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“Assim vamos todos fechar”, alertam lojistas junto às termas

Bruno José Ferreira
Sociedade \ segunda-feira, maio 09, 2022
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Obras continuam a ser condicionante para os lojistas, que desesperam com a situação. Temem pelo presente, dizem que há perdas de faturação consideráveis, lojas a fechar e outras à procura de novas localizações. Não sabem como será o futuro num largo renovado sem lugar para os carros.

As obras de requalificação do centro cívico das Taipas continuam a fazer desesperar moradores e lojistas da zona baixa da vila, nomeadamente o largo existente entre os Banhos Velhos e as Termas das Taipas, local onde as obras se iniciaram e ainda hoje decorrem. Esta situação provoca transtornos, segundo relatam os lojistas ao Reflexo. Na passada terça-feira, 26 de abril, o perímetro da obra foi alargado, retirando lugares de estacionamento e estrangulando mais a zona de circulação que serve um conjunto de lojas, o que levou os proprietários a fazerem soar novamente o alarme. “As pessoas chegam aqui e ao verem que não conseguem parar o carro, vão às compras a outros lugares, não estão para andar com as compras às costas”, desabafa Sílvia Carina Ribeiro, proprietária do Supermercado MS.

“Cortaram-nos o acesso ao parque e o descontentamento geral é muito grande”, garante, dizendo que está a ter prejuízos mensais na ordem dos 1500 euros devido às obras. “Vários lojistas estão a pensar mudar de sítio ou têm de fechar. Por este andar vamos todos fechar”, lamenta. “Já por mais do que uma vez cortaram as estradas e os estacionamentos, impedindo o acesso às lojas e até ao estacionamento por parte dos moradores. Fazem isso e nunca nos avisam para que tenhamos a oportunidade de pelo menos avisar os clientes”, diz Sílvia Carina Ribeiro, mostrando já cansaço em relação ao arrastar de todo o processo.

“Toda a gente que aqui vem queixa-se do caos”

Uns metros ao lado a situação é semelhante. Fernanda Silva tem uma engomadoria e a última semana foi de “bastante” menos trabalho, precisamente em virtude do novo congestionamento do trânsito e dos acessos na zona. ‘A todo o vapor’ é o nome da engomadoria de Fernanda Silva, que sustenta que nos primeiros quatro dias após o fecho da rua teve de baixar a velocidade do vapor.

“Quando as obras estavam só da parte de cima eu trabalhava bem. Tinha estacionamento, as pessoas paravam o carro e entregavam a roupa. Como cortaram isto na terça-feira [26 de abril], a maior parte das pessoas passa ali na rua vê que não pode vir cá, segue sempre e nem para”, lamenta.

Uma vez mais as queixas fazem-se sentir devido à forma como o processo está a ser gerido: “Ninguém nos disse nada. Apenas percebemos a meio da manhã que puseram o sinal que era proibido vir para aqui, e apenas deixavam os carros sair. À tarde já não havia aqui carro nenhum. Toda a gente que vem aqui trazer roupa queixa-se do caos”, atira Fernanda Silva.

“Não sei como as termas estão caladas; os utentes onde vão por os carros?”

Jorge Guimarães tem também um espaço de contabilidade na Rua Professor Ilídio Lopes de Matos. Assume-se como porta-voz dos lojistas e traça também ele um cenário de “descontentamento geral”
que se vem arrastando desde o início da obra. Questiona “como é que é possível ninguém dizer nada”. Pelas conversas que vai mantendo com elementos da obra, Jorge Guimarães revela-se preocupado não só com o momento atual, mas também com o futuro, uma vez que a “redução drástica” de lugares de estacionamento limitará muito os negócios.

“Temos pedido informações, quer aos trabalhadores quer à própria engenheira, que nos dizem que inicialmente o parque de estacionamento ia deixar de existir. Eu disse que não podia ser porque faz parte de integrante do prédio. O que está no projeto neste momento, porque já houve alterações, são 16 lugares de estacionamento junto às termas até à escadaria do hotel. Não sei o que vamos fazer só com 16 lugares”, diz Jorge Guimarães, da empresa Modern Percentage.

“Há lojas a fechar. Tive um cliente do outro lado que fechou a sua atividade. Há um ano fiz a exposição à Câmara Municipal de Guimarães com o prejuízo que teve, e até hoje não respondeu a nada. Não há perspetiva de tempo para terminar a obra aqui. Já nos disseram para deixar o carro lá em cima na feira, imagine-se, mas nem ligamos a isso”, sublinha.

Para lá dos constrangimentos atuais, Jorge Guimarães teme pela vitalidade deste espaço quando a obra estiver concluída, em virtude dos lugares de estacionamento que considera escassos. “Não sei como isto vai funcionar com 16 lugares em zebra. Há um descontentamento geral, de moradores, lojistas e até utentes das termas. Não sei como as termas estão caladas com isto, que lhes vai tirar lugar aos utentes. É um caso político, porque qualquer serviço destes sem estacionamento já se tinha queixado”, atira. Desesperados, os lojistas sentem as suas atividades ameaçadas. “Há um lojista que já nos garantiu que se tiver de fechar a loja vai fazer manifestações”, finaliza Jorge Guimarães.