07 dezembro 2022 \ Caldas das Taipas
tempo
18 ºC
pesquisa

Ricardo Rodrigues põe CART sobre (mais) rodas

Hugo Marcelo
Desporto \ terça-feira, fevereiro 01, 2022
© Direitos reservados
O vínculo entre Ricardo Rodrigues e o Centro de Atividades Recreativas Taipense – CART não é recente. É preciso recuar mais de duas décadas para começar a desenrolar o fio desta história.

Nessa altura, Ricardo ainda não era piloto de quadcross, mas já se equilibrava sobre rodas para praticar desporto. Eram as rodas dos patins e, em vez de um capacete, tinha sempre por perto o stick. Muito mudou desde então, menos o carinho pelo clube que o viu crescer. É por isso que, mais uma vez, vai vestir com orgulho a camisola para ser mais um representante da instituição desportiva taipense.

Foi aos 11 anos que Ricardo Rodrigues ingressou no clube da terra pela primeira vez. Nascido e criado na vila de Caldas das Taipas, começou a praticar hóquei em patins ainda antes de chegar à adolescência. A relação entre Ricardo Rodrigues e o CART durou 14 anos. Aos 25, em consequência de um problema no joelho, viu-se impedido de continuar a praticar aquela que tinha sido a sua primeira modalidade de eleição. Eventualmente, quase por brincadeira, descobriu outra paixão: o desporto motorizado. A relação com as motos não foi fácil. Diz que, por se tratar de “um desporto perigoso”, não tinha muito apoio em casa, mas o bichinho ficou em quem “não gostava de perder nem que fosse a feijões” e, depois, “os resultados foram aparecendo”.

Aos 34 anos, no último mês de 2021, mais de vinte anos volvidos desde o dia em que vestiu pela primeira vez as cores do clube taipense e na altura de comemorar os 47 anos de existência do clube, regressou a casa para o representar. Desta vez para abrir o portefólio de modalidades do CART e acrescentar o quadcross. As duas histórias fundem-se numa só e, por isso, Ricardo Rodrigues tem alguma dificuldade em explicar o que significa voltar a representar o azul e vermelho da instituição. Há “nostalgia” e “orgulho” por regressar a um clube que manteve sempre as portas abertas: “voltar ali para praticar o desporto que é aquele que eu gosto, poder representar o CART a nível nacional em moto 4 é um orgulho muito grande”.

Estão unidos os esforços entre Ricardo Rodrigues e o CART para enfrentar o Campeonato Nacional de Quadcross de 2022. O piloto acredita que este é o “melhor clube” para o ajudar “nesta fase”. Numa modalidade que enfrenta muitas dificuldades – em 2015, por exemplo, a Federação Portuguesa de Ciclismo suspendeu a realização do Campeonato Nacional depois de duas jornadas marcadas por grelhas de partida praticamente vazias – é necessário “trazer mais alguém para a prática deste desporto” não só para despertar o interesse das entidades competentes e dos patrocinadores, mas para que a própria modalidade tenha condições para se desenvolver. Os números são importantes e engordá-los é também um dos objetivos desta parceria.

Ricardo conhece de cor as dificuldades. Os obstáculos antecedem os próprios treinos: “os treinos nunca podem ser aqui, tenho sempre que sair do concelho para poder treinar porque não tenho uma pista, não tenho um recinto onde possa praticar a modalidade”. Para treinar, o piloto costuma ir para Setúbal, Arouca ou Parada do Pinhão, em Sabrosa. São muitos quilómetros que, a par do trabalho, o afastam das pistas de treino e, por isso, costuma treinar apenas duas vezes por mês. O resto do tempo ocupa-o com treino físico e de ginásio. A força dos números é importante e é por isso que, lado a lado com o CART, Ricardo quer divulgar a modalidade. O esforço tem sido feito junto da Câmara Municipal de Guimarães para “abrirem as portas” a uma pista de treino, mas ainda não aconteceu. No entanto, Ricardo acredita na ideia: “é mais pessoal que pode vir para cá, que pode vir treinar cá, e isso também ajuda na economia local”.

Com o ano de 2022 a começar, todas as atenções se viram para o Campeonato Nacional de Todo-o-Terreno. É nesta prova, que deverá ter início no próximo mês de março, que Ricardo Rodrigues quer apostar todas as fichas com a objetivo de “ficar nos três primeiros lugares”. Há outras provas nas quais pretende participar, mas tudo servirá de treino para alcançar o pódio nacional no encerramento da próxima temporada. No futuro, ao lado do CART, Ricardo Rodrigues já sabe pelo que quer lutar e um lugar secundário do pódio não é suficiente. “Quero ser campeão nacional, sem dúvida, e pode ter a certeza que vou fazer por isso”, garante.