Caldas das Taipas tem de cumprir o seu potencial
Durante décadas, Caldas das Taipas construiu uma identidade que ultrapassa os limites da sua freguesia. A tradição industrial da cutelaria, as termas, o comércio, o rio ave, todo o seu património natural, a irreverência das suas associações e a dinâmica da sua comunidade deram-lhe um lugar próprio no desenvolvimento do concelho de Guimarães.
Mas a importância de um território não se mede apenas pela sua história. Mede-se também pela capacidade de evoluir, de criar oportunidades, de atrair pessoas e investimento e de transformar as suas vantagens em melhores condições de vida.
Importa por isso colocar uma pergunta que para muitos pode parecer incómoda: continua as Taipas a ocupar o lugar que a sua dimensão, a sua centralidade e o seu potencial justificam no concelho de Guimarães?
A pergunta não nasce de um sentimento de perda, nem de uma disputa com outras vilas e freguesias. Nasce da convicção de que as Taipas possui condições para ambicionar mais.
Dispõe de serviços, ligações, capacidade de atração e uma articulação territorial que lhe confere um papel relevante no norte de Guimarães. A qualidade de vida é reforçada por ativos que a população conhece, valoriza e utiliza diariamente, da mesma forma que tem engulhos que causam dificuldades a todos os que cá vivem ou que por cá passam.
Entendo que o desafio passa por preservar esse conhecimento, modernizar a atividade, incentivar a inovação e continuar a valorizar o comércio tradicional, potenciando novas oportunidades, acompanhando a evolução dos hábitos de consumo e reforçando a vitalidade da vila e dando respostas certeiras e atempadas às dificuldades sentidas no dia a dia.
O problema não está, portanto, na falta de identidade, de recursos ou de centralidade. Está em saber se existe uma aposta suficientemente consistente por parte de todas as partes governativas para valorizar tudo aquilo que as Taipas hoje representam.
Existem necessidades identificadas pela Junta de Freguesia que exigem continuidade, definição de prioridades e concretização. O desenvolvimento não se esgota na identificação de problemas nem na apresentação de projetos: depende da capacidade de, em cada grau de responsabilidade e mediante os recursos disponíveis, transformar os projetos em respostas efetivas para a população.
O Município de Guimarães tem a oportunidade de olhar para as Taipas não apenas como mais uma vila do concelho, mas como um polo territorial com capacidade para contribuir para a competitividade económica, a coesão territorial e a qualidade de vida do município.
A ambição deve ser maior do que preservar o que existe. Deve passar por afirmar as Taipas como uma referência de qualidade de vida, dinamismo económico e capacidade de atrair pessoas e novas oportunidades.
Talvez a pergunta mais importante não seja se as Taipas está à altura do seu potencial. Talvez seja outra: estará o concelho a fazer tudo o que pode para que as Taipas se torne uma das suas maiores referências de futuro?
Porque uma vila com esta identidade, esta centralidade e estes recursos não deve viver apenas do reconhecimento do seu passado. Deve ter condições para construir, com ambição e investimento, o lugar que merece no futuro.