Bem-vindos, emigrantes!
Nasci na Alemanha, filha de emigrantes portugueses. Talvez por isso nunca tenha conseguido olhar para a emigração como uma realidade distante ou apenas como um fenómeno estatístico. Para mim, a emigração tem rosto, tem voz, tem nome e tem família.
Regressei a Portugal aos doze anos, à terra dos meus pais. Mas continuo, de certa forma, a viver entre dois mundos. Tenho um irmão, uma cunhada e os meus sobrinhos na Alemanha. Percebo, por isso, os dois lados da emigração: o de quem viveu longe da sua terra e o de quem fica à espera do regresso daqueles que ama. Conheço a alegria dos reencontros, mas também o peso das despedidas.
Cresci a perceber que partir nunca é apenas mudar de país. É aprender a viver com a saudade. É celebrar momentos felizes através de uma chamada de vídeo. É assistir ao crescimento dos sobrinhos à distância. É perder aniversários, festas da terra e, por vezes, até os últimos abraços daqueles que mais amamos. Quem nunca viveu esta realidade dificilmente compreenderá o peso que ela transporta.
Talvez seja por isso que o verão tenha um significado tão especial. Para um emigrante, regressar a Portugal nunca é apenas gozar férias. É voltar às raízes. É reencontrar os cheiros, os amigos de sempre e a mesa onde a família finalmente se reúne. É voltar a sentir-se plenamente em casa.
Há um instante muito particular que só um emigrante conhece: o momento em que atravessa a fronteira ou aterra em Portugal e percebe que a saudade começa finalmente a dar lugar ao abraço. Não é um instante que se explique. É um instante que se sente.
Nesta altura do ano, Guimarães transforma-se. As ruas enchem-se de vida, os cafés recuperam o bulício, as festas populares ganham outro brilho e as freguesias reencontram uma parte importante da sua alma. Há reencontros esperados durante um ano inteiro, avós que contam os dias para abraçar os netos e crianças que descobrem a terra dos pais e dos avós como um lugar mágico.
Este ano, Guimarães veste-se de um orgulho acrescido ao celebrar o título de Capital Verde Europeia 2026, mais um motivo para receber quem regressa à sua terra.
Vivemos tempos em que, demasiadas vezes, medimos tudo por números. Quantos emigraram. Quanto enviam para Portugal. Quanto investem. Mas os emigrantes são muito mais do que números.
São histórias de coragem e vidas construídas com sacrifício. São homens e mulheres que recomeçaram do zero para oferecer um futuro melhor aos seus filhos, sem nunca esquecerem a língua, as tradições e o orgulho de serem portugueses.
É essa ligação que torna o vosso regresso tão especial. Porque quando regressam, não trazem apenas malas. Trazem histórias, experiências, afetos e esperança. Enchem as ruas de alegria, fortalecem o comércio local, dão vida às nossas festas e recordam-nos que uma comunidade é sempre mais rica quando reencontra aqueles que nunca deixaram de lhe pertencer.
Enquanto vimaranense, sinto um orgulho muito especial por ver o nosso concelho voltar a encher-se de vozes vindas de tantos países. Guimarães recebe-vos com hospitalidade, respeito e o orgulho de saber que, onde quer que estejam, continuam a ser embaixadores da nossa terra e de Portugal.
A todos vós deixo uma palavra que nasce da minha própria história: obrigada. Obrigada por nunca terem desistido das vossas raízes. Obrigada por continuarem a ensinar aos vossos filhos e netos que Portugal não é apenas um país, mas uma identidade, uma memória e um sentimento que atravessa gerações.
Aproveitem cada minuto deste regresso. Abracem sem pressa. Sentem-se mais um pouco à mesa. Caminhem pelas ruas onde cresceram. Levem os mais novos a conhecer a terra dos seus avós. Criem memórias que vos acompanhem quando chegar o momento de partir novamente.
Porque há viagens que terminam. Mas o caminho para casa nunca acaba.
Bem-vindos a casa.