
Domingos Bragança: “Gostava imenso que todos os moinhos ao longo do rio ave fossem recuperados e colocados em função”
Em título, uma das ideias mais repetidas pelo Presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Domingos Bragança, no passado dia 15 de março, à margem da inauguração do troço da Ecovia do Ave que liga Barco às Taipas.
Os cerca de quatro quilómetros de ecovia pela margem direita do Ave, foram percorridos por políticos, técnicos ambientais e população que se associou à iniciativa, com partida de Barco, paragem no Parque de Lazer da Praia Seca e final no Parque de Lazer das Taipas.
Momento passa assinalar um projeto que começou a ser trabalhado em 2021 pelo Laboratório da Paisagem, em colaboração com o a Universidade Trás-os-Montes e Alto Douro, o Município de Guimarães e a VITRUS Ambiente, com as intervenções, junto á linha de água a serem realizadas em épocas muito especificas do ano. “Só podemos trabalhar entre setembro e março. A partir daqui vocês já ouvem os pássaros, as aves, já estão em época de nidificação e para nós é muito importante também respeitar o tempo deles e não só os mamíferos também, os aranhos e outras espécies de repteis que vão surgindo. É muito importante, para nós, respeitarmos o tempo deles”, salientou a arquiteta Sara Terroso, Coordenadora de Áreas Verdes, Saúde e Clima no Laboratório da Paisagem de Guimarães.
Luís Pereira, presidente da Junta de Freguesia de Barco e Luís Soares, presidente da Junta de Freguesia de Caldelas, também elogiaram o trabalho realizado nos sues territórios. O primeiro fez ainda questão de enaltecer e agradecer “aos proprietários que gentilmente cederem terrenos” para que o percurso seja uma realidade. Para Luís Soares, é o cumprimento de um sonho começado a desenhar em 2020 no sentido de “devolver um trilho, um espaço que estava na memória dos mais antigos, mas que estava já fora daquilo que era, digamos assim, o dia a dia dos mais novos. Quando este trilho foi aberto, nesta primeira fase, para nós foi uma alegria muito grande e, sobretudo, foi uma alegria que foi continua porque nós continuamos a perceber que já não são só as pessoas das Taipas, são milhares que aos fins de semana atravessam este trilho, que vêm de todos os lados”.
“Que bom, que bonito seria e que bom será se nós tivermos um projeto que desde a nascente até á foz do rio Ave, mas dentro do nosso território, termos uma ecovia que faça todo o percurso ladeando o rio, em toda a sua extensão. Tão bonito era, ao longo de todo o rio Ave, desde a sua nascente, irmos até Vila do Conde. Isto é excecional”. Este foi um dos desejos vaticinados pelo presidente da Câmara Municipal de Guimarães. “Sabemos que há zonas muito difíceis, muito escarpadas, mesmo assim e que através de obras de arte, nós pudéssemos aí também, numa dificuldade, encontramos uma oportunidade de embelezar. Estou a falar em passadiços, nos moinhos que estão muito abandonados, tratar da sua recuperação. Eu gostava imenso que todos os moinhos ao longo do rio Ave fossem recuperados e colocados em função. Sabemos que não são nossos, não são públicos, mas com o convite aos proprietários, com acordos, podemos fazer com que aqueles moinhos sejam novamente funcionais e sejam espaços de cafés, espaços de leitura, em que quem vai a caminhar na ecovia possa parar, possa estar ali a passar o seu tempo lendo os jornais, ouvindo música, lendo livros, fazendo o seu compasso de tempo de silêncio, de meditação e de reflexão”, referiu ainda a este propósito, não deixando também de salientar a possibilidade de, em determinadas zonas do percurso, “criar condições para zonas das praias fluviais e para zonas de aparcamento”.
Domingos Bragança, referiu-se ainda a este projeto como sendo uma referência da Guimarães Capital Verde Europeia 2026: “Está aqui tudo da natureza. Da defesa das manchas de água, tudo. Da qualidade da fauna e flora, nomeadamente da vida da água, tendo peixes, tendo fauna...já vi patos! Isto tudo mostra a beleza que nós podemos ter no nosso parque”.
A implementação de ecovias no concelho não se fica só pela Ecovia do Ave. Contempla ainda as Ecovias do rio Selho e do rio Vizela, com criação de pontos de interesse ao longo do percurso nas zonas ribeirinhas. O projeto global passa por 27 freguesias, num total de 61 quilómetros com a Ecovia do Ave a estender-se por 29 quilómetros, a do Selho por 22 e a do Vizela por 10.