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Violenta explosão numa oficina de pirotecnia ocorrida nas Taipas, em 1928
Quinta-feira, Janeiro 28, 2021

Consultando o jornal vimaranense “A Velha Guarda: órgão local do Partido Republicano Português”, na sua edição de domingo, 8 de abril de 1928, deparamo-nos com um artigo intitulado “Violenta explosão”, no qual temos notícia de uma violenta explosão ocorrida nas Caldas das Taipas.

Segundo esta notícia, no dia 4 de abril de 1928, esta povoação foi alarmada por uma violenta detonação, que aterrorizou a população taipense. Pouco tempo depois, uma densa nuvem de fumo elevou-se no ar, para os lados do cemitério paroquial. Neste momento de pânico, muitos taipenses dirrigiram-se ao local para prestar socorro, presumindo que tinha ocorrido uma grande tragédia.

O jornalista prossegue o seu relato, declarando que esta violenta detonação fora uma explosão de fogo de artifício, que se dera na oficina de pirotecnia do ex-soldado da Guarda Nacional Republicana, de apelido Fernandes, que exercia a sua atividade num barracão próximo do cemitério paroquial de Caldelas. Segundo este articulado, fora um foguete de experiência caído sobre o barracão, que incendiara todo o material existente dentro do mesmo, reduzindo tudo a escombros. Nas habitações vizinhas partiram-se os vidros, sentindo-se um forte abalo, indo os estilhaços de madeira e telha da oficina de pirotecnia parar a grande distância.

O jornalista refere que por um feliz acaso não se deu qualquer desastre pessoal, como se pensara na altura, pois nas imediações da oficina residia imensa gente e àquela hora costumava ser grande o movimento. Contudo, os prejuízos foram avultados, quer na oficina destruída, quer nas proximidades.

No final deste artigo, o jornalista alertava que já era a segunda explosão que se dava no mesmo local, afirmando: “torna-se necessário que a autoridade a quem o assunto compete, providencie para que desapareça êste iminente perigo”.

Este rebentamento numa oficina de pirotecnia ocorrido há 92 anos, é o mais antigo caso documentado de um acidente do género nas Caldas das Taipas. No entanto, outras tragédias com vítimas mortais ocorreriam ao longo do século XX e nos inícios do século XXI, nas Caldas das Taipas e em freguesias circunvizinhas.