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Ricardo Araújo satisfeito por ver junta de Brito “funcionar na plenitude”

Redação
Política \ quarta-feira, fevereiro 18, 2026
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Presidente da Câmara defende que juntas devem funcionar com normalidade, embora a decisão caiba aos eleitos para a Assembleia de Freguesia. José Dias elogia papel do autarca na resolução do impasse.

A abstenção da coligação Juntos por Guimarães (PSD/CDS-PP) na Assembleia de Freguesia (AF) que viabilizou a constituição do novo executivo da Junta de Freguesia de Brito, decorrida em 11 de fevereiro, abriu portas a uma “normalidade” institucional que o presidente da Câmara Municipal saúda.

Questionado acerca da resolução do impasse que obrigou o presidente de Junta eleito, José Dias, a desempenhar funções em duodécimos, com secretário e tesoureiro do executivo anterior, liderado por Fátima Saldanha, Ricardo Araújo mostrou-se “satisfeito” por ver os órgãos daquela vila funcionarem “na plenitude de funções e responsabilidades”.

“Acolho naturalmente com agrado essa informação, porque defendo que todas as assembleias de freguesia possam funcionar com normalidade, sabendo que essas decisões para viabilizar um normal funcionamento das juntas, mesmo quando não existe uma maioria, cabem exclusivamente aos membros das assembleias de freguesia”, disse, à margem da reunião de Câmara realizada na segunda-feira.

O autarca eleito pela coligação Juntos por Guimarães nas eleições de 12 de outubro realçou que a única competência que cabe ao presidente da Câmara em situações de impasse nas freguesias é “exercer a sua magistratura de influência”. “Estarei sempre disponível para acompanhar o funcionamento das diferentes juntas de freguesia, sabendo que a responsabilidade é dos membros da assembleia eleitos pelos vimaranenses”, reiterou, esperando ver o impasse também resolvido em Fermentões, freguesia cuja AF reúne quatro deputados do PS, a força mais votada, quatro da coligação Juntos por Guimarães (JpG) e um do Chega.

 

José Dias quer ouvir outras forças políticas na elaboração do Orçamento

Eleito como cabeça de lista do PS, José Dias também se mostrou contente com o comportamento de Ricardo Araújo na resolução do impasse e mostrou-se disponível para colaborar com a Câmara no que necessitar.

“O que interessa é que as Juntas trabalhem bem e tenham um entendimento com a Câmara para que as coisas funcionem bem. Elogio o papel da Câmara e também do PSD de Brito. O interesse maior foi sempre o da vila. Foi isso que originou um acordo bom para todos”, vincou, em declarações ao Reflexo.

De regresso a um cargo que ocupou entre 2001 e 2013, o autarca britense prometeu envolver as outras forças políticas representadas na AF – JpG e Movimento Brito Independente (MBI) – na elaboração do orçamento.

“Até agora estávamos a viver de duodécimos com o orçamento anterior, a trabalhar com um secretário e um tesoureiro que não faziam parte da minha equipa. A partir de agora, tenho uma Junta da minha confiança e uma Assembleia onde vou poder apresentar um orçamento para ser aprovado. Vamos chamar as outras forças políticas representadas para darem as suas opiniões quanto ao orçamento”, esclareceu.

 

JpG: “Abstenção representa decisão consciente e equilibrada”

Em comunicado, o grupo da coligação JpG na AF, representado assumiu a mudança do sentido de voto – desfavorável ao novo executivo na primeira AF após as Autárquicas para abstenção em 11 de fevereiro - após uma “reflexão aprofundada e centrada no interesse da vila de Brito”.

“A abstenção representa, assim, uma decisão consciente e equilibrada, que procura contribuir para um clima de responsabilidade democrática. Não se trata de um afastamento das nossas posições ou convicções, mas sim de uma escolha que visa garantir que o foco permanece no que verdadeiramente importa - o desenvolvimento da vila e a qualidade de vida dos britenses”, lê-se.

A coligação promete ainda continuar a exercer o seu papel na AF com “rigor, espírito crítico e sentido construtivo”, fiscalizando “a ação do executivo e colaborando sempre que estejam em causa projetos, medidas ou iniciativas que promovam o progresso de Brito, segundo uma postura de transparência, diálogo e defesa intransigente do interesse público.

 

MBI afirma não confundir oposição com “viabilização estratégica”

Já o MBI, que congrega pessoas ligadas aos executivos de Fátima Saldanha, então eleitos pelo PS, vincou que a “gestão corrente estava assegurada” e que José Dias “tinha carta verde para garantir o funcionamento da freguesia enquanto se encontrava uma solução sólida e coerente”. O movimento afirma não confundir oposição com “viabilização estratégica”.

“O MBI mantém aquilo que sempre defendeu: independência, coerência e responsabilidade para com Brito e os seus habitantes. Não nascemos de conveniências políticas nem de jogos de bastidores. Nascemos da vontade de mudar o rumo da freguesia, e essa vontade mantém-se intacta”, lê-se no comunicado.

A força política questiona ainda se é “saudável que praticamente todas as instituições da freguesia estejam sob influência direta do mesmo presidente e da mesma equipa”, numa alusão ao facto de José Dias presidir ainda o Brito Sport Clube e o Centro Social de Brito. “O MBI continuará a ser uma voz livre, vigilante e firme. Não nos intimidam comentários inflamados nem frases feitas como “o ódio não venceu”. Em política, discordar não é odiar, é fiscalizar. E há quem confunda firmeza com incómodo”, refere a nota.