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"Sou do tempo que os jogadores queriam jogar cá. Estamos a mudar o Taipas"

Bruno José Ferreira
Desporto \ sexta-feira, janeiro 20, 2023
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Bruno Ferreira, 33 anos, é desde abril o presidente do CC Taipas. Assumiu os destinos do clube num momento conturbado, reconhecendo que herdou um clube “debilitado” com problemas diários para resolver

Aponta como prioritário impermeabilizar a bancada, de forma a terminar com as infiltrações que põem em causa todo o trabalho no clube. Em entrevista ao Reflexo, reconhece a situação difícil da equipa principal, mas promete não atirar a toalha ao chão. Espera que o centenário seja um momento de união em torno do clube, que deve ter na formação o seu principal pilar.

 

Assumiu a presidência em abril, há sensivelmente oito meses, num momento de grandes dificuldades para o clube. A situação mantém-se difícil, ou já é mais desafogada nesta fase?

A situação é mais desafogada, sim. Mas, as dificuldades são diárias, não deixamos de ser um clube debilitado. Como disse, as dificuldades são quase diárias. Ao que nós nos propusemos, penso que superámos algumas das nossas expetativas. Estamos a conseguir cumprir com os objetivos estabelecidos, quer a nível de formação quer a outros níveis, como infraestruturas estamos a tentar resolver algumas coisas, acredito que vamos conseguir.

 

Tiveram de resolver no imediato, quando tomaram posse, várias situações urgentes, uma delas até relacionada com a FIFA. Os associados do clube têm consciência da real situação do CC Taipas?

Quero acreditar que sim. Fizemos questão de tornar pública a situação do clube, informar todos os associados sobre a situação real do clube numa assembleia geral extraordinária.

 

Ainda continuam a surgir, nos problemas diários que referiu, situações urgentes?

Principalmente a nível de infraestruturas temos problemas urgentíssimos para serem resolvidos. A impermeabilização da bancada é algo crucial que tem de ser resolvido o quanto antes. Todas as entidades responsáveis e competentes devem ter uma atenção especial a isso. Estamos a falar de um clube com formação, diariamente temos aqui crianças e no inverno quase que se torna impossível desenvolver o trabalho diário e garantir uma manutenção saudável para as crianças. A humidade, a água, é uma coisa por demais. Convido as entidades responsáveis a visitar as nossas instalações num dia de inverno para ver do que falo.

 

Que verba seria nece3ssária para resolver esse problema?

Estamos neste momento a pedir orçamentos para tentar realizar a impermeabilização da bancada. Não faz sentido nenhum fazer qualquer tipo de intervenção no interior do estádio, em balneários ou qualquer que seja a obra, porque tudo são intervenções temporárias que rapidamente se estraga dada a humidade. No fundo, qualquer intervenção é trabalhar para aquecer.

 

No início da época, ainda assim, realizaram obras num dos balneários…

Sim. Não estava previsto, mas conseguimos requalificar um balneário, o antigo balneário da equipa sénior, que é utilizado por eles e também para libertar mais um balneário para a formação.

 

Em relação ao futebol sénior, baixou consideravelmente o orçamento. Isso foi assumido, ainda assim esperava estas dificuldades?

Sim, esperávamos algumas dificuldades, mas não posso dizer que esperávamos tantas dificuldades, porque não estaria a dizer a verdade. Não esperávamos tantas dificuldades, espero que os associados tenham noção que nós começámos com aproximadamente 18 mil euros negativos a serem resolvidos no imediato antes sequer de começar a competição.

 

Encontrou um clube debilitado pela forma como a época passada terminou, com os jogadores a recusarem-se a treinar e os problemas que são conhecidos? Também por isso a tarefa foi ainda mais difícil?

Não fugindo, de forma alguma, da nossa responsabilidade, a realidade é que era inevitável que assim fosse. Tenho 33 anos, sou ainda relativamente novo, mas infelizmente posso dizer que sou do tempo em que qualquer jogador queria vir jogar para o CC Taipas e hoje em dia já não é bem assim. Temos conseguido mudar a imagem disso, atualmente já temos mais facilidade em fazer contratações, porque termos uma direção credível, os jogadores podem comprovar isso, e claro que a mensagem vai passando entre uns e outros. O objetivo é esse, limpar a imagem do clube, voltando a fazer do Taipas um clube credível.

 

No plano meramente desportivo, acha que a equipa podia estar mais bem classificada?

Sim. Não merecíamos estar a pagar uma fatura tão grande. O orçamento era reduzido, óbvio, foi público, mas não seria para estar no estado em que estamos atualmente. Nada está perdido, está difícil, mas de forma alguma baixamos os braços.

 

O plantel sofreu reajustes, com entradas e saídas de jogadores. A equipa está mais preparada para o que resta do campeonato?

Acho que sim, a equipa está muito mais preparada, fomos buscar alguns jogadores com mais experiência, tiveram que haver saídas para reajustarmos o orçamento, mas acredito que estamos muito mais preparados para o que resta da segunda volta.

 

Foi o primeiro presidente a apostar no Diogo Leite como treinador, que curiosamente saiu do CC Taipas sem qualquer vitória. Hoje o Diogo está num projeto nos nacionais, isso surpreende-o?

Não, porque nunca duvidámos da qualidade do Diogo, enquanto treinador e enquanto pessoa. Podemos falar um pouco em falta de sorte nos resultados, mas nunca duvidámos, de forma alguma, da qualidade. Não duvidámos, nem duvido. É um treinador com muita qualidade.

 

A formação é, de há uns anos a esta parte, apontada como a base do CC Taipas. No passado passou por dificuldades, não tendo alguns escalões. Como é que olha hoje em dia para a formação?

As melhorias da formação são a olhos vistos. Crescemos a formação, temos cerca de 165 miúdos e as condições da formação melhoraram drasticamente. Só não vê quem cá não passa. Atualmente conseguimos ter uma bola por miúdo, coisa que não havia, estão para chegar duas balizas novas de futebol de 7, temos balizas novas de futebol de 5, temos redes novas, o sintético vai sofrer uma intervenção em janeiro. A esse nível, o melhoramento está à vista, mas não queremos parar por aqui, nem pouco mais ou menos. Queremos e vamos tentar certificar a formação no próximo ano. Estamos a ter o cuidado de contratar treinadores com o nível necessário para que o processo possa avançar.

 

O CC Taipas ainda não conseguiu essa certificação, apesar de já ter tentado, em que ponto está esse processo?

Estamos a tratar disso, nos passos que vão sendo dados vamos reunindo as condições necessárias para conseguir isso. É um processo evolutivo que necessita que sejam dados passos nesse sentido, que é o que temos vindo a fazer.

 

Hoje em dia há vários clubes nas redondezas com formação, sendo que o CC Taipas foi um dos primeiros a ter formação. Até por isso é um desafio para o clube, conseguir modernizar-se e melhorar a sua formação?

Não se trata de um objetivo. É uma obrigação de qualquer clube modernizar-se e criar mais condições para as crianças. Não estamos aqui só para formar jogadores de futebol ou tentar formar jogadores de futebol, estamos aqui principalmente para formar homens e crianças mais capazes para o futuro.

 

A nível de infraestruturas já falou na necessidade de intervencionar a bancada. É possível, mesmo com os constrangimentos referidos, pensar nesta questão das infraestruturas?

É uma necessidade urgente essa intervenção, que não pode ficar esquecida. O Taipas está prestes a completar 100 anos e volto a frisar que não pode estar esquecido por qualquer entidade responsável que nos possa ajudar. Temos mais de 160 crianças, quase que brinco um bocado com a situação que não é de brincar: Temos determinadas alturas no inverno que quase que conseguimos fazer natação nos balneários. Tirar água para fora dos balneários é uma constante diária, entre diretores e diretores de escalão, que vão ajudando. Pessoalmente, não só como presidente do CC Taipas, mas como adepto e como pai sinto-me envergonhado por isso.

 

Ainda no que hás infraestruturas diz respeito, como está a questão do terceiro relvado? O financiamento já foi atribuído pela autarquia, mas estava pendente por questões de legalização...

O processo está a ser tratado, parte dele está a ser finalizado e acreditamos que talvez até final do ano seja possível ter parte do processo resolvido.

 

Em relação a associados, qual é a radiografia atual? Quantos associados tem o clube?

Atualmente temos cerca de 1500 associados. Com a nossa direção já conseguimos um aumento de 125 associados novos, em seis sete meses, o que se pode dizer que é bom. Mas, não paramos por aqui, temos novas propostas para angariar mais e mais sócios. Queremos, principalmente, juntar a vila ao clube

 

Desde que tomou posse tem tentado passar uma mensagem de união. O centenário do clube pode ser catalisador para essa união?

É esse um dos grandes objetivos da direção do CC Taipas, e também da comissão do centenário, tentar unir de todas as formas possíveis os associados, os adeptos e a vila ao clube. Acredito que sim, que o vamos conseguir. A comemoração dos 99 anos, pela forma como decorreu, é uma prova de que é possível unir o clube. Não deixa de ser, também, uma prova de vitalidade do próprio clube, no meu entender.

[ndr: artigo originalmente publicado na edição de janeiro do Jornal Reflexo]