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Em cada página deste livro um amigo (e Abril também se perpetua assim)

Pedro C. Esteves
Cultura \ quinta-feira, setembro 09, 2021
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O Núcleo de Estudos 25 de Abril apresentou o livro "Não atiramos a toalha ao chão". O título resume a postura de quem pôs fim à longa noite que toldou o país e de quem luta por manter a chama acesa.

Há um trabalho de um núcleo de 17 pessoas que perdura há mais de uma década. As metas foram definidas desde cedo: envolver alunos – centenas de pequenos aprendizes –, escolas e bibliotecas do concelho e difundir o espírito de Abril. E se a liberdade passou por muitos sítios ao longo dos anos, também passou pelo Instituto de Design de Guimarães nesta quarta-feira. Por lá, foi apresentado o livro “Não atiramos a toalha ao chão”, a materialização do trabalho contínuo do Núcleo de Estudos 25 de Abril (NE25A). O título reflete a postura de um movimento que, mesmo no ano e meio ensombrado pela pandemia, não parou.

Mas este livro não é um fim de um ciclo. E isso foi vincado pelo painel (de amigos) que o apresentou. Para além de Amadeu Faria, coordenador da coletividade, estiveram presentes Adelina Paula Pinto, vereadora da cultura, e a diretora do Agrupamento de Escolas Francisco de Holanda, Rosalina Pinheiro.

“O trabalho do NE25A com bibliotecas e em várias áreas culminou neste livro: mas não será o fim de um ciclo, há um trabalho que veio desembocar neste livro, mas até por força desta necessidade, destas contra-correntes [que colocam em causa a liberdade], precisamos de continuar a trabalhar. Individual e coletivamente”, frisou Adelina Paula Pinto.

Da parte do grupo que nasceu a norte do concelho, Amadeu Faria deixou uma garantia: “Enquanto existirmos, os 17 membros do núcleo garantimos uma coisa: lutar pela liberdade”. O coordenador deixou ainda uma mensagem de apreço e saudade a outros dois “amigos” que já não puderam testemunhar a materialização de um trabalho de décadas: Francisca Abreu e Otelo Saraiva de Carvalho.

 

Todos somos poucos

O título do livro também acaba por resumir a postura de quem pôs fim a 41 anos de uma longa noite que pairou sobre Portugal. Aquele dia, o 25 de Abril de 1974, só foi possível “porque houve pessoas que não atiraram a toalha ao chão”, enquadrou Rosalina Pinheiro.

O livro lançado esta quarta-feira é composto por 31 textos (15 assinados por mulheres e 16 por homens), “que se vão tocando” e vão do “pessoal ao político”. Os soldados com cravos mergulhados nos canos das espingardas – imagem plasmada no mural desenhado no muro das piscinas das Taipas – ilustram a obra.

Tal como esse mural, de trabalho colaborativo que envolveu a sociedade civil, o livro também nasceu da necessidade de perdurar o espírito de Abril. “E todos somos poucos para continuar a passar esta ideia”, vincou Adelina Paula Pinto.