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É p´ra amanhã, bem podias fazer hoje

Teresa Portal
Opinião \ quinta-feira, junho 04, 2026
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Mais do que adquirir conhecimentos, é importante que os jovens desenvolvam consciência de que representam o futuro do planeta.

Chegou um momento para «cronicar».

Há várias notícias a circular, e com tantos factos impossíveis de comprovar, torna-se difícil descortinar o que é verdadeiro do falso.

Como as Redes Sociais vieram para ficar, o melhor é optar pelo mal menor e aceitar aquelas em que anda a Comunicação Social, que, segundo o seu estatuto, deveria apenas publicar o que é verdade de forma concreta e simples.

Aproveito o texto para, mais uma vez, comunicar a quem me pretende seguir que não volto a entrar no THREADS nem no TIK-TOK. Quem por lá anda, que seja muito feliz.

E já que falo em Redes Sociais aproveito para falar dos sites pornográficos, que começam a invadir também o Facebook. Ainda hoje eliminei um, cuja história estava junto da minha e desapareceu. A isso o Facebook não está atento. Só o preocupam os «gostos» ou não que se põem e põem as pessoas de castigo por dias. Ridículo! Nós é que somos SPAM?

O junho começa com o Dia Mundial da Criança. As crianças são a maior esperança da humanidade. Nelas reside a capacidade de sonhar e «sempre que um homem sonha, o mundo pula e avança» como dizia António Gedeão, no seu poema Pedra Filosofal.

Elas é que terão de criar e transformar o mundo num lugar melhor. Já que os adultos continuam a ter comportamentos inaceitáveis, é fundamental que as crianças obtenham as ferramentas necessárias para crescerem com conhecimento, valores e sentido de responsabilidade. Aprender a ler e a escrever é um passo essencial, pois abre as portas do saber, da comunicação e da participação ativa na sociedade.

Arrepiei-me, há dias, com as duas crianças abandonadas e tantas que ficam sem lar, devido à guerra que esses senhores, que comandam as nações, vão ou não provocar.

Estamos todos a sofrer da falta de consciência desses políticos de meia tigela que comandam as nações e enchem os bolsos, enquanto a maior parte dos povos morrem de fome e sem um telhado para os cobrir. Este ano, foi um flagelo. Com as tempestades que nos assolaram, uma atrás da outra (está previsto que no Corpo de Deus vai chover) e essa terrível Kristin que destruiu meio país (o Pinhal de Leiria, mandado plantar por D. Dinis) e a que sucederão outras, os tsunamis que maltratam o Japão anualmente, e tantas, tantas intempéries. A única coisa boa detetada foi que, em caso de alarme, as populações deram as mãos e mostraram que ainda há solidariedade na humanidade moribunda.

Tanta criança sem lar. Ainda bem que os lares de acolhimento aumentaram em Portugal. Essa medida de proteção ao atribuir temporariamente os cuidados de uma criança ou jovem em situação de perigo a uma pessoa ou família, vai garantir-lhe um ambiente seguro, afetivo e estável. O gesto simbólico de três sorrisos desenhados nos dedos indicador, médio e anelar, representa o vínculo entre quem acolhe, quem é acolhido e quem espera, rodeados por dois dedos, o polegar e o mindinho, sobrepostos, que protegem e apoiam.

Recentemente, postei os «Therions», de que nunca tinha ouvido falar e os meus seguidores não se interessaram. Pelos vistos, são o movimento mais recente. Não se consideram animais, mas sentem uma conexão com eles a nível espiritual, logo, imitam o comportamento dos animais. Qualquer dia, temos os cães e os filhos a comer da mesma malga. Deixem-me ser irónica, porque só assim consigo assimilar tanta estupidez. Segundo uma psiquiatra, estes jovens representam uma antiga necessidade humana de pertença e identidade. Um fenómeno agora amplificado pelas redes sociais e algoritmos.

Agora as Redes Sociais explicam tudo. Então acabem com elas nas escolas. Já o deviam ter feito há muito para que o escrever à mão, cientificamente comprovado de que desenvolve a parte cognitiva e não só do cérebro humano, possa regressar. O lápis, a borracha, os cadernos já deviam estar nas mesas e os computadores fechados a sete chaves. Ponham os miúdos a usarem os dicionários (enriquecem o vocabulário), a declamarem poesia para enriquecerem o sentido estético e crítico, a consultarem enciclopédias. Até contribuem para o desenvolvimento motor do pulso e dos dedos.

Apesar de ser um texto de ficção científica, acho que o meu livro «Ser um Dotado no século XXII» funcionou como uma antevisão do que está a suceder.

O futuro está entregue nas mãos dos jovens.

Mais do que adquirir conhecimentos, é importante que os jovens desenvolvam consciência de que representam o futuro do planeta. Deles dependerão as decisões que moldarão as próximas gerações e a preservação do meio ambiente. Investir na educação, no bem-estar e na formação das crianças e jovens é investir num futuro mais risonho, mais justo e mais sustentável para toda a humanidade.

Só assim poderemos salvar o planeta, cansado de dar sinais de alerta.

Quanto aos homens estupidificaram e andam entretidos em guerrinhas prováveis ou improváveis, em saberem quem domina esta ou aquela terra. Há medidas que se podiam tomar sobre como acabar com o plástico dos oceanos, por exemplo, tanta informação positiva dada, mas nada disso interessa.

À boa maneira dos portugueses e não só «É p´ra amanhã / Bem podias fazer hoje/  Porque amanhã sei que voltas a adiar/  E tu bem sabes como o tempo foge/ Mas nada fazes para o agarrar/ Foi mais um dia e tu nada fizeste/ Um dia a mais tu pensas que não faz mal/ Vem outro dia e tudo se repete/ E vais deixando ficar tudo igual…» de António Variações, que viveu muito à frente do seu tempo.

Arregacemos as mãos e ganhemos juízo, só assim haverá um amanhã.

 

Maria Teresa Portal Oliveira

(cronista, romancista, contista, poetisa)