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A Capital Verde tem nome: Guimarães

Daniela Caldas
Opinião \ quinta-feira, janeiro 22, 2026
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Somos Capital Verde. Todos contribuímos. Mas há projetos que avançam porque alguém nunca desistiu de acreditar. Domingos Bragança manteve vivo esse sonho.

Janeiro de 2026 marcou o início da Capital Verde Europeia, refletindo o orgulho vimaranense e um percurso construído com trabalho, compromisso ambiental e um forte sentido de comunidade.

Acompanhei a cerimónia de abertura da Capital Verde Europeia, realizada a 9 de janeiro de 2026, no Multiusos de Guimarães, à distância. Isso não diminuiu o sentimento dominante desse dia: um profundo orgulho em Guimarães, assente no caminho percorrido, nas pessoas e na forma como o concelho se apresentou à Europa como território que cuida do ambiente e pensa o futuro com responsabilidade. Pela sua qualidade e relevância, esta cerimónia era digna de mais destaque, permitindo que o país e as comunidades portuguesas no estrangeiro acompanhassem este momento.

Foi um momento marcante, vivido com emoção e sentido de pertença. Esse orgulho veio, contudo, acompanhado por uma nota de reflexão institucional. Uma distinção desta dimensão merecia a presença do Presidente da República ou do Primeiro-Ministro. Não por protocolo, mas pelo significado político e simbólico do momento. Quando uma cidade portuguesa se afirma como referência europeia em sustentabilidade, está também a representar o país. Registo, com apreço, a presença da Ministra do Ambiente, mas é justo dizer que Guimarães merecia um reconhecimento institucional mais forte e visível.

Houve, ainda assim, sinais positivos. No discurso do atual presidente da Câmara Municipal, Ricardo Araújo, foram feitas referências ao trabalho do anterior presidente, Domingos Bragança, num gesto de justiça e respeito institucional que honra o espírito vimaranense.

Esta distinção não nasceu de um dia. Resulta de um caminho longo, feito de persistência, aprendizagem e envolvimento coletivo. O trabalho da equipa técnica do Município de Guimarães foi central na estruturação e acompanhamento da candidatura, em articulação com decisores e com o território.

Construiu-se também nas freguesias e vilas, nas escolas, nas associações, nas Brigadas Verdes e na mudança de hábitos. E há um contributo que não pode ser esquecido: o papel decisivo da Vitrus Ambiente, na limpeza urbana, na gestão de resíduos, na promoção da economia circular e na proximidade às comunidades — aspetos centrais para o reconhecimento europeu alcançado.

O Laboratório da Paisagem trouxe ciência, planeamento e credibilidade técnica, ligando conhecimento e ação concreta.

Ser Capital Verde Europeia não é apenas um título. É um compromisso contínuo com a ação climática, a proteção da biodiversidade, a mobilidade sustentável, a gestão responsável dos recursos e a educação ambiental.

Somos Capital Verde. Todos contribuímos. Mas há projetos que avançam porque alguém nunca desistiu de acreditar. Domingos Bragança manteve vivo esse sonho. Quando o sonho é acompanhado por trabalho e compromisso coletivo, torna-se realidade.

Guimarães mostrou que sabe honrar o passado, agir no presente e pensar o futuro. E isso é, inequivocamente, motivo de orgulho.