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Um livro, um monumento e apelo à união: está lançado o centenário do Taipas

Tiago Dias
Desporto \ sábado, novembro 26, 2022
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Torneio de veteranos entre emblemas centenários e requalificação da entrada para o Montinho são outras iniciativas previstas. Presidente pediu aos sócios e adeptos que se unam.

Assinalado na quarta-feira, com o hastear das bandeiras no Montinho, e festejado neste sábado, com um jantar que reuniu cerca de 300 pessoas, o 99.º aniversário do Clube Caçadores das Taipas é também rampa de lançamento para o centenário do terceiro emblema mais antigo da Associação de Futebol de Braga, após Sporting Clube de Braga (1921) e Vitória Sport Clube (1922).

Entre as iniciativas previstas para 2023, contam-se a apresentação de um livro com a história do clube, a eventual colocação de uma obra de arte em espaço público a assinalar a efeméride, um torneio de futebol de veteranos, com quatro equipas de clubes centenários, e a requalificação da entrada para o Campo do Montinho.

Em representação da comissão do centenário, formada por 20 elementos, Vasco Marques proferiu o primeiro discurso da noite, e vincou a “alegria” de “rever” antigos jogadores e sete ex-presidentes, antes de referir o livro sobre a história do clube e o torneio veterano. “Vai ser organizado um torneio de veteranos, com a equipa do Taipas a disputar o torneio com três outras equipas centenárias. Em princípio, serão o Benfica, o Vitória e o Braga, no Montinho”, revelou.

O ex-jogador do clube referiu ainda que a “comissão não está fechada”, pretendendo ser o “mais representativa possível da família taipense”, que perdeu, em 2022, Camilo Baptista Ribeiro e João Baptista Ribeiro, ex-presidente e sócio número um do clube. “São duas pessoas muito importantes na história deste clube”, referiu, antes de ser brindado com uma salva de palmas de quem participou no evento decorrido na Escola Secundária de Caldas das Taipas.

A morte do sócio número um, precisamente quarta-feira, foi também lembrada pelo presidente da Junta de Freguesia de Caldelas, Luís Soares, que apontou o testemunho de “amor” do antigo dirigente como exemplo a seguir. “O falecimento do nosso sócio número um foi um momento triste, porque significa a perda de alguém, mas também uma oportunidade para lembrarmos o percurso que fez e o contributo que deu. Deu o exemplo de amor. Quando colocamos amor no que fazemos, tornamos tudo mais fácil e mais simples”, disse.

Nesse mesmo discurso, o autarca revelou o interesse da comissão do centenário em que se encontre um espaço na vila para assinalar o centenário do CC Taipas com uma “obra de arte” e reconheceu que é preciso avançar com um projeto para requalificar a entrada para o Campo do Montinho. “Identificámos a necessidade de intervir na entrada do Estádio do Montinho. Temos de, em conjunto com a direção, trabalhar esse projeto, para que, no próximo ano, possamos concretizá-lo”, referiu, tecendo elogios à direção dos verde e brancos, pela “humildade” de pedir ajuda.

Luís Soares anunciou também que depois de, em 2017, a Junta ter reconhecido o Caçadores das Taipas como “instituição de mérito da freguesia”, vai atribuir “a medalha de honra da freguesia” ao clube, a 19 de junho de 2023, caso a Assembleia de Freguesia aprove a proposta.

 

O “apelo” de Bruno Ferreira: “Unam-se pelo clube”

O presidente do CC Taipas, Bruno Ferreira, pautou o seu discurso pela gratidão: fê-lo ao seu avô, que lhe “o incentivou a participar nas atividades do clube” desde criança, aos 20 elementos que formam, para já, a comissão do centenário, à equipa sénior, pelo “empenho, dedicação e resiliência” demonstrados, apesar do 11.º e penúltimo lugar na Pró-Nacional, e ao trabalho na formação, que procura evitar a “velha máxima de ganhar a qualquer custo”.

Ciente do que ainda falta aos javalis, sobretudo a nível de infraestruturas, Bruno Ferreira pediu “união” aos presentes: “Vamos deixar os egos de parte, e as diferenças sociais e culturais de parte. a presente direção esteve sempre disponível para quem quer caminhar ao nosso lado e ao lado do Taipas. Faço um apelo: unam-se pelo clube, todos pelo Taipas. Sozinhos nunca, unidos sempre, Caçadores das Taipas”.

Intervieram também o vice-presidente da Associação de Futebol de Braga, Miguel Azevedo, o presidente da Mesa da Assembleia Geral do clube, Aquilino Ferreira, e ainda o vereador para o desporto da Câmara Municipal de Guimarães, Nelson Felgueiras. Ligado a um clube que representou como atleta e dirigente, o responsável é um dos membros da comissão do centenário e vincou que o Taipas é um “clube de gerações”, com “muitas histórias para contar”, mas que não pode “viver do futuro que a história deu”.

“Não vai assim há tanto tempo que os clubes olhavam para o Taipas como exemplo a seguir: nas suas equipas, na formação, nas suas infraestruturas, na sua organização diretiva. Isso deve levar-nos a pensar o que queremos para o futuro do clube”, avisou.