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Diário de bordo

Teresa Portal
Opinião \ quinta-feira, novembro 25, 2021
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Fazer um DIÁRIO DE BORDO encanta-me porque me leva num misto de fantasia e realidade, numa zona brumosa em que os navegantes partiam à aventura...

Dei com este começo de narrativa ou de crónica nas primeiras folhitas de um bloquinho guardado na gaveta dos escritos. Tem exatamente 13 anos. A esperança é a última a morrer e nunca consegui o pretendido.

“Fazer um DIÁRIO DE BORDO encanta-me porque me leva num misto de fantasia e realidade, numa zona brumosa em que os navegantes partiam à aventura, quer enfrentando os perigos dos oceanos desconhecidos quer enfrentando os próprios medos, os mais difíceis de fazer face ao longo da vida. Pretendo assim embarcar na Nau da Aventura e levar os ingredientes certos (imaginação, criatividade, faz-de-conta, magia, fantasia) que encantem a marujada e a levem a adquirir os conhecimentos, as competências e capacidades próprias de marinheiros proficientes. Imprescindíveis dois outros elementos- a vontade e o entusiasmo da equipa para embarcar nesta aventura. E nestes cinco anos que se pretende venha a durar a viagem que muitas descobertas se façam, novos conhecimentos se adquiram, muitos adamastores se vençam… de modo a desenvolver as três facetas: o saber, o saber fazer e o saber estar.

Julho 2008:

A indecisão da viagem é grande. Em companhia de quem a encetar? Iniciar o caminho com marujos de velhas águas ou partir com quem inicia um novo começo mudando de escola, mudando de nau? A ansiedade foi grande até a decisão ser tomada.

Regressar aos pequenos e com eles percorrer o percurso de cinco anos foi um desafio demasiado sugestivo para lhe poder resistir. Lecionar a mesma turma durante cinco anos, ao longo de dois ciclos de escolaridade. A vontade de concretizar a experiência sobrepõe-se a tudo. O regresso às origens…

Feitura dos diários:

Ainda não é desta que consigo realizar o meu sonho. Se der Português ou Inglês no 2º ciclo, envio um dos colegas para fora da escola e para a indecisão da colocação. Regresso ao 3º ciclo…”

E nunca consegui concretizar esse sonho, porque era a tapa-buracos, se se pode dizer assim. As turmas que sobravam eram sempre do 3º ciclo em que quase não havia quadro de escola. Os professores do 2º ciclo, que haviam estado na origem da EB23, é que tinham quadro de escola, ou seja, não podiam ser deslocados, na altura. E, como os tempos começaram a ser difíceis para se arranjar emprego, eu estive sempre deslocada do meu 3º grupo (220) e, durante 29 anos, lecionei o 3º ciclo. Regressei às origens do 9ºgrupo (Inglês, Alemão e Português), o meu verdadeiro grupo, sem ter o Alemão que me fez escolher as Germânicas.

Como vai longe essa caminhada, e com os tropeções que a vida nos faz dar e com as voltas e reviravoltas de que é mestre, dei comigo reformada sem ser no tempo devido.

Não esmoreci. Passei as passas do Algarve, travei uma dura batalha (que ainda travo e vou travar toda a vida) mas concretizei o outro sonho: ser escritora e andar pelas escolas a contar as minhas histórias que se ficavam pelo Pequeno Jornalista, o Jornal Escolar, que o criei e lhe dei um fim, desaparecendo comigo.

Não sei se foram felizes para sempre, a professora e a escritora, mas pelo menos fazem por isso e nunca deixam de batalhar.

Falta mencionar a mulher que cumpriu o seu sonho desde menina, em que contava histórias às bonecas e se zangava com elas como filhas a fingir que eram.

Concretizei o meu maior sonho - SER MÃE. E fui duas vezes, em alturas tão diferentes da minha vida; por isso, um tem 39 e o outro 28. E vou ser avó e tia-avó no mesmo ano.

O ciclo da vida continua a girar e a períodos de grande tempestade, seguem-se períodos de bonança e de paz.

A minha vida dava um romance. Sei lá, qualquer dia transponho-a para o papel. Não virei escritora?

A propósito, já compraram o meu livro- BRUXAS BRUXINHAS? Aproveitem, vem aí o Natal e é uma prenda bem baratinha. Vão ao Wook ou à loja online da Trinta-por-uma-linha.

E como não sei se volto a escrever antes do Natal, desejo-vos a todos umas Festas Felizes e que a doença maldita embarque numa nau que a leve para os confins do mundo, para uma terra desconhecida que ainda não tenha sido descoberta pelos portugueses.