A ficção científica ainda pode significar muita coisa
O filme é capaz de suportar uma trama com sentido de perigo e globalidade, de forma a não afetar certos momentos de simplicidade que também são necessários.
A montagem do filme ajuda inventivamente a narrativa, intercalando o presente com o passado do cientista. Este modelo consegue prender a nossa atenção aos dilemas e às suas devidas resoluções, mas acaba por se tornar um pouco repetitivo.
A fotografia de planos abertos e coloridos na exploração no espaço em dualidade com os planos fechados e nublados do planeta Terra conseguem demonstrar de forma brilhante a mensagem e os sentimentos das personagens.
O elenco, apesar de limitado, contém todas as personagens e dinâmicas necessárias. A amizade inesperada e espontânea de um cientista com um pedra é capaz de comover e fazer-nos acreditar profundamente nesta relação.

Ryan Gosling é perfeito para o papel, carregando o filme muitas vezes sozinho. Toda a sua comédia, em termos de fisicalidade, simplicidade e timing é muito bem acompanhada pelo dramatismo e emoção que são representadas pela solidão e sensação de falta de esperança.
Apesar disso, o filme acaba por se demontrar constantemente otimista e seguro em relação às suas decisões e acontecimentos. Não que isso seja mau, mas acaba por retirar alguma sensação de urgência e perigo em momentos decisivos. O humor ocupa uma parte significativa da trama, e penso que não é feito de forma correta, pois aparece repetitivamente e desnecessariamente, em cenas onde não encaixa e não é pedido.
O filme acaba por se tornar longo, dando estranhas sensações de diferentes e sequenciadas conclusões, que parecem que se anulam umas às outras, ficando assim sem o sentido de fechamento da trama.
Um fenómeno visual irreverente que vai perdendo o brilho do seu sol.