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Guimarães é uma paixão! Faça compras na nossa terra

José da Silva Mendes
Opinião \ sexta-feira, junho 23, 2023
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Em 2023, Guimarães de primeiro concelho do distrito, passou para o 3.º lugar, muito devido a uma classe política adormecida e sem visão para os grandes projetos do nosso concelho.

Este é um anúncio que habitualmente se ouve numa das Rádios locais.

Porém, devido às dificuldades no acesso à nossa cidade, quer pelos lados de Lordelo, Moreira de Cónegos e Nespereira, quer pelos lados de Fermentões, S. João de Ponte e Caldas das Taipas, na prática, os comerciantes da cidade vivem somente com os clientes aqui residentes e das Freguesias da periferia. Já em relação ao resto do território, verifica-se um virar de costas à sua cidade, muito devido às dificuldades da péssima rede viária que temos e que a classe política vimaranense teima em não querer ver.

Também não entendemos que num passado recente se tenham criado sete vilas e se tenha ignorado a rede viária para unir o concelho. Este é um problema que não se resolve com a construção das ciclovias.

Uma cintura exterior à cidade, era o projeto que o antigo presidente da Câmara, Dr. Bernardino Abreu, estava a desenhar para o nosso território, com as ligações aos diversos polos populacionais do concelho.

Com os atuais acessos que temos, escusado será dizer que Guimarães tem vindo a definhar comparativamente em relação aos concelhos vizinhos. Uma vez mais será bom lembrar o que nos diz a INRIX, organização Norte-americana que estudas as condições de trânsito em diferentes cidades do mundo mostrando que Guimarães é uma cidade engarrafada, impedindo o seu crescimento com a falta de espaços para a construção de habitação e até mesmo espaços para a grande indústria.

No ano de 1976, passados que estão já cerca de 47 anos, Guimarães por aquela altura tinha 121.145 habitantes, Braga com 96.220 habitantes e V. N. de Famalicão com apenas 88.375 habitantes.

Em 2023, Guimarães de primeiro concelho do distrito, passou para o 39 lugar, muito devido a uma classe política adormecida e sem visão para os grandes projetos do nosso concelho.

A par do marasmo que temos vindo a registar em relação à classe política que temos, em 11 de Dezembro de 2019, um dos jornais locais dizia-nos o seguinte: - Governo e autarquia unirão esforços para que Guimarães tenha uma loja do cidadão. Quatro anos estão já passados e onde está a tão apregoada loja do cidadão?

E para quando a construção do Tribunal das Varas?

E a construção da Escola Hotel, para quando? E a residência universitária ali para as bandas de Santa Luzia? Acaso será que Guimarães pode evoluir com esta dinâmica de caracol?

Ainda em relação aos acessos à cidade, em 3 de Maio de 2003, Carlos Guimarães, então autarca de Lordelo, dizia-nos: - Os lordelenses não se podem servir do Hospital de Guimarães, "elegem Santo Tirso" em desfavor da própria cidade a que pertencem.

Também no Jornal de Notícias de Junho de 2003, um inquérito a estudantes do 12º ano da Vila de Caldas das Taipas, revela claras preferências por Braga em detrimento da Sede do Concelho (Guimarães), por falta de uma ligação rápida à cidade e estacionamento.

O atual Presidente da Câmara Municipal, Dr. Domingos Bragança, em 22 de Setembro de 2021, dizia-nos: "orgulho vimaranense tem de ser sentido em todo o concelho". De facto, de boas palavras e intenções está o mundo cheio.

Guimarães precisa, com urgência, que as obras anunciadas tenham expressão prática e o mais rápido possível. É este o nosso apelo ao executivo Camarário e até mesmo à oposição, tão acomodada que tem estado.

Por altura do Euro 2004, a Câmara Municipal colocou dois grandes painéis publicitários, um deles em Azurém e um outro na Rua Souto de Minotes - Fermentões, anunciando a abertura de uma estrada. Depois de terem sido pagos os respetivos terrenos, 19 anos depois, a estrada não só não foi feita como nem sequer foram recuperados os dinheiros públicos que ali foram investidos.

A projetada estrada previa fazer a ligação com a rua de Melgueira e para isso foi adquirida uma faixa de terreno do prédio situado junto à curva da referida rua. Como aquele prédio mudou de dono, a casa entrou em obras e o muro restaurado, sem ter recuado, uma vez que parte daquele terreno passou a ser público.

Naquele mesmo local, no início da rua de Minotes, existe ali uma faixa de terreno com dois portões, por onde a rua deveria passar. Esse terreno está na posse de dois particulares, um deles até plantou ali árvores de fruto. Aquele terreno, uma vez que é publico, pode ser vendido, já que ali permite a construção de uma habitação.

19 anos depois, a Câmara Municipal não pode continuar no silêncio sem que sejam recuperados os investimentos públicos - dinheiro de todos nós.