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Uma "arqueologia do futuro" no Museu da Cultura Castreja

Pedro C. Esteves
Cultura \ quinta-feira, agosto 11, 2022
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O artista Fernando Pinheiro passou dias a cartografar, criar e pensar a "verticalidade". O trabalho está patente no Museu da Cultura Castreja numa instalação que pode ser visitada até 15 de agosto.

Fernando Pinheiro “colou” uma história antiga que marinava há muito na cabeça à residência artística no Museu da Cultura Castreja. Imaginava um caixeiro-viajante numa planície alentejana, que invariavelmente se detia frente a uma árvore e logo pensava: “Um dia quero desenhá-la”. Nunca conseguia. Faltava-lhe tempo – o “sistema dá-nos pouco dele”, mas um dia consegue-o, arranja tempo. E logo o artista plástico faz um paralelismo para o que encontrou em Briteiros. “Imagine-se esse tal personagem, mas em vez de se deparar com árvore, vê a Citânia. E um dia consegue entrar na Citânia. O que é que haverá atrás daquela porta?”.

Com um percurso marcado pela viagem como criação artística, o trabalho do artista que mora atualmente no Algarve tem-se desdobrado em várias exposições individuais e coletivas. Naquele jardim do museu sito na casa agrícola de Solar da Ponte, começou a cartografar o espaço, quase como se de um sítio arqueológico se tratasse. Estão espalhados objetos e áreas delimitadas por fitas. “Há sons de piano, texto, vídeo, tudo misturado e aquele personagem vai criar a partir daí a arqueologia do futuro”, dá conta Fernando Pinheiro.

É um diálogo entre horizontalidade e verticalidade. O artista explica: “Há um jogo geométrico, gosto de pensar que a horizontalidade é fundamental, mas também precisamos de verticalidade” – ou seja, de cavar, de “procurar alguma coisa mais profunda”.

Fernando Pinheiro desenvolveu no Museu de Cultura Castreja durante nove dias um espaço de experimentação para explorar uma reverberação entre passado e futuro. Mas este trabalho já vem de abril. Para Antero Ferreira, presidente da Sociedade Martins Sarmento, a residência é “positiva” já que associa o museu com a arte “no sentido de criação”.

“É um aspeto muito interessante de se abrir um museu à presença de um artista, à reflexão, à criação. E depois há esta questão da interação entre quem visita o museu e quem cá está a ocupar e a criar neste espaço. Dá vida a um museu, é uma experiência enriquecedora”, explica.

A instalação, um dos resultados da residência artística realizada no passado mês de julho, pode ser visitada até ao próximo dia 15 de agosto entre as 9h30 e 12h30 e 14h30 e 18h00, de segunda-feira a domingo.