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Norte do concelho tem 42 empresas no top 1000 do distrito. Amtrol é a maior

Tiago Dias
Economia \ segunda-feira, fevereiro 23, 2026
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Produtora de garrafas cilíndricas de gás em Brito conseguiu também o maior volume de negócios entre as 216 empresas de Guimarães no ranking das 1000 maiores do distrito de Braga, do Diário do Minho.

Sediada em Brito desde 1962, ano em que foi fundada como Petróleo Mecânica Alfa, a Amtrol-Alfa concluiu 2024 como a maior empresa do concelho de Guimarães, ao faturar 119 milhões de euros. A informação consta do ranking das 1000 maiores empresas do distrito de Braga, publicado pelo Diário do Minho no final de 2025. Esse ranking inclui 216 sociedades de Guimarães – pouco mais de uma em cada cinco mencionadas -, entre as quais 42 localizadas na área noroeste do concelho, coberta pelo Reflexo.

Esse leque de 42 empresas gerou um volume de negócios acumulado de 751,3 milhões de euros, valor que corresponde a pouco mais de 20% da faturação de todo o território vimaranense incluído no ranking elaborado pelo Diário do Minho em parceria com o Novo Banco; as 216 empresas que figuram na publicação faturaram pouco mais de 3.675 milhões de euros, montante que equivale a pouco mais de 53% do volume de negócios de todo o tecido empresarial vimaranense em 2024 (6.892 milhões de euros), segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados a 11 de dezembro de 2025.

Integrada desde 2023 na Worthington Enterprises, grupo empresarial norte-americano, a Amtrol-Alfa produz garrafas de gás liquefeito, de gás refrigerante ou de gás industrial, em aço, em carbono ou em materiais compósitos, e contava em 2024 com 748 trabalhadores. Embora o volume de negócios tenha descido mais de 13% face a 2023, a empresa metalomecânica apresentou um lucro de 8,25 milhões de euros e foi uma das duas empresas de Guimarães a cotar-se como uma das 20 maiores do distrito de Braga. A empresa de Brito foi a 17.ª em 2024, enquanto a Arcol, empresa cash & carry sediada em Gondar, concluiu 2024 com uma faturação de 118,65 milhões de euros e aparece no 18.º lugar. Esse top 20, liderado pela Continental Mabor, com 1.334 milhões de volume de negócios, inclui oito empresas de Braga, sete de Famalicão e uma de Barcelos, Amares e Esposende.

A lista das 10 maiores empresas de Guimarães em 2024 completa-se com a Cândido José Renewables, companhia da área das energias renováveis que ultrapassa os 100 milhões de faturação, no 22.º lugar do distrito, a Mundifios, do setor têxtil (31.º), a Vapo Atlantic, da área dos combustíveis (32.º), a Brenntag Portugal, dos produtos químicos (43.º), a Têxteis JF Almeida (44.ª), a Bolama Supermercados (45.º), a Leonische Portugal, produtora de cabelagens a laborar em Barco (46.º), e a Lameirinho, outra têxtil, no 48.º lugar. Esse leque de empresas foi responsável por 820 milhões de euros de receita – 22% do volume de negócios vimaranense que figura no ranking.

 

Top 10 a noroeste congrega diversidade de setores

Se se aplicar essa contabilidade à área noroeste do concelho, verifica-se que a Amtrol-Alfa e a Leonische, empresa com 903 trabalhadores e uma faturação superior a 60 milhões em 2024, são seguidas pela JOM (49.ª no distrito), pela Soguima (71.ª), pela Petrotec (97.ª), pela Confeções Cunha & Ribeiro (116.ª), pela Curriber – Vestuário (136.ª), pela Kiwi Greensun (168.ª), pela Petroassist (230.ª) e pela José Neves & Ca. (242.ª), completando um top-10 que garantiu uma receita total de 432 milhões de euros.

Fundada em 1980 e sediada em Ponte, a JOM conta com 434 trabalhadores e engloba 28 lojas, tendo concluído 2024 com um volume de negócios de 57 milhões de euros, apesar da quebra de 20% face a 2023, enquanto a Soguima, instalada no parque industrial de Vila Nova de Sande, conta com 237 trabalhadores, transforma mais de 10 mil toneladas de pescado por ano e faturou, em 2024, pouco mais de 43 milhões, após uma subida de 7%.

Já a Petrotec, fundada em 1983 e instalada no parque industrial de Ponte para fabrico de bombas de combustível, encerrou 2024 com um volume de negócios superior a 33 milhões de euros, enquanto a Petroassist, outra empresa do grupo, vocacionada para a assistência com equipamentos eletrónicos no ramo petrolífero superou os 19 milhões de faturação. Juntas, as duas empresas contam com 334 trabalhadores.

Já o volume de negócios do grupo Cunha e Ribeiro, produtor de vestuário instalado em Souto Santa Maria (União de Freguesias Souto São Salvador, Souto Santa Maria e Gondomar), ascende aos 58 milhões, repartindo-se por duas empresas: Confeções Cunha & Ribeiro, com faturação superior a 30 milhões de euros, a crescer mais de 50% face a 2023 e 121 trabalhadores, e Curriber – Vestuário, com 27 milhões de volume de negócios e 26 funcionários.

A laborar desde 2002, na UF de Briteiros São Salvador e Briteiros Santa Leocádia, a Kiwi Greensun ostenta o estatuto de maior produtor de kiwi da Península Ibérica, reúne 62 trabalhadores e obteve, em 2024, um volume de negócios a rondar os 23,5 milhões de euros, valor que traduz um aumento de 21,4% face a 2023. A José Neves, por seu turno, opera no setor da embalagem desde 1983 e está instalada em Ponte desde 2018, com 110 trabalhadores, tendo encerrado 2024 com uma faturação de 18,5 milhões.

 

 

Parques industriais concentram maioria da atividade económica

Das 42 empresas do noroeste de Guimarães listadas no ranking do Diário do Minho, 24 encontram-se instaladas em parques industriais. Não surpreende, por isso, que Ponte e Brito sejam as freguesias com mais faturação nesse território. A vila de Ponte acolhe 13 das sociedades representadas, estando oito delas instaladas em parques industriais: sete encontram-se no designado Parque Industrial de Guimarães, criado no início da década de 80 do século XX – além da Petrotec, Petroassist e José Neves, incluem-se a Bordalima – Internacional, a Bordalima – Indústria de Bordados, a Tictel, e a Divmac. Já a Eigui está instalada no parque industrial da zona de Monte Carreira, enquanto a Mendes Ribeiro, a J. Correia & Filhos, a JPZ e a Avefios encontram-se em instalações à parte, tal como a JOM.

Já a vila de Brito, além de receber a maior empresa de Guimarães, acolhe outras nove empresas entre as 1000 maiores do distrito, quase todas instaladas no parque industrial que confronta com a Amtrol-Alfa: são elas a F. Moda, a Luís Azevedo & Filhos, a Ibéris, a Joltex, a Prismanil – Comércio de Pneus e a Normendes. Já a Pizarro e a Lisardo Conde Abelleira encontram-se no parque industrial fronteiro a Ronfe e a Osborn Unipol em instalações isoladas.

O mesmo princípio aplica-se às cinco empresas de Vila Nova de Sande: tal como a Soguima, a Jomafe, a Cristema, a Lunefe e a Face Cutlery encontram-se no parque industrial. Já o parque industrial da Gandra, em Barco, acolhe a Inovaprofissional, do ramo alimentar, e a Belo Inox, de cutelaria, além da Leonische Portugal.

Barco aparece no ranking do Diário do Minho com três empresas, assim como a UF de Souto São Salvador, Souto Santa Maria e Gondomar, a UF de Briteiros São Salvador e Briteiros Santa Leocádia e a vila de Caldas das Taipas, enquanto a UF de Briteiros Santo Estêvão e Donim tem duas.

Em Caldas das Taipas, a empresa que mais faturou em 2024 foi a Pit Lane Unipessoal, responsável pelo posto de combustível da Galp, na Avenida 25 de Abril, tendo arrecadado 15,17 milhões de euros. Essa empresa figura no 322.º lugar do distrito e no 73.º do concelho de Guimarães, sendo seguida pela Soditaipas – Supermercados, responsável pelo Intermarché, que faturou 12,5 milhões em 2024, e pela Cutipol, a terceira empresa sediada na vila termal a aparecer no ranking. Fundada em 1 de abril de 1963, a cutelaria que tem os seus talheres espalhados pelo mundo fechou 2024 com um volume de negócios de 9,7 milhões e 113 trabalhadores.

 

Cutelaria fatura 31 milhões

Setor com tradição em Caldas das Taipas e áreas envolventes, a cutelaria arrecadou pouco mais de 31 milhões de euros pelas empresas incluídas na lista das 1000 maiores do distrito em 2024. Com 105 trabalhadores a Cristema lidera o quarteto de empresas do setor, com uma faturação de quase 11 milhões. Segue-se a Cutipol e a Belo Inox, que fechou 2024 com um volume de negócios de 5,8 milhões e 71 trabalhadores. A Face Cutlery, em Vila Nova de Sande, fecha o pelotão das 216 empresas de Guimarães no ranking, ao ocupar precisamente a milésima posição, com uma receita de 4,9 milhões. A mais antiga cutelaria em operação, a Herdmar, sediada em Barco, não figura no ranking.

 

ndr: texto publicado originalmente na edição de fevereiro do jornal Reflexo