveria levar à prisão quem os faz, pois minam a confiança, prejudicam as relações sociais e podem ter consequências legais graves. Tanta mentira que se descobre com tanta facilidade, como a de que está a chover torrencialmente, num local onde nem chovia. Todos sabem a quem me refiro.

E o ainda presidente da república que me perdoe, mas li algures que quer regressar às aulas, quer lecionar (já somos dois, se não fosse a minha saúde), mas, meu caro presidente, nos Estados Unidos? Nunca vi povo tão formatado! E falo com conhecimento de causa. Fui lá uma vez e bastou. Tudo quanto vemos nas séries é mentira. Eles fazem filinhas ordenadas para tudo. Quem não cumpre? Os latinos: portugueses, espanhóis e italianos. E entrar num aeroporto, não arejado como os europeus, mas num túnel com a constituição americana escrita nas paredes? Para inglês ver...

Prefiro este país pequenino, que deu novos mundos ao mundo e ensinou aos maldizentes que, afinal, ainda não estamos tão mal que nos possam pisotear a torto e a direito.

Punhamos um ponto final.

A falsidade pode ter várias formas e uma delas é, bem à Taipense, a chamada «dor de corno», eu digo «dor de cotovelo», modernamente, BULLYING. A falsidade ganha a confiança da vítima para a expor ou ridicularizar. Mentiras e boatos são formas comuns de bullying psicológico. A exclusão social começa desta forma com atitudes falsas e manipuladoras. E tanto jovem a precisar de apoio psicológico!

O meu filho sofreu bullying psicológico, bem à frente do meu nariz e eu não dei por nada. É o tipo de bullying que mais abunda nas escolas: O verbal (insultos, humilhações, gozo constante) sempre existiu, apesar das regras duras dos liceus de antanho. O físico aparece, mais do que possa parecer, dando crédito às queixas das mães no telejornal de ontem (9 de fevereiro) - agressões corporais. O Cyberbullting, o ataque digital nas redes sociais (mensagens ofensivas, difamação online) apareceu com a Internet. Pelos vistos, no DIA DA INTERNET SEGURA, que passou quase despercebido, a 7 de fevereiro, os hackers estiveram bem ativos, a começar pela Meta que nos veio infernizar a vida e a mim me duplicou os perfis do Messenger e do Instagram.

E há outra falsidade que me irrita ainda mais. O Facebook procura a autoria dos posts, para verificar a sua autenticidade. E quando são plágios? O Facebook faz alguma coisa? Claro que não, e eu já fui parcialmente plagiada. Fiquei tão estúpida que nem soube/ sei como reagir. Espero talvez por algo mais grave, porque quem tem o meu feitio só se exalta nas últimas.

Lembro-me do caso de um aluno que entregou ao professor, que nunca corrigia nada, um trabalho para um concurso dos Jogos Florais, que EU realizava na escola para todos os níveis de ensino, e me veio parar diretamente às mãos. As «campainhas» começaram a tilintar. Podia perfeitamente ser o trabalho de um bom aluno do 9ºano, mas... Fui à secretaria ver as notas do aluno nos 1º e 2º períodos – um pobre 3. Não, aquele trabalho não era dele. Quase transcrevi o texto todo do aluno no google, mas veio a resposta. O mesmo trabalho. O trabalho não era dele. E aí estourei. O que eu fiz devia ter sido o professor a fazer. Aliás, nem precisava de o ter feito, porque saberia imediatamente que aquele trabalho não era do seu aluno.

Lá vai bomba.

E se vos dissesse que fui vítima de Bullying no meu ex-agrupamento, apesar de ser do Conselho Pedagógico 10 anos e subdiretora durante 25? Que atitude tão gentil dizerem: «Teresa, quando sai o teu jornal?» Pois é, nunca foi o nosso jornal, embora eu cobrisse todas as atividades da escola. E agradeço aos coordenadores de departamento que, nos últimos anos, se encarregavam da sua página. Quase não tenho fotografias desse tempo, porque estou sempre atrás da máquina. Por isso, quando me aposentei «obrigada», matei o jornal. Morremos os dois ao mesmo tempo; a professora e o jornal. Podia dizer outras coisas, mas fico-me por esta, bem esclarecedora.

Para ser subdiretora tive de fazer aos sábados, durante um ano, o Curso do INA (Instituto Nacional de Administração), em que tive uma cadeira que me ensinou a ver quem está a mentir através do olhar, das atitudes...? Agora não sei como é. Os diretores ainda têm de ter o Mestrado em Administração. Os outros não sei nem me interessa...

Tirem as vossas ilações.

Se voltar a ser plagiada...

Bullying já não sofro, porque estouro à primeira tentativa.

Hoje estou provocadora. Há coisas a que fecho a boca, mas quando a professora vem acima, sai aula. «Já me mandaram escrever poesia que era para o que eu servia». Pelo menos, leram o que escrevi ou ouviram dizer.

Como é que diz o ditado? «É melhor que falem mal de mim do que não falem». Isso significa que incomodei.

Cansei-me de ser transparente. Se eu morasse nas Taipas, outro galo cantaria. Mas estou condenada a ver este verde que já me satura como ao Torga; vinho verde, caldo verde, paisagem verde...

Deem-me o mar ou o Douro Vinhateiro. Cada vez puxo mais aos meus mentores; a Sophia de Mello Breyner Andresen e o mar e o Torga com a paisagem agreste e dura dos penhascos ou a do Douro Vinhateiro, a costela transmontana de São João da Pesqueira.

E, se alguém chegar até ao fim deste grande artigo de opinião, gostaria que apenas pusessem uma mãozinha ou uma cara feia. Tanto me faz como fez.

Pediram-me na apresentação da Coletânea de Poesia «O Espaço dos Versos», que ofereci nos meus 25 anos de Rotária ao Rotary, que escrevesse as Memórias da minha vida.

Ninguém acreditaria. E, como tenho memória de elefante, não caberiam num volume nem em meia dúzia.

Só quem me conhece e, infelizmente, só uma ou duas pessoas na vila me conhecem. Os outros só veem a professora (muitas vezes nem isso!) e muito poucos a «escritora».

Gente de cabeça dura, não? Com onze livros publicados, que atravessam todas as faixas etárias e dois à bica, a escritora não existe.

Bem, fiquemo-nos pela professora que serei toda a vida.

Não estranhem, pois, as minhas aulas. Estão a dar-me toda a liberdade para as dar.

 

Maria Teresa Portal Oliveira