Ditadura, não. Já bastou uma
Caros leitores, com o 25 de abril a fazer 52 anos, começo a estar preocupada com o estado calamitoso da nação (onde já ouvi isto?).
A fantochada das eleições presidenciais, perdoem-me o termo, mas estão a ser cada vez mais isso mesmo, uma fantochada, atingiu o cume do razoável.
A maioria dos candidatos não se «enxerga», não sabe tratar da sua própria vida, quanto mais da vida de uma nação que deu e dá exemplos ao mundo.
Sabem o que é preciso para se ser candidato a presidente da república. Muito pouco.
Para ser eleito Presidente da República em Portugal, o candidato deve ser cidadão português de origem, ter pelo menos 35 anos, estar no pleno gozo dos direitos civis e políticos, e conseguir entre 7.500 e 15.000 assinaturas de eleitores (subscrições) para formalizar a candidatura perante o Tribunal Constitucional.
Quando fui votar em janeiro, fiquei estúpida com a quantidade de candidatos, muitos dos quais nunca tinha visto.
E lembro-me de ver um "palhaço", esse sim, um autêntico "palhaço de circo" vestido com uma pseudo-armadura a falar não sei com quem. Onde teria ele recolhido as 7500 assinaturas? Não em portugueses que o sejam verdadeiramente. Possivelmente em indivíduos que gozam com o país e com o mais alto cargo da nação.
Eu vivi o 25 de abril na primeira pessoa. Vou a caminho dos 71. Quantos o terão feito? Muito poucos. Muitos lembrar-se-ão de algumas coisas, outros estarão com Alzheimer ou internados em lares.
E estamos a mando de uma juventude caprichosa, mal educada (já fui muitas vezes insultada, a maior parte das vezes sem saber porquê) que acha piada votar numa pessoa, que nem o partido sabe chefiar, para presidir a nação.
Meus caros, exercer a minha obrigação de voto, tem sido cada vez mais difícil, porque a política me desencantou. Não foi A nem B, foram todos. A política agora é a de «encher os bolsos» e «conseguir tachos», sejam de que partido forem (perdoem-me os que são direitos, que se devem contar pelos dedos das mãos).
Não vou indicar os podres de ninguém. Não os sei e, mesmo que os soubesse, não os apontaria, como fizeram esses senhores nos discursos perante uma nação inteira. Resultado? O inesperado.
Temos os emigrantes em peso a votar num partido que nem isso é. Num bando de desenformados que nem falar sabem.
Todos sabem que fui professora de português quase toda a minha vida. Pois, deixei de ouvir as discussões, porque os erros a falar eram tantos, como eu nunca tinha «OUVISTO».
Aproximam-se as eleições de domingo e eu, que votei desde a primeira hora, estou em pânico.
A gente jovem, que nunca estudou Organização Política da Nação, como se estudava no meu tempo, que equivale hoje ao 10º e 11º anos, ignora o papel do presidente da república.
É uma das grandes falhas do nosso Sistema Educativo.
Qual é o papel do presidente da República?
Diz a constituição que: «O Presidente da República em Portugal é o Chefe de Estado, eleito por sufrágio universal para um mandato de 5 anos, com funções de representação, garantia da unidade do Estado, da independência nacional e do funcionamento das instituições democráticas. Como Comandante Supremo das Forças Armadas, nomeia o Governo, veta leis e pode dissolver o Parlamento.»
Que quer tudo isto dizer?
No domingo não vamos votar em partidos, vamos votar em homens, um da extrema direita e o outro conectado com a esquerda.
Sabem quem esteve na Presidência da República desde 1974?
António de Spínola (1974): Primeiro presidente após o 25 de Abril, assumiu de 15 de maio a 30 de setembro de 1974.
Francisco da Costa Gomes (1974–1976): Assumiu após a saída de Spínola, liderando durante o período conturbado pós-25 de novembro. Afeto ao Partido Comunista.
António Ramalho Eanes (1976–1986): Primeiro presidente eleito por sufrágio universal em democracia. Criou o Partido Renovador Democrático (PRD), que surgiu oficialmente em 1985 para concorrer às eleições legislativas desse ano, com a ideia de formação a desenhar-se a partir de 1982. O partido visava apoiar Eanes após o fim do seu mandato presidencial em 1986. Foi durante a presidência de Eanes que o PPD/PSD ganhou maioritariamente o governo, sendo Sá Carneiro assassinado no acidente, em Camarate, em 4 de dezembro de 1980.
Mário Soares (1986–1996): Partido socialista, foi presidente do governo de 76 a 78 e depois de 83 a 85. Primeiro presidente civil após décadas de governos militares. Dois mandatos presidenciais.
Jorge Sampaio (1996–2006): Foi presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Exerceu dois mandatos consecutivos.
Aníbal Cavaco Silva (2006–2016): Foi líder do PPD/PSD e primeiro Ministro de Portugal de 1985 a 1995 (o que mais tempo esteve na presidência de um governo em Portugal). Foi o primeiro presidente de centro-direita da democracia. Dois mandatos.
Marcelo Rebelo de Sousa (2016–Presente): No Governo de Francisco Balsemão, foi ministro dos Assuntos Parlamentares e inicialmente secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros. É um dos fundadores do Partido Social Democrata (PSD), que liderou durante três anos (1996 a 1999). Esteve na vice-Presidência do Partido Popular Europeu e foi Membro do Conselho de Estado. Tomou posse a 9 de março de 2016, reeleito em 2021.É o atual presidente da República.
Jovens e menos jovens, no domingo não vamos brincar.
Não foi por acaso que ontem postei a bandeira da Monarquia Portuguesa de luto, porque foi a 1 de fevereiro de 1908 que o Rei D. Carlos I e o Príncipe Herdeiro D. Luís Filipe foram barbaramente assassinados, porque o rei se recusou a ir num carro blindado.
E aqui vai a bomba.
Se o PPM (Partido Popular Monárquico ) renascer, sou a primeira a votar nele. Deixa de haver "palhaços" à concorrência da Presidência, porque um rei é treinado para reinar. Um rei não tem vida própria. É treinado para representar bem a sua nação. O discurso de D. Duarte Pio, que representa Portugal, em muitas mais situações do que as que possam crer, assim o aponta. Um discurso moderado de quem, não tendo a visão de vir a ser rei, foi treinado para o ser. Vejam a vizinha Espanha. Andam todos à turra e à massa com aquele governo socialista, mas quem representa o país é o rei D Filipe. Vejam as monarquias do Norte da Europa. Há problemas por lá? Não sabemos, porque são monarquias e têm leis para deputados e ministros que ninguém quer, porque não há tachos nem carros com choferes nem casas de luxo e mais não digo.
Meus amigos, vamos votar, mas com cabeça.
Estudem a Constituição Portuguesa!
Maria Teresa Portal Oliveira