Segunda parte do GUIdance arranca na quinta-feira com Tânia Carvalho
Qualquer criação de Tânia Carvalho vai além das palavras utilizadas para a descrever. É a própria autora quem o assume, logo após o ensaio de imprensa de “O sono da montanha” e “O gesto do falcão”, dois solos que se apresentam em estreia absoluta no Grande Auditório Francisca Abreu, em pleno Centro Cultural Vila Flor, na quinta-feira, a partir das 21h30, no âmbito da 15.ª edição do GUIdance, o festival internacional de dança contemporânea de Guimarães.
“Normalmente, não procuro exprimir ideias muito fixas. Gosto sempre de ir a um sítio antes de ter opiniões e ideias. Às vezes, é muito complicado explicar o que estou a fazer. A minha forma de criar é muito intuitiva para chegar a uma forma de comunicação antes de ter opiniões formadas acerca da vida e do mundo. O que é que somos antes disso?", diz aos jornalistas a coreógrafa nascida em Viana do Castelo.
Tânia Carvalho não consegue precisar quanto tempo demorou o processo das suas criações mais recentes, mas os títulos são fáceis de explicar: “O sono da montanha” foi concebido para Marta Cerqueira, bailarina e coreógrafa que esteve na edição de 2025 do GUIdance, com “SubLinhar”, o espetáculo para famílias, e “O gesto do falcão” foi pensado para Bruno Senune, bailarino com quem já trabalhou noutras ocasiões.
“A Marta faz-me lembrar uma montanha e o Bruno um falcão", compara. “Houve uma parte em que trabalharam à distância comigo. Existe muita confiança. Eu fazia os movimentos e gravávamos. Ou eles estavam atrás de mim e gravávamos em tempo real ou fazia os vídeos e enviava, e eles sozinhos tiveram de trabalhar. Foi só movimento. Não houve troca de ideias", detalha, acerca do processo criativo.
GUIdance é “um festival muito bom”, “um dos melhores que temos no país”
O espetáculo de quinta-feira marca a sexta aparição no GUIdance da coreógrafa que contabiliza dezenas de criações, também no cinema e na música – é a autora da banda sonora de “O sono da montanha + O gesto do falcão” – e que, em 2023, foi condecorada pelo Ministério da Cultura de França com as insígnias de Chevalier de L’Ordre des Arts et des Lettres.
Presente em 2013, com “O reverso das palavras”, em 2015, com “A tecedura do caos”, espetáculo de encerramento desse ano, em 2017, com “De Mim Não Posso Fugir, Paciência!”, em 2020, com “Onironauta”, peça de abertura, e em 2023, com “Blasons + Doediscon”, uma parceria com François Chaignaud e a companhia Dançando com a Diferença, Tânia Carvalho enaltece o papel do GUIdance no seio da dança contemporânea lusa. “É um festival muito bom, um dos melhores que temos no país. Já tenho vindo aqui algumas vezes. É um festival que tem vindo a crescer, que chama muito público, algo que, em Portugal, nem sempre é fácil. A qualidade artística também é muito boa, para mim. Gosto sempre de estar aqui”, afirma.
O espetáculo de Tânia Carvalho abre a segunda parte do GUIdance de 2026, que conta ainda com “Sirens”, da albanesa Ermira Goro, no Teatro Jordão, na sexta-feira à noite, “Quando vem a taciturna de limiar em limiar o presente frágil”, de Hugo Calhim Cristóvão e Joana Von Mayer Trindade, espetáculo marcado para as 18h30 de sábado, no Pequeno Auditório do CCVF, com lotação praticamente esgotada – restam apenas 13 lugares disponíveis entre 200 -, e “Chotto Desh”, da britânica Akram Khan Company, no Grande Auditório do CCVF, no sábado à noite, já esgotado.