X-Wife nos Banhos Velhos: alimentar de novo a máquina
X-Wife nos Banhos Velhos: alimentar de novo a máquina
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Sexta-feira, Agosto 31, 2018

O trio está de regresso à vila de Caldas das Taipas, no mesmo ano em que lança um novo e bem recebido disco. Há sensivelmente quinze dias estavam no palco maior do Vodafone Paredes de Coura.

Dizem-se mais maduros e cientes daquilo que querem fazer quando chegam ao estúdio. O disco “X-Wife” é quinto da discografia da banda e sai sensivelmente 15 anos depois do seu primeiro. O trio de Rui Maia, Fernando Sousa e João Veira regressa às Caldas das Taipas, depois de por cá terem passado em 2006, no saudoso Rock in Taipas. Foi com João Vieira que trocamos algumas impressões, a propósito do concerto de sábado, 1 de setembro, nos Banhos Velhos.

O disco homónimo de X-Wife marca 15 anos de edições em formato LP e é de algum modo um regresso. De que forma “X-Wife” é um disco de celebração?
É um disco de celebração porque marca um regresso de uma banda que está em boa forma e que sente que ainda tem muita música para dar, seja em palco ou em estúdio. Foi um disco feito sem pressões e com entusiasmo de uma banda que, apesar de estar parada durante algum tempo, está em sintonia.

Ouvindo novamente “Feeding The Machine” percebe-se um salto grande em termos da dimensão do som, desse disco para este de 2018. Como descrevem as mudanças na forma como os X-Wife compõem e gravam a sua música?
Muita coisa mudou desde “Feeding The Machine”, somos mais maduros, crescemos muito como produtores, resultado inevitável dos nossos projetos paralelos, White Haus e Mirror People, o processo de escrita também mudou, já não trabalhamos só na sala de ensaio mas sim individualmente nos nossos estúdios caseiros, a base da escrita mantém-se mas todo o processo de produção mudou, daí este disco ser um álbum mais rico em arranjos, desde a percussão aos sopros, guitarras, vozes e todos os outros elementos.

Esses projetos em que estiveram envolvidos – o Rui com Mirror People; o João com White House; o Fernando a suportar outras bandas em conerto, o que é que essas experiência trouxeram de fresco ao novo disco?
Trouxeram muito ao novo disco a nível de produção. Trabalhamos o disco como não trabalhamos os outros. Este foi um disco trabalhado até ao ínfimo pormenor. Enquanto que nos anteriores estávamos mais preocupados em transmitir a energia da sala de ensaio, neste tivemos um outro cuidado em todos os elementos que integram o disco.

Na altura em que apareceram, pareciam enquadrados, numa cena de ressurgimento do rock a um nível internacional. Foi a altura em que apareceram bandas como Yeah Yeah Yeahs, The Strokes, The Hives, entre tantos outros. Como olham hoje para esse movimento de rompimento associado ao novo milénio?
Não pensamos muito nisso estamos empenhados em fazer boas canções e manter a nossa identidade como banda, reinventando-nos, evoluindo mas sempre mantendo a nossa identidade, não nos sentimos pressionados a seguir tendências, sempre fizemos o que queríamos e sempre correu bem.

A banda nunca chegou propriamente a desaparecer, foram tocando amiúde. Conseguem descrever aquele momento em que os três chegam à conclusão que, passados sete anos, estava na hora de fazer outro disco com X-Wife?
Acho que quando editamos o single “Movin’ up” foi um passo determinante para a escrita de um novo disco, não só pelo sucesso da canção, pois fez parte da banda sonora do jogo Fifa16, e isso teve efeitos virais que superaram em muito as nossas expetativas mas também porque foi uma direção para um novo disco, tínhamos encontrado um som com o qual nos identificávamos e que faria todo o sentido seguir como ponto de partida para um álbum.

Os X-Wife tocaram em Caldas das Taipas, em 2006, num evento que se chamava Rock in Taipas. Guardam alguma memória desse concerto?
Para mim é difícil recordar muitos dos concertos pois já devemos ter ultrapassado as três centenas, lembro-me que 2006 andávamos a apresentar o nosso segundo disco, aquele que a meu ver é o mais rockeiro de todos, por isso os concertos eram super enérgicos e sempre a abrir, foi quando decidimos incluir um baterista e alterar um pouco o nosso som. De certeza que foi um bom concerto, tenho uma vaga ideia mas é difícil lembrar-me de todos…

Nesta tour estão a tocar naturalmente temas do novo disco, mas será de esperar ouvirmos temas mais antigos? O que é que o público pode esperar do concerto nos Banhos Velhos?
Esta tour é focada neste novo disco e em temas dos nossos antigos álbuns que sentimos que jogam bem com as novas canções, há musicas que não encaixam tão bem e acabamos por as deixar de tocar pois não fariam sentido neste novo alinhamento.