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“O mundo não é o mesmo”, mas jubilemos: na música, maturação e regressos

Pedro C. Esteves
Cultura \ quinta-feira, janeiro 27, 2022
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Três músicos, três perspetivas. 2021 viu Theo amadurecer um projeto e lançar discos “filhos da pandemia”; os This Penguin Can Fly afinaram o regresso; a Banda Musical “aproximou-se dos taipeneses”.

A pandemia que atirou toda a gente para confinamentos sucessivos também deixou salas de ensaio vazias, palcos desocupados, e concertos fraquejados. Mas a soturnidade imposta pelas limitações acabou por ser mote para o lançamento de projetos “filhos da pandemia”.

Que o diga João Gonçalves, o homem por trás de Theo. No final de 2020 lançou o álbum de estreia: Sinner. “Criado na pandemia, é filho da pandemia. O álbum foi lançado e depois levou com as consequências dessa mesma conjuntura”, explica ao Reflexo. “Foi esquisito”, explica. “Não conseguimos colher os frutos dele porque não dava, era mesmo só air play na rádio – até tivemos bastante – e entrevistas. Foi um álbum que serviu de promoção, que mostrou às pessoas o trabalho de estúdio”.

Em 2021 a banda que junta João Gonçalves e Pedro Conde ainda lançou o segundo disco, intitulado The World is Not The Same (O Mundo não é o mesmo, numa tradução literal) e o single ““Um céu para o meu cão”, uma versão de um tema original dos anos 90 da banda Subcultura, de Nuno Lourenço, vocalista dos Smartini”. Tem razão de ser. “Foi uma tentativa de homenagear o rock taipense, que está parado. Há muito talento escondido nas Taipas e precisa de palco”.

Jubilemos: regressam os “Pinguins"

Theo vai agitando as águas da cena musical local. E João Gonçalves não tem dúvidas: “Se não fosse a pandemia, não tinha o projeto tão bem definido e amadurecido”. No meio de tudo que a covid-19 corrompeu, também José Manuel Gomes destaca o tempo “ganho” para experimentar e estudar “coisas e sons novos”. Foi um ano “produtivo”: para além de Jubilee, novo projeto que é uma ode à cultura dos anos 80, o ano marca também o regresso dos This Penguin Can Fly depois de um hiato de quatro anos.

O disco foi gravado entre maio e novembro e sai a 28 de janeiro. O primeiro single, Blind Lights, estreou no penúltimo mês do ano. “O processo foi longo” e traz novidades: “É a primeira vez que temos voz e sintetizadores, por exemplo”. Há também nova aventura para os “Pinguins” na forma de colaborações: Homem em Catarse e Claiana contribuem em For All our Hopes. For All Our Dreams.

José Manuel Gomes ainda subiu a palco em 2021 para apresentar ao vivo Crush!, disco nascido a partir de um exercício de autodidatismo em pleno confinamento. Depois de lançar o trabalho em Julho, e com oito concertos marcados, viu datas serem canceladas. Apesar das condicionantes, esta espécie de “test-drive” foi “positiva”. “Honestamente não estava à espera que corresse tão bem e houvesse tanta aceitação. Tive air play diário na Antena 3, na Vodafone FM, Super Bock Super Rock, entrei em canais que não tinha entrado antes”. O músico taipense ainda não sabe se haverá mais para além do “test-drive”. “Não tenho pressão nenhuma, depende do que virá”.

De “casa às costas”, rumo a um epílogo feliz

As dezenas de músicos que compõem a Banda Musical das Taipas tiveram um 2021 “ligeiramente melhor” do que 2020. Mesmo sem o regresso de todas as romarias que levavam o coletivo para junto das populações, “a banda nunca esteve parada”, refere Charles Piairo. O maestro – e a direção da Banda – viram-se novamente a braços com a dificuldade de juntar toda a banda. Mas não deixou de haver música.

“Uma das ideias foi tocar com grupos mais reduzidos. Demos oportunidade aos músicos para tocar, para não se sentirem desamparados, e houve atividades que fortaleceram a oferta cultural aqui nas Taipas e em Guimarães”, indica Charles Piairo. Acresceu o desafio de “andar com a casa às costas”: “A sede é pequena e as medidas da Direção-Geral da Saúde impossibilitam usá-la, mas contamos sempre com a ajuda da Escola Secundária. Ensaiámos e conseguimos o nosso grande objetivo com a realização do concerto de Natal”.

O maestro destaca a arruada pela Avenida da República no dia 05 de outubro, data de celebração dos 187 anos anos da coletividade. “Deu uma motivação maior, sentimos uma romaria que era algo que faltava, sentimos uma aproximação aos taipenses”, recorda Charles Piairo. Quando sente o pulso aos músicos da Banda Musical, o maestro fixa um desígnio para 2022: “Sinto da parte deles o querer, o desejo de agarrar tudo aquilo que a banda possa oferecer. No fundo, o que um instrumentista quer é tocar”.