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Castro de Sabroso: Sociedade Martins Sarmento alerta para saques ilegais

Pedro C. Esteves
Cultura \ domingo, abril 18, 2021
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Atos ilegais de detetorismo têm causado valas de saque neste Monumento Nacional. Sociedade Martins Sarmento diz que peça secular pode ter sido parcialmente levada.

Os técnicos da Sociedade Martins Sarmento encontraram recentemente "valas de saque resultantes de práticas ilegais de detetorismo" no Castro de Sabroso, sítio arqueológico localizado na Freguesia de S. Lourenço de Sande. Apesar de uma das últimas ocorrências remeter para setembro do ano passado, o alerta surge este domingo, no Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, para "mostrar como é complexa a proteção do património cultural e como os atos de vandalismo e destruição incluem práticas diversas." Uma peça de louça de mesa, que corresponde à especialização funcional das cerâmicas da última fase da Idade do Ferro (séculos II e I a. C.) pode ter sido levada pelo saqueador.


"Um destes saques, ocorrido em Setembro de 2020, foi aberto no interior de uma estrutura circular, no terreno mais elevado do castro, onde o ato de vandalismo foi cometido num ponto em que o aparelho deve ter detetado uma lata, que ainda se encontrava no local", começa por descrever a Sociedade Martins Sarmento. "A vala foi aberta no que será uma camada de revolvimento, tendo sido deixados à vista, além da referida lata, vários materiais arqueológicos que saíram da vala."


Posteriormente analisados pelos técnicos, foram detetados vários fragmentos de cerâmica e um fragmento talhado de quartzito. A recolha parcial desta peça - apenas se guardou o que foi deixado à superfície, não se conhece o que pode ter sido levado pelo autor do saque - faz com que se perca "informação cronológica e funcional sobre a casa circular em questão". A maior parte dos fragmentos de cerâmica pertenciam a uma mesma peça louça de mesa, que corresponde à especialização funcional das cerâmicas da última fase da Idade do Ferro (séculos II e I a. C.). "Seria um púcaro modelado a torno e fabricado através de cozedura redutora, com pasta fina, onde se identificam pequenos grãos de quartzo, e com a superfície previamente afagada", indica a instituição.

Os materiais foram, ainda assim, guardados, integrando o espólio do Castro de Sabroso, à semelhança das peças recolhidas em contexto de escavação.


Deteção de metais é proibida por lei


Num repto lançado à comunidade, a Sociedade Martins Sarmento reitera que a utilização de detetores de metais para pesquisa de objetos e artefactos históricos é proibida em Portugal, bem como a utilização e transporte destes aparelhos, não licenciados, para efeitos de pesquisa em monumentos.

"Proteger o património e salvaguardar a nossa herança cultural é, antes de mais, respeitar a Lei. Qualquer intervenção num sítio arqueológico, inclusive no Castro de Sabroso, que é Monumento Nacional, deve ser responsabilidade das entidades competentes, devidamente autorizadas pelas autoridades que tutelam o Património Cultural", reforça a instituição.


Limpeza vai avante


Como tem sido já anunciado, o Castro de Sabroso, em São Lourenço de Sande, será alvo de uma ampla intervenção de reabilitação, a ser executada pelo Município de Guimarães Comunicação, no decurso da votação favorável do projeto no âmbito do Orçamento Participativo. Já anteriormente tinha sido limpa grande parte da área do monumento, nomeadamente entre 2015 e 2017, pela Junta de Freguesia Sande S.Lourenço e Balazar, tendo-se verificado, porém, a regeneração do coberto vegetal infestante.

Enquanto não se iniciam os trabalhos de valorização do castro, que virão possibilitar a visitação do monumento, é interdita a circulação de visitantes sem acompanhamento, não apenas para evitar o impacto sobre as estruturas arqueológicas, mas também para segurança dos próprios visitantes.