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BRT e teleférico equacionados para a ligação entre as Taipas e a cidade

Tiago Dias
Política \ quinta-feira, julho 29, 2021
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Pensadas para resolver os constrangimentos da EN101, as propostas integram um estudo sobre mobilidade concelhia, apresentado nesta quinta-feira, em reunião de Câmara.

O congestionamento do trânsito na porção da Estrada Nacional 101 entre a vila de Caldas das Taipas e o coração de Guimarães é conhecido, e a reunião do executivo municipal trouxe à superfície alguns dos princípios que podem reger a mobilidade futura nesse eixo.

O especialista em transportes da Universidade do Porto, Álvaro Costa, e a arquiteta Anita Pinto apresentaram um estudo preliminar que prevê a implementação de uma via dedicada para o sistema BRT – acrónimo de bus rapid transit em inglês, que respeita a autocarros ou outros meios de transporte público com serviço mais rápido – ou até de um teleférico entre a cidade e a vila termal, com uma extensão turística até ao Castro de Sabroso e à Citânia de Briteiros.

Anita Pinto frisou que o BRT, semaforizado, com um sentido em circulação de cada vez, é “uma boa solução e exequível”, embora tenha os custos ambientais da construção de infraestrutura viária, ainda para mais num eixo com falta de espaço canal para se criar uma via dedicada na íntegra; segundo os especialistas, é difícil estabelecer essa via nalguns segmentos de Fermentões, pela “habitação à face da estrada”, e na rotunda de São João de Ponte, antes da reta de Toriz, no sentido norte-sul.

Quanto ao teleférico, a equipa a cargo do estudo procurou saber se o sistema poderia ser aplicado a “cidades de média dimensão”, não com finalidade turística, mas de uso corrente pela população local. Para Anita Pinto, o mecanismo tem a vantagem de não se “estar preso a uma infraestrutura viária”, algo que pode fazer a diferença junto ao parque industrial de Ponte e no acesso às Taipas, através de uma rota que “não invada o seu centro”. Dá ainda a possibilidade de se fazer uma extensão turística on demand – funcionamento aquando da procura - até aos dois núcleos de cultura castreja no norte do concelho. A arquiteta reconheceu, por outro lado, que a opção pode ter impacto visual negativo.

 

Oposição fala em campanha eleitoral… e em soluções baseadas no que propôs em 2017

Na reação à apresentação, a coligação Juntos por Guimarães (PSD/CDS-PP) acusou o executivo liderado por Domingos Bragança de interferir com a “neutralidade” no exercício do poder municipal, determinado pela Comissão Nacional de Eleições a partir de 18 de fevereiro de 2021, a propósito das próximas Autárquicas, marcadas para 26 de setembro.

“É muito interessante perceber projetos desta natureza, mas estamos a 59 dias do ato eleitoral para a eleição dos órgãos autárquicos municipais”, vincou André Coelho Lima na sua intervenção. “Segundo a determinação de 18 de fevereiro de 2021, os órgãos autárquicos estão sujeitos a especial neutralidade desde a data. Não podem participar diretamente na campanha. Procura-se garantir que não haja interferências exteriores quanto ao direito de voto”, acrescentou.

Além disso, o vereador e deputado pelo PSD na Assembleia da República lembrou que, na campanha de 2017, a sua força política propôs quatro vias canal para descongestionar o trânsito. “Aquilo que foi apresentado há quatro anos assentava num pressuposto de vias canal para transportes públicos”, disse.

De resto, André Coelho Lima frisou “não simpatizar” com um modelo que propõe várias alternativas diferentes para Guimarães – alterar o uso do comboio junto à EN 105 e BRT na EN 206. Quanto à solução do teleférico até às Taipas, com extensão para a citânia, o social-democrata classificou-a de “esdrúxula”.

Já Bruno Fernandes criticou o facto de se apresentarem “estudos preliminares” numa fase tão avançada do mandato. “Esta indefinição leva a que se criem ideias na população de que poderá ser assim, poderá ser assado. Depois até descredibilizam a ação do município”, disse. O candidato da coligação JpG a Santa Clara nas próximas eleições disse mesmo que um estudo preliminar sobre constrangimentos que não foram resolvidos nos últimos 32 anos – o tempo de poder do PS – é a prova de que o executivo não quis saber da mobilidade nos dois últimos mandatos. “Guimarães não quis saber da sua mobilidade. Não temos bom acesso às principais centralidades fora da cidade. Isso obriga a encontrar soluções esdrúxulas”, referiu.

 

Domingos Bragança realça que é preciso analisar “futuro” para obter fundos do PRR

O presidente da Câmara rejeitou que a apresentação do estudo influencie a campanha para as próximas Autárquicas, tendo ainda vincado que esta reflexão sobre “a mobilidade do futuro” pode conferir vantagem a Guimarães na hora de receber financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), gizado pela União Europeia para a resposta à pandemia.

“No PRR, quem tiver projetos avançados de mobilidade, vai desenvolver os sistemas com BRT para via dedicada”, disse. “Temos de propor ao sistema tecnológico os fundos comunitários. Já fiz essas diligências. Guimarães poderá ter esse caráter inovador. Quis apresentar este estudo de mobilidade para o futuro, para os próximos 10 anos”, acrescentou.

Quanto aos “teleféricos da última geração”, previstos quer para o eixo da EN 101, quer para anel de transporte em redor da cidade, entre o pavilhão Multiusos e Mesão Frio, o autarca realçou que é preciso analisar a questão da “segurança” para a instalação dos cabos.