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O espaço que Mário Rodrigues sonhou tem o seu nome: “Honra muito grande”

Tiago Dias
Educacao \ sexta-feira, junho 03, 2022
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Professor que lecionou na EB 2 e 3 das Taipas dá agora o nome ao auditório com que sonhou ainda no tempo da “escola velha”.

“Estou um bocado sem jeito”, proferiu Mário Rodrigues, embargado pelas lágrimas, nesta sexta-feira em que se oficializou a atribuição do seu nome ao auditório da EB 2 e 3 de Caldas das Taipas. Colocado na escola em 1984, o professor nascido em 1953 entrou para o conselho diretivo em 1989 e tornou-se presidente do órgão em 1994, mantendo esse cargo até 2019.

Convencido de que deixou “uma marca positiva”, o antigo diretor da escola reconheceu que é “uma honra muito grande” ver o seu nome no auditório, infraestrutura com a qual sonhou. “Deixar o meu nome associado a um espaço que ambicionei no tempo da escola velha é uma honra muito grande (…). Quando ia a outras escolas e via-as em melhores condições, até dava isso de barato. Mas quando as via com auditório, disse para mim que queria um auditório”, descreve Mário Rodrigues, atribuindo a importância do espaço à “multifuncionalidade”.

O docente oriundo de Trandeiras, em Braga, frisou ainda que é “sempre muito mimado” quando se desloca às Taipas, e, no término da sua intervenção, fez uma ligeira alteração ao poema de Antoine de Saint-Exupéry visível na projeção, para dizer o seguinte: “Deixei um pouco de mim, mas levei muito de vós”.

 

“Reconhecer em vida é absolutamente crucial”

Mário Rodrigues começou a lecionar em 1977, na então Escola Preparatória de Felgueiras, tendo ainda passado pelo distrito de Portalegre, pelas escolas Carlos Amarante e Francisco Sanches, em Braga, e pela escola João de Meira, na cidade de Guimarães, antes de se fixar nas Taipas. Na vila termal, encontrou Adelina Paula Pinto em 1989. Hoje vereadora da Educação na Câmara Municipal de Guimarães, a então professora começou a lecionar na EB 2 e 3 das Taipas, no mesmo corpo docente de um colega que, nas funções de direção, “não cortava as asas” a ninguém e “levava todos a bom porto”, com “calma e serenidade”.

Cheguei cá com energia para fazer mil coisas. O Mário sempre me deu todo o terreno para fazer diferente. Nunca perdi o contacto com o Mário, mesmo quando fui para São João de Ponte. Esta relação foi sempre de construção”, vincou.

Mário Rodrigues sempre soube fazer os “seus colegas importantes” e “ser parceiro no encontrar de soluções para os problemas”, disse a vereadora, tendo ainda elogiado a direção do Agrupamento de Escolas das Taipas (AET) e o seu conselho geral por fazerem este reconhecimento em vida. “O Mário sempre foi muito ativo para que os alunos das Taipas tivessem o melhor da escola. Foi muito parceiro das associações de pais e da comunidade. Reconhecer em vida é absolutamente crucial”, esclareceu.

No dia da Escola Aberta do AET, o diretor realçou que o legado de Mário Rodrigues deve apresentar-se à comunidade como “âncora” das memórias que construiu na escola EB 2 e 3 das Taipas por 35 anos e como “plataforma” para a transformação, num dia de “reconhecimento merecido”, realçou o diretor do AET. “Com enorme lealdade deu provimento à missão do Estado como prestador de um serviço público de qualidade”, vincou João Montes.

Se o agrupamento afirma “a equidade educativa como determinante nos processos de decisão” e a sua “raiz humanista”, é porque Mário Rodrigues “cimentou a estrutura” da organização, ao valorizar “a coesão do corpo docente”, ao “perceber o contexto histórico-social” em que estava e ainda “os grandes desassossegos causados pela administração central”.  “O AET valoriza o mérito e a excelência na preparação dos seus alunos, mas esse mérito tem de ser cada vez mais preparado para a mudança, para as necessidades humanas de cada aluno, conjugando-as o conhecimento técnico-científico”, salientou.

A presidente do Conselho Geral do AET, Cláudia Vieira, realçou por seu turno a “marca indelével” do antigo diretor no funcionamento daquela entidade. “Foi evidente o seu contributo para uma boa interação entre a comunidade educativa, contribuindo para um clima de amizade com a sua atitude apaziguadora”, disse.

Para a responsável, foi “notável a sua gestão dos parcos recursos humanos” em tempos idos, graças a uma “sensibilidade humanista”, que merece “nunca ser olvidada”, através do descerramento da placa que materializa a homenagem ao professor.