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Em quinze dias fez-se um "novo" Febras: balanço "extremamente positivo"

Bruno José Ferreira
Freguesias \ terça-feira, julho 25, 2023
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Já se olha para 2024 como uma uma "oportunidade" de criar um festival de um patamar que "não há, nos últimos anos, em Guimarães". Mas, há princípios dos quais não se vai "fugir" em Briteiros.

O rio Febras segue tranquilamente o seu curso e no Parque de Lazer de Briteiros é possível ouvir a água a fluir de forma natural. O silêncio, muito distante do “fenómeno” que aqui ocorreu no sábado, é agora novamente o tónico dominante. O palco – parte dele – ainda está à espera de ser desmontado; mas, no seu íntimo ainda sente o estremecer de quem esteve perante milhares de pessoas aos pulos.

“Não há histórico de uma coisa semelhante a esta, pelo menos em Portugal”, atira Vasco Marques, o presidente da Casa do Povo de Biteiros. Convém relembrar que aquele evento, o Festival de Rock que acontece junto ao rio Febras, foi organizado por malta de uma IPSS. Contou com cerca de 130 pessoas na organização – todos voluntários – e no dia estiveram lá cerca de 80. “Muitos nunca tinham servido um fino na vida, e tiveram e servir centenas”, diz Vasco, ainda com a pulseira do Rock in Rio Febras ao pulso.

 

Na hora de fazer um balanço, mais a frio e com uma margem de três dias desde o evento, agradece a todos com “um abraço do tamanho do festival”. “Tivemos pessoas que trabalharam 16 horas seguidas em vários pontos: foram incríveis, e o que aconteceu deve-se ao trabalho dessas pessoas”, destaca.

Balanço "extremamente positivo mesmo tendo em conta as expetativas geradas”

O balanço traçado por Vasco Marques é “extremamente positivo, ou até mais do que isso”. “Se avaliarmos com a expetativa que tínhamos antes de se dar o fenómeno, então é ainda muito melhor. Mas, mesmo com a expetativa que tínhamos depois de gerada toda a situação, o balanço é extremamente positivo”, diz.

Para trás ficaram duas semanas de azáfama, em que foi criado “quase um evento novo”. Este evento novo teve as suas repercussões a nível financeiro, uma “vertente um pouco negativa”, admite. “Tivemos um conjunto de despesas que não estávamos à espera, que tivemos de suportar em quinze dias sem tempo para pedir orçamentos e para ponderar: foi uma dinâmica de problema, solução, problema, solução”, desabafa.

Ainda a “tentar perceber” tudo o que se passou, em Briteiros já se olha para a próxima edição. A ambição é “subir mais um degrau”, mas sem perder a genuinidade e o conceito. “As pessoas aderiram à ideia, compraram o conceito. Isto é que está a tornar o Febras um pouco diferente”, sublinha.

“Temos oportunidade de ter um festival de um nível muito grande que, se calhar, em Guimarães não há, pelo menos nos últimos anos” – Vasco Marques, presidente da Casa do Povo de Briteiros

Com naturalidade lança o olhar para o futuro. “Queremos aproveitar esta oportunidade, esperemos que as pessoas mantenham o interesse, e assim permitir que aqueles que não puderam vir este ano tenham lugar no próximo”, atira com sorrisos. Mas, acrescenta, “queremos manter-nos genuínos e há princípios aos quais não queremos fugir”.

A identidade do festival será para manter, perspetiva. “Não vamos, de repente, profissionalizar isto e chamar apenas bandas nacionais, fazendo do Febras uma coisa diferente do que foi nestas duas primeiras edições”, pontua. “Vamos manter igual, aproveitando as oportunidades que forem surgindo: só assim faz sentido, e só assim as pessoas continuará a gostar disto”, dá a sua opinião.

  

Recorde-se que as duas primeiras edições do Festival de Rock que acontece junto do Rio Febras – que ainda não tem novo nome oficial – foi coorganizado com a Câmara Municipal de Guimarães, no âmbito do ExcentriCidade. Sem isso “muito provavelmente não seria possível ter realizado”, pelo que o município “será sempre um parceiro fundamental” para alavancar esta oportunidade.

“O festival em 2024 vai ser proporcional ao que a Câmara Municipal de Guimarães entender que pode ser”, finaliza, mostrando-se confiante na oportunidade que há para agarrar. “Temos a oportunidade de ter um festival num patamar, e num nível, que se calhar não há em Guimarães, pelo menos nos últimos anos”, remata.