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Capital Verde (IV): mobilidade

José Cunha
Opinião \ quinta-feira, setembro 17, 2020
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Numa atitude que não me parece inocente e não honra a cidade, o PMUS é apresentado na candidatura (set/2017) como se já existisse, quando apenas foi colocado em discussão pública em dezembro de 2018.

Ao percorrer os conteúdos da comunicação social vimaranense, ainda sem tema definido para este artigo, deparei com um conjunto relevante de notícias com um denominador comum: mobilidade. São notícias de rotundas em execução, em fase de lançamento a concurso e em fase de estudo; notícias de estradas e ligações a campos de futebol; notícias do serviço de transportes públicos; e notícias da criação de Zonas 30. E vai daí, decidi analisar o indicador “mobilidade” na série de textos sobre o formulário da candidatura de Guimarães ao galardão de Capital Verde Europeia (CVE), acrescentando algumas considerações mais atuais.

No documento submetido à Comissão Europeia são apresentados números dos censos de 2011 e do estudo feito no âmbito do quadrilátero urbano, mas é também feita referência a planos que não estão acessíveis aos cidadãos. É disso exemplo um mapa que apresenta uma enorme rede urbana de linhas cicláveis previstas para 2018, mas eis que chegados a 2020, ainda nada está feito e ninguém sabe do documento onde estariam previstas.

Numa atitude que não me parece inocente e não honra a cidade, o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS) é apresentado na candidatura (set/2017) como se já existisse, quando este apenas foi colocado em discussão pública um ano mais tarde (dez/2018). Acrescento a este propósito que, considerando o tempo decorrido desde a discussão pública, solicitei informações ao Município sobre o relatório das ponderações, e sobre a submissão do PMUS a reunião do executivo e posterior envio à Assembleia Municipal. Apesar de o ter feito há mais de meio ano e de já ter insistido no pedido, ainda não obtive qualquer resposta.

Enganado pela informação prestada, o perito que analisou este indicador reconhece que Guimarães tem um PMUS com boas metas e que a cidade está comprometida com o plano, mas refere que “teria sido bom saber como os cidadãos foram envolvidos na sua elaboração”. O que teria sido bom é que ele soubesse que os cidadãos não foram tidos nem achados até aquela data, pois talvez assim o Município ganhasse vergonha na cara.

A verdade é que o descaramento é tanto que os responsáveis por este indicador, reconhecem na candidatura que “pouco será realizado sem o envolvimento total dos cidadãos. É necessária uma visão e estratégia global e não medidas pontuais”, levando quem lê a crer que é isso que se faz em Guimarães. No entanto eles estão bem cientes de que não foi nada disso que se passou com o PMUS.

Esta prática de decidir nos gabinetes e deixar os cidadãos na ignorância ainda se mantém, pois como recentemente foi noticiado, a Câmara Municipal de Guimarães pretende construir várias zonas 30 no segundo trimestre de 2021, mas, e apesar dos estudos datarem de 2016, não houve até hoje qualquer envolvimento dos cidadãos no processo.

Como creio ser bem evidente, também neste indicador o discurso e a imagem projetada não passa de “ficção mais do que verde de uma realidade pouco mais que cinzenta”, e neste caso, cinzenta de asfalto.