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Empresa de Vila Nova de Sande instala-se no Reino Unido para mitigar o efeito Brexit

Redação
Economia \ quarta-feira, janeiro 27, 2021
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A Jomafe, empresa do setor das utilidades domésticas, instalada em Vila Nova de Sande, já está no Reino Unido, de onde passará a distribuir os seus produtos aos clientes locais.

Num mercado importante para a empresa vimaranense, que exporta atualmente para mais de 22 países, nalguns mercados de forma consistente e continuada, noutros de forma mais esporádica, como nos adiantou o Diretor Geral da empresa, José Manuel Ferreira, a Jomafe encontrou um parceiro local, no Reino Unido, que lhe facilitará as operações comerciais. “Com o Brexit, as operações logísticas e as entregas aos nossos clientes passam a ser revestidas de burocracias aduaneiras que anteriormente não existiam.  Para mitigar esse efeito e apresentar um serviço ampliado, resolvemos constituir, com um parceiro local, uma sociedade de direito Britânico, que assumirá todos esses tramites. Assim, toda a distribuição passará a ser assegurada pela Jomafe UK”, refere José Manuel Ferreira.

Para aquele responsável, o Brexit, tornou as operações logísticas, “mais complicadas”, nomeadamente no que respeita aos custos e despachos aduaneiros, situação para a qual, diz, terem estado sempre atentos e a estudar alguns planos alternativos.

Relativamente às vendas, refere não se terem sentido ainda grandes quebras com a entrada do Brexit: “na última semana de 2020 efetuamos as últimas entregas com base na livre circulação de mercadorias. Neste momento estamos a entregar via Jomafe UK”. Contudo, o confinamento motivado pela Covid-19, que também se verifica no Reino Unido, levou a que muitos clientes se encontrem com as suas lojas encerradas originando, consequentemente, “uma redução de atividade em toda a cadeia de fornecimento”.

É, aliás, o efeito Covid-19 que mais causa apreensão em José Manuel Ferreira. “O efeito Covid tem-se demonstrado enigmático em todas as vertentes. A imprevisibilidade dos seus efeitos nos diferentes contextos dificulta a tomada de decisão. Por essa razão, não conseguimos com rigor perceber o alcance do seu efeito no curto prazo. De notar que a todo o momento tudo se altera, mais restrições, menos restrições, confinamentos gerais, etc. Podemos sim, analisar o impacto que teve até ao momento, cujos efeitos foram diferentes em diferentes períodos. Numa primeira fase (em março de 2020), de repente, tudo pára. Todas as encomendas em curso, todas as operações são suspensas e outras canceladas. A partir de Abril/Maio, estas operações são retomadas e consegue-se ainda assim recuperar as semanas perdidas. Nos meses seguintes, verificamos uma certa normalidade nas nossas vendas. Se é correto que as pessoas passam mais tempo em casa, necessitando por isso de mais utilidades domésticas, por outro lado, uma grande parte nos nossos clientes estão com a lojas encerradas. Como referi, estabelecer uma relação causa efeito nas vendas pode, por essa razão, levar a conclusões enviesadas. Efetivamente em 2020 crescemos as nossas vendas em aproximadamente 10%, mas acredito que teríamos crescido mais caso não existisse Covid”.

Apesar de tudo, “num mercado maduro e com elevado número de players neste segmento”, o Diretor Geral da Jomafe acredita que há potencial de crescimento com as “soluções ajustadas e a competitividade” que a sua empresa apresenta, precisamente as convicções que levaram à realização desta parceria no Reino Unido.

O mercado doméstico ainda representa a maior fatia de vendas da Jomafe sendo que, a exportação, tem tido um crescimento progressivo na empresa e já representa 30% do volume de operações. “Pretendemos aumentar este valor tanto em termos relativos como absolutos. Isto significa que pretendemos aumentar as exportações sem descuidar o mercado nacional”, concluiu José Manuel Ferreira.

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